maio 04

Aconteceu na Casa Espírita

ACONTECEU NA CASA ESPÍRITA

Pesquisa e textos tiradas do livro Aconteceu na Casa Espírita

Psicografado por  Manoel Cristiano (médium) pelo Espírito de Nora

O fato é narrado em uma casa Espirita, mais serve como um grande exemplo para todos os segmentos espiritualistas!

A verdadeira fortaleza de uma Casa Espírita, sob o ponto de vista da sua função na terra, não é os alicerces de concreto, e sim no estudo e vivência do aspecto doutrinário, a fraternidade e o amor ao próximo.

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                                                                         aconteceu-na-casa-espiritaAconteceu na Casa Espírita, é uma narrativa verdadeira e atual dos acontecimentos que, infelizmente vêem ocorrendo nas Casas Espíritas.
                                                               A reunião mediúnica, estava prestes à começar. Os medianeiros mantinham-se respeitosos; espíritos amigos organizavam os necessitados programados para o intercambio. Tudo corria com a costumeira tranqüilidade.
                                                               Porem, aquela noite era de especial importância para cinco entidades da categoria dos bons espíritos. Com o inicio das tarefas e a permissão do mentor do agrupamento, o quinteto espiritual aproximou-se de Constantino, um dos médiuns dedicados, promovendo-lhe o desdobramento para a conversa e o trabalho edificante.
                                                               Recepcionado, no plano espiritual, pelas entidades luminosas, o medianeiro teve o desejo de abraça-las, fazer perguntas, mais foi interrompido por um dos instrutores, que lhe dirigiu as seguintes palavras: Sabemos de teu coração e da gratidão com que nos envolves, reportemos tudo isso ao Senhor e aproveitemos os minutos.
                                                               Lembra-te de que, para venceres na mediunidade, é essencial que te sintas como pequenino servidor. Guarda-te da empolgação orgulhosa, livra-te da vaidade e mantenha-se em disciplina no estudo da doutrina.
                                                               Este, continuou o mentor, é um dos nossos primeiros trabalhos. Os anos nos proporcionarão valorosos e longos exercícios, até que estejais intermediando nossas idéias de forma satisfatória.
                                                               Não imagines ser portador de grandiosa faculdade mediúnica. Em vista de seus débitos, que são grandes junto às leis Divinas, precisarás trabalhar muito para agradecer ao Criador a mediunidade como condutora de teu próprio progresso.
                                                             Os médiuns que tem a produção mediúnica divulgada, assumem um compromisso moral junto as leis Universais, e a falta de vivencia dos ensinos superiores acarreta conseqüências dolorosas para o medianeiro.
                                                               No entanto não espere ter como orientadores grandes nomes, vultos no campo da cultura e da religião. Ainda não tens méritos para compartilhar a presença destes; será preciso fazer por merecer.
                                                               Haveremos ainda, por longo tempo, de permanecermos no anonimato, experimentando-te, observando se consegues materializar, na terra, o que propuseste na vida maior, sem que te desvie.
                                                                Serás tentado, nas tendências e dificuldades mais intimas, pelos adversários da causa cristã, inúmeras vezes; mas a providencia divina te concedeu as condições de se aprimorar através do estudo da doutrina espírita, para que entenda, suporte e vença as dificuldades de sua vida na terra.
                                                               Enquanto trabalhares no bem, estaremos te sustentando. Nossas almas se cruzaram na poeira dos primeiros séculos da era cristã e se ligaram na noite escura dos orgulhosos sacerdotes da igreja romana. Assim, ainda tens muito para recompor, reconduzindo ao bem aqueles que a tua inteligência vaidosa desviou das verdades espirituais.
                                                               Para que tenhas êxito na tarefa de intercambiar os espíritos, é condição essencial que jamais te envolvas com o comercio das forças psíquicas, esforçando-te na reforma intima. Ocupa a tua mente com pensamentos produtivos, filia-te às obras assistenciais, consolidando na terra, com o próprio exemplo, as mensagens dos “Céus” sobre a caridade.
                                                               E se porventura, a vida te lançar pedras, suporta pacientemente, lembrando que os primeiros mártires do cristianismo, dos quais ainda estamos bem longe, não recusaram a oportunidade para testemunhar, enfrentando, pelo nome do Cristo, humilhações e dores.
                                                               Se permaneceres com esse ideal, caminhando com humildade, não te faltarão proteção e amparo.
                                                               A entidade amiga, banhada em luzes, abraçou Constantino. Aconchegando-o junto ao peito e teceu as considerações finais.
                                                               Terás sempre a valorização do tempo na reunião de intercambio espiritual. Por isso, concentra todas as tuas energias e o teu amor em beneficio dos espíritos obsessores e desequilibrados.
                                                               Valoriza e prestigia, constantemente o Centro Espírita que misericordiosamente te concede um trabalho serio e disciplinado.Para a tua segurança, mantenha-se sempre ligado à instituição espírita.
                                                               Conscientize-te de que, se faltares com a seriedade, a verdade, o desejo do bem, o estudo assíduo da doutrina, se buscares privilégios fazendo um escabelo da mediunidade, te abandonaremos no mesmo instante.
                                                                O momento estava sublime. Éramos seis entidades emocionadas, enlaçadas em energias superiores, traçando diretrizes para o futuro sob as bênçãos de DEUS, da mediunidade e do progresso. O mentor enxugou discretamente as lagrimas e, porque era preciso aproveitar o tempo, tomou o médium, em desdobramento, e nos dirigimos às zonas inferiores para o socorro aos necessitados, dando testemunho de que, o amor a DEUS, e ao próximo se constitui no verdadeiro livro que precisamos escrever e editar no coração dos homens.
                                                               Logo depois, o bondoso mentor começou a narrar com muita preocupação, o que estava acontecendo no plano espiritual junto às hordas inferiores, pois estes irmãos em decadência, estavam planejando um ataque em escala maciça para desestabilizar aquela casa espírita.
                                                               Em estranha cidade do plano espiritual, narrava o mentor, congregam-se espíritos obsessores com as mais perversas intenções. Estavam reunidos em uma praça traçavam diretrizes de perseguição e destruição de respeitável Instituição Espírita.
                                                               Entidades recém desencarnadas perambulavam, lunáticas e desvairadas pela estranha região, semi-escravizados por mentes maléficas, que as transformavam em verdadeiros materiais humanos de desequilíbrio. Esses infelizes, permaneciam junto aos obsessores por guardarem compromissos espirituais intensos diante daqueles que se dedicavam à pratica do mal.
                                                               A psicosfera daquela cidade bizarra, era densa, triste, angustiante e depressivas; resultado dos pensamentos dos seus habitantes. Julio César, na condição de chefe, conclamava do centro do largo aos obsessores, que o circundavam em torno do jardim de pedras, com as seguintes argumentações: Avante, amigos, o trabalho nos espera !
Não podemos mais perder tempo, é necessário agirmos agora ou, então, o trabalho de anos será perdido.
                                                               Qual missão ? Perguntou Gonçalves um dos comparsas imediato de Julio César. A missão, respondeu o sinistro orador, é de infiltração espiritual ! estamos de longa data, planejando a invasão, o domínio, e a destruição de uma grande Casa Espírita.
                                                               Quando o adversário chefe pronunciou estas palavras, extensa turba de espíritos fanáticos correu para junto do perseguidor mestre, ouvindo-o atentamente, enquanto a novidade corria, relampejante, entre os habitantes do estranho município, verdadeira falanges de adversários da bondade se apresentou diante do líder perverso, animando-o na transmissão destas terríveis orientações:
                                                               Tenho aqui o relatório atualizado. E, manuseando desajeitado material, puxou a longa lista com estatísticas de trabalhos espirituais, lendo, segundos depois, em voz alta, estes dados: Somente este ano: 2.500 espíritos, que estavam sob nosso comando, foram violentamente arrancados de nós e se converteram ao “Nazareno”, com o auxilio da mediunidade falante, do dialogo enganador e da interferência dos emissários do bem; Cerca de 3.00 encarnados, que permaneciam sob severo processo obsessivos, tiveram o equilíbrio readquirido, graças à odiosa intervenção das entidades da “Luz”.
                                                               Multidões estão encontrando naquela “Casa” maldita, tranqüilidade e conforto espiritual, que para nós são abomináveis; mais de 4.000 entrevistas; aproximadamente 20.000 vibrações ; centenas de palestras, transmitindo a doutrina e ensinos de JESUS, exaltando o bem e o amor.
                                               E ainda tem mais, continuou o expositor das trevas, imprimindo nas suas palavras ódio e inconformação.
                                                                Mais de 15.000 passes transmitidos, dos quais setenta por cento tiveram efeitos muito positivos sobre as pessoas. 200 enfermos, impossibilitados fisicamente de comparecerem as reuniões da instituição, receberam a visita fraterna e a fluidoterapia contra a nossa vontade. E não acaba ai, insistiu o malfeitor completamente indignado,: gestantes, crianças, jovens, andarilhos, etc. receberam na Casa Espírita o concurso caridoso! Isso sem contar as obras que promovem largamente a criatura humana.
                                                                O Centro em questão é uma usina de benemerência. Se com a nossa interferência eles produzem assustadoramente, imaginem se deixássemos o caminho livre ?
                                                                Por isso é preciso continuarmos, redobrando nossos esforços a fim de acabarmos com essa tolice de caridade, a absurda preocupação com o outro e, acima de tudo, com essa inaceitável proposta de renovação moral, trazida pelo Cristo, que exige de mais dos seres humanos.
                                                               Recebemos, de nossos superiores, mais de 8.000 solicitações, tenho comigo os apontamentos. E, lançando ao vento alguns papeis, continuou irritado. Vejam: requisições de obsessão, memorando solicitando prioridades, inúmeras ordens de serviço não cumpridas e sem contar as infinitas reclamações.
                                                               Como vêem, nossa incompetência, está declarada ! É preciso, estarmos organizados para desestruturamos a instituição que nos atormenta. Permanecemos desacreditados juntos a os nossos superiores e creio que nenhum de nos, gostaria de desapontá-los ou desafiá-los. Todos sabemos da ira que nos perseguirá eternamente, se falharmos. Todo o cuidado é pouco, advertiu o administrador do mal se não formos cautelosos, espertos, poderemos cair nas garras dos emissários da “Luz”, que fazem verdadeira lavagem cerebral propondo-nos um bem-estar falso, com o objetivo de escravizar-nos de novo na terra através da reencarnação.
                                                               E como vamos agir? Perguntou um desordeiro bastante animado. Por acaso, vamos fazer objetos se movimentarem ? atiraremos pedras contra os eleitos do Senhor? Assassinaremos alguém? E da turba uma infinidade de sugestões malévolas foram proferidas, entre algazarra e uma pseudo-alegria que envolvia a legião de desordeiros.
                                                              O líder fanático precisou interromper a agitação alertando: Não será assim! Nosso trabalho está dentro de certos limites; leis universais regulam nossa influenciação. E a Casa Espírita, a qual desejamos invadir, dispõe de poderosa proteção espiritual, milhares de espíritos superiores em incessante trabalho no bem, alem de entidades sublimes garantindo-lhes extraordinário auxilio!
                                                                Nossa atuação, prosseguiu o planejador das sombras, será na surdina. Trabalharemos silenciosamente, ocultamente, no campo dos sentimentos, sugerindo pensamentos, estimulando as irritações, o ciúmes, a fofoca, a indignação, os melindres. A disputa de cargos, funções, tarefas, etc… Temos ai, um vasto campo de atuações junto às inferioridades humanas. Aproveitaremos as brechas deixadas por muitos trabalhadores.
                                                                Engraçado é que eles, os encarnados, dizem que, de tempos em tempos, nós, os chamados obsessores, promovemos ondas de influenciação negativa, retirando os “anjinhos” do caminho do bem. Eles, é que a todo tempo, abrem brechas, nós apenas aproveitamos os deslizes e descuidos dos “ilustres seguidores de JESUS”. A propósito, continuou o malvado pregador, esse é o único modo de penetração na instituição, a única forma de sermos barrados pelas correntes protetoras, pois que os mensageiros do bem não podem violar o livre-arbítrio dos adeptos do CRISTO. Os espíritos do mais alto dizem sempre que do mal se tira o bem, que nossa entrada é permitida porque servirá de teste para muitos dos freqüentadores e trabalhadores da Casa. Contudo, enquanto elas, as entidades evoluídas, aguardam a aprovação de seus pupilos, nos campos das provas, nós apostamos na reprovação dos tutelados.
                                                                Temos que valorizar o momento, pois as dificuldades sociais, econômicas, e políticas do Pais, estão a nosso favor; muitos envolvidos com problemas materiais, esquecem de se vigiar, cultivando o pessimismo, a irritação, os palavrões, a negatividade, etc…entrando, naturalmente em nossa faixa vibratória, autorizando-nos o processo de influenciação; e, na maioria das vezes para nossa satisfação, nem se lembram da oração, que poderia nos afastar completamente, rompendo os nossos propósitos.
                                                                A falange das trevas estava magnetizada pelas palavras do mandante! Quando Julio César percebeu que já havia estimulado quantos necessitava, para a implantação das suas idéias, ecoou o grito de guerra: Avante!, Avante! Para aquela odiosa Casa Espírita, o momento do apocalipse, do acerto de contas, chegou. Destruição total é o nosso objetivo.
                                                                Dias depois, na Casa Espírita, o trabalho seguia normalmente. No plano espiritual, porém, os instrutores responsáveis pelo Centro, recebiam a noticia: Vamos ter uma tentativa de invasão dos adversários do bem, comunicou Joana, uma das cooperadoras espirituais do Centro Espírita. Acabamos de socorrer um espírito desequilibrado que prestava serviços a extensa turba de obsessores. Tendo-se libertado da influencia negativa, narrou-nos, com riqueza de detalhes, diabólica palestra que o já conhecido Julio César realizara em sua cidade sinistra. Almejando mais uma vez destruir a obra do bem.
                                                                O mentor tratou logo de apaziguar os tarefeiros espirituais, solicitando marcassem reunião com todos os cooperadores desencarnados, com o objetivo de informá-los a respeito da possível invasão.
                                                             AVALIANDO A AMEAÇA:  Na semana seguinte, quando o Centro, na sua parte física permanecia fechado, os benfeitores espirituais aproveitando aproveitaram a madrugada para efetuar alertadora conferencia sobre o desejo de dominação das entidades inferiores. Feita a prece de abertura, o mentor proferiu estas orientações: Irmãos! O Senhor da Vida nos concedeu esta Casa Espírita como oficina de trabalho junto às criaturas humanas dos dois planos.
                                                                 Temos encontrado neste Centro, a alegria do estudo, do socorro e do labor espírita, possibilitando-nos abençoada oportunidade de serviço cristão, em companhia dos confrades encarnados envolvidos com o mesmo idealismo. Contudo, nós que permanecemos do lado de cá, temos o dever de ampará-los e conduzi-los por caminhos retos, respeitando-lhes, obviamente, a faculdade de livre escolha.
                                                                 O nosso despretensioso trabalho, na seara de JESUS, tem chamado a atenção dos adversários espirituais, desejosos em aniquilar toda e qualquer disposição de ajuda cristã. No fundo, são almas enfermas, profundamente necessitadas de atenção e carinho, que se escondem, usando a mascara de maldade que, mais ou menos dias, terá que cair, pois a lei é de progresso para todos.
                                                                 Por isso, nossas atividades encontram-se ameaçadas! Neste instante, vários espíritos ainda em aprendizado para o trabalho espiritual se espantaram. Alguns ficam temerosos, acreditando que nossos superiores não teriam disposição e recursos para a defesa, o que levou o orientador espiritual a transmitir as seguintes palavras tranqüilizadoras:
                                                                 Calma, meus amigos! Tudo está sobre controle. É necessário que nos coloquemos à disposição para fortalecermos os nossos irmãos em jornada terrena. Para eles, será uma extraordinária possibilidade de testemunhar, na pratica, tudo aquilo que teorizam acerca dos ensinos de JESUS. Que seria do aluno se a escola periodicamente não lhe aplicasse provas? A sabedoria divina, através de suas leis, controla tudo, monitora tudo e, num mundo de provas e expiações, é natural que o mal predomine, experimentando, constantemente, os que aspiram o titulo de seguidores de JESUS.
                                                                 Não há motivos para medo ou fraqueza moral. Não estamos abandonados por DEUS; dispomos de fartos recursos espirituais de defesa; temos ao nosso lado as entidades sublimes que nos apóiam, inspiram e garantem nossa proteção.
                                                                 Permanecemos trabalhando em nome de JESUS; estamos cumprindo, o quanto possível, os desígnios divinos. Dispomos de todos estes recursos, por isso não há motivo de pânico.
                                                                Esta será uma batalha, que competira aos encarnados vencerem, nos, porem, nos limitaremos a protegê-los, vigiando e orando fervorosamente. É certo que alguns, pelos sentimentos que nutrem, não mereceriam sequer nosso concurso; entretanto, as tarefas que realizam promovem o bem comum e, pelo trabalho bem feito que executam, ainda que o realizem como “profissionais espíritas” e não como verdadeiros idealistas, nossa proteção se faz sentir pensando no todo da Casa Espírita. Ainda que esses “profissionais” nada recebam financeiramente, estão sempre em busca dos elogios , da notoriedade e sempre se irritam quando não são citados. Esses, infelizmente, apesar de todo o nosso empenho em protegê-los, ainda que pensando nas tarefas, serão os principais atingidos. Numa atuação isolada, temos mecanismos para evitar o assédio do mal, mas com uma falange tão bem preparada, com mentes inteligentes explorando todas as inferioridades humanas, e estes encarnados vibrando no mesmo padrão, será praticamente impossível salvá-los.
                                                                É uma pena que no Templo da Fraternidade, entre os conhecedores do Evangelho, alguns insistam em ser o exemplo daquilo que JESUS não ensinou. Contudo, temos de compreender que esses irmãos estão em aprendizado, não despertaram ainda, e agem assim por carregarem n’alma as informações espíritas e não a vivencia delas. Mesmo assim, nós que compreendemos mais, devemos tolerá-los, inspirá-los, conduzindo-os para o cominho do bem, porque é da lei divina fazermos ao outro o que gostaríamos que nos fizessem.
                                                                 Para isso, temos a sublime oportunidade da mediunidade, que nos possibilita irradiarmos centenas de mensagens singelas, aquelas que, mesmo sem terem condições de serem divulgadas como literatura espírita, calam fundo no coração dos participantes das reuniões de intercambio espiritual. Muitas vezes, através de mensagens simples é que os espíritos sublimes falam, porque preferem a simplicidade de coração, os pobres de espírito, os mansos, e pacíficos para servir-lhes de interpretes. Por isso não devemos desanimar na tarefa de proteção e inspiração espiritual que nos cabe. Em contrapartida, possuímos muitos irmãos que, vivendo o espiritismo, nos possibilitarão atuação mais direta acalmando, e tranqüilizando as mentes encarnadas, quando, os adversários do Evangelho espalharem, pelas mentes despreparadas, o vírus da fofoca, da intolerância e das disputas. Estamos acostumados a semelhantes investidas das sombras e sempre tem prevalecido a bondade divina.
                                                           Claro que a instituição corre o risco de ser destruída, principalmente se os freqüentadores e trabalhadores se deixarem contaminar pelas influencias nocivas dos espíritos perturbadores. Contudo, temos em vários departamentos da Casa companheiros que partiram daqui, de nossa esfera, com a missão de efetuar um trabalho espírita serio baseado na vivencia cristã. Se os malfeitores espirituais exploram as fraquezas humanas, nós podemos estimular as virtudes da alma, afastando, com a vivencia dos ensinos de JESUS, as trevas da maldade. Será mais um período de redobrado cuidado, de incessante trabalho; permitiremos a entrada de certas entidades, para que nossos irmãos em humanidade tenham a condição de darem testemunho das suas conquistas espirituais.
                                                                Não podemos exigir das criaturas aquilo que não conquistaram. Cada um dá o que possui! Infelizmente, muitos não sabem valorizar a honra dos testemunhos em favor do Evangelho. Outros esquecem que a Casa Espírita é um templo sagrado, onde se exaltam os valores do Cristo através da fraternidade, alem do mais, continuou o mentor mudando o rumo da exposição, centenas de espíritos enganadores alcançarão libertação; poderemos tocá-los com a mensagem espírita convidando-os à transformação moral. Na grande família universal, da qual DEUS é o responsável, ninguém se perderá para sempre! O Pai é realmente sábio, permite certas infiltrações que, de inicio, parecem terríveis, exatamente para fazer a humanidade progredir mais depressa.
                                                                    Mensagens preventivas solicitando mais trabalho, vigilância, e tolerância, mais oração nas tarefas de benemerência, estão sendo redigidas e posteriormente serão veiculadas através da mediunidade, com o objetivo de esclarecer previamente e de modo geral, sobre as infiltrações espirituais. Já foram expedidas convocações para todos os mentores espirituais de todos os encarnados, que executam qualquer tarefa neste templo cristão, e em todos os outros, espalhados por toda a terra, solicitando a todos o comparecimento destes em reuniões publicas, e de estudos, onde já foram instruídos para vigiarem os seus tutelados mais intensamente, ajudando-os a vencerem os ataques das trevas.
                                                                    Agora, disse o tarefeiro finalizando a exposição, me compete alertar pessoalmente os dirigentes encarnados deste posto de serviço. Quanto a nós, seguiremos com tranqüilidades, porém, alerta, guardando confiança em DEUS, em nós mesmos e, principalmente nos amigos envolto na matéria densa. Terminada a conferencia, os trabalhadores do mundo espiritual retiravam-se em silencio absoluto, dedicando-se aos labores de rotina quando Castro, o presidente encarnado do Centro, acompanhado de Israel, o diretor das atividades doutrinarias, apresentaram-se desdobrados do corpo, demonstrando no olhar expressão de grande preocupação.
                                                              INICIANDO O ATAQUE: Os dias correram, e os trabalhos no Centro Espírita, prosseguia em relativa tranqüilidade. Nas zonas espirituais inferiores, porém, os adversários da verdade já estavam prontos para o ataque. Julio César, qual doente mental, gritava palavras de ordem, seguidas de orientações: Camaradas! Nossa hora chegou! Já fui informado de que os emissários da “Luz” igualmente se organizaram, falando aos responsáveis encarnados da maldita instituição sobre os nossos planos. Já esperávamos por isso, espíritos fracos nos denunciaram, mais isso não vai nos impedir! O odioso Templo permanece impregnado de fluidos amorosos. Nós, também, somos muitos e dispomos de poderosas vibrações negativas, Nosso momento chegou! Gonçalves!, Gonçalves!, gritou o infeliz, procurando entre  multidão seu capataz. Estou aqui, senhor, respondeu o diabólico servo das trevas. Já fez a verificação dos principais trabalhadores? Sim, aqui está o levantamento, (dez dirigentes desta casa serão visitados por nós). Temos por exemplo o registro da responsável pelo atendimento Fraterno. Veja o nome dela é Márcia Boaventura. Identificamos, após meses de observação, que é uma mulher dedicada ao trabalho espírita.
                                                                  Nos últimos cinco anos, dizem os relatórios, nuca faltou nos dias de trabalhos a ela designados, trata a todos com estrema delicadeza e carinho, evita comentários difamantes esta sempre distantes de fofocas, trabalhando com espantosa seriedade. Através dela não temos nenhum campo de ação, sem contar com  a sua proteção espiritual, não oferece nenhuma brecha, limitando a 1% a nossa influencia sobre ela. Entretanto, para nossa alegria, ela é casada com um homem possuidor de densas vibrações, o que nos permitiu a aproximação e convivência em sua própria residência; Avesso ao espiritismo, o esposo freqüenta raramente os cultos de uma seita evangélica, carregando na mente a idéia de que a doutrina espírita é coisa do diabo. Isso! Interrompeu o mandante, eis ai o nosso homem! Incentive-o a continuar na igreja, acompanhe-o, ore com ele se preciso for! (risos) À igreja? Perguntou o serviçal. Sabe mesmo o que esta me mandando fazer? Insistiu o capataz completamente atordoado. Explique-se melhor, senhor, quais são os seus objetivos.
                                                                 Preste bem atenção, Gonçalves, disse o astuto Julio César, vamos atormentá-la, envolveremos de tal forma o infeliz do marido que ele fará da vida dela um inferno e, a pretexto de manter a harmonia do lar, ela terá de abandonar as tarefas e ai, adeus à afabilidade, e à doçura. Mas ainda há uma outra coisa a se considerar. O marido dela é dado à bebida, se o incentivarmos a ir à igreja, as orientações ainda que fanáticas, ameaçando os adeptos com o fogo do inferno, poderá levá-lo a largar o álcool, impossibilitando de utilizar mais este trunfo, disse o capataz das sombras ao seu mestre. Ora respondeu o obsessor chefe, mas que trunfo melhor poderíamos ter, senão o medo do inferno. Nós somos os próprios demônios, deixe que o infeliz pare de beber; para nós o que importa é infernizá-la, irritá-la, naquilo que possui de mais sagrado. Ela não agüentará os argumentos de um marido fanático e, além do mais poderemos fazer com que toda a economia doméstica seja, mensalmente, conduzida à igreja, contribuindo com as obras do “senhor”, perturbando-lhe ainda mais a vida financeira e a convivência familiar. Assim ela será obrigada a procurar um emprego, a fim de suprimir as necessidades básicas, afastando-se definitivamente das tarefas no Centro Espírita.
                                                             Não se esqueça de verificar se na instituição alguém cujas vibrações denotem desejo ardente em assumir um cargo, veja entre os próprios companheiros de nossa vitima, se há alguma brecha nesse campo, quem sabe um desejo escondido, uma pontinha de inveja etc…Incentive-os a cobiçar esta colocação, aproveite um daqueles dias em que os trabalhadores, demonstre natural irritação, ocasionada pelas atividades frenéticas da vida moderna, fazendo com que alguns comecem a se aborrecer com as orientações dos orientadores da Casa. Faça brotar entre eles, a idéia de que a responsável pelas entrevistas, gosta de mandar, de aparecer, dominar. Assim, quando nossa querida irmã abandonar o trabalho espírita, compelida pelo marido, outros estarão a disposição, ávidos pela disputa do cargo de entrevistador, e os que forem reprovados certamente se afastarão melindrados. Os que ficarem certamente não terão a eficiência de nossa vitima, será o fim do atendimento fraterno bem organizado naquela Casa Espírita.
                                                                   Organizaremos o restante dos perseguidores para visitarem os outros dirigentes. Nossas atenções à partir de agora estará voltada para os grupos de fluidoterapia, médiuns passistas (passes magnéticos). Deveremos fazer surgir entre eles a concorrência e a disputa! Mas, senhor, perguntou o secretario da maldade, como é que conseguiremos penetrar no Centro Espírita? Não dispomos de autorização. Como iremos romper as barreiras protetoras do Centro? Como faremos para despistar os mensageiros da “Luz”. Ora! Como vamos entrar? Aproveitaremos os desequilíbrios humanos, as brechas, como o orgulho, a mesquinhez. O desejo de mando, a vaidade, etc… Enquanto você marca passo, eu já recebi valoroso relatório dos nossos comandados que permanecem junto de muitos tarefeiros encarnados. Eles têm livre acesso na Instituição, por serem acompanhantes usuais dos tarefeiros do Centro Espírita que não vivem a mensagem cristã, e que fazem parte do grupo de fofocas, dos que são sempre contra, daqueles que desejam reformar tudo e nunca estão satisfeitos com nada! Identificamos, em três grupos, passistas que nutrem desejo ardente em desenvolver a faculdade de cura. Acreditam ser especiais, embora suas tendências para o fanatismo permaneçam controladas pela organização e o estudo doutrinário esclarecedor, contendo certas idéias. Não possuem, nem de longe, a raríssima faculdade de curar instantaneamente as enfermidades. Mas e ai? Perguntou Gonçalves. Ai, meu amigo, nós vamos dar a eles a faculdade de cura! Como assim? Simples! Aproveitando as brechas de inúmeros tarefeiros, penetraremos na instituição. O resto, se eu conheço bem a criatura humana, acontecerá naturalmente. Não entendi, disse Gonçalves. O senhor pode explicar melhor?
                                                                   Fácil, meu querido, muitas pessoas não entendem o processo da mediunidade, não compreendem que os passistas são simples instrumentos, embora haja sempre uma parcela do magnetismo humano, e por desejarem agradecer os recursos recebidos, logo, logo o endeusamento baterá às portas das salas de fluidoterapia, fazendo com que os passistas disputem entre si, quem dispõe de maiores recursos magnéticos._ Ah!…Mestre! O senhor é um gênio! É provável que não veremos as entidades superiores laborando naquela Casa, provavelmente sentiremos um certo desconforto psíquico, pelo contraste de nossas vibrações. Se uma fraqueza qualquer o envolver, chame por mim. Você, ainda que com suas dificuldades no campo do intelecto, é por demais valioso para mim, alem de guardar as informações confidenciais deste nosso processo, e não desejo que o inimigo saiba de nossos planos mais íntimos. Dessa maneira, vigia as suas emoções. Mas as entidades superiores sabiam de tudo e os companheiros discretamente sem que, no Centro, os inimigos da verdade pudessem percebê-las, permitindo, assim, a entrada “livre”, porem, monitorada de Julio César e Gonçalves que, para os trabalhadores da Casa Espírita, se converteriam em elementos de provas no campo dos ensinos de Jesus. O perseguidor, porém continuava implacável. Após ter lançado a discórdia na equipe da fluidoterapia, continuava a se preparar para o envolvimento dos grupos mediúnicos propriamente dito. Agora, os médiuns ostensivos é que é que seriam experimentados.
                                                                    INTERVENÇÃO SUPERIOR: Os invasores das trevas julgavam-se livres dos protetores espirituais. Sentiam-se fortalecidos no desejo de dominar o Centro Espírita, por permanecerem imantados aos trabalhadores que ofereciam brechas neste ou naquele campo. A equipe espiritual superior almejava, com isso, oferecer aprendizado aos encarnados, ao mesmo tempo em que agilizavam a tarefa socorrista, valendo-se do ambiente fluídico equilibrado, do amor verdadeiro e da imantação mediúnica que permitia ao adversário permanecer parado, por alguns instantes, e em estado de lucidez para ouvir as palavras do inspiradas do dialogador. Após saudação fraterna, fez este pedido: Caros amigos, temos aqui um caso delicado que precisa de ajuda urgente. Este, a quem devo assistir e amparar cuidadosamente, trata-se do assistente de Julio César, aquele que implantou um processo de destruição neste Templo.
                                                                    Conseguimos envolver este irmão em doces vibrações e precisamos atendê-lo neste momento, aproveitando o estado de adormecimento em que se encontra, graças aos nossos recursos magnéticos, para efetuarmos a ligação mediúnica. Sei das chances mínimas de uma libertação imediata; compreendo o estado doentio de sua mente, entendo o seu coração perdido na ignorância e mergulhado no ódio; não ignoro ainda, os pensamentos contaminados pela vaidade; contudo é preciso ajudá-lo nos primeiros passos para a sua reabilitação.
                                                                   A reunião começou rigorosamente no horário previsto. O dirigente encarnado iniciou a sessão com breve leitura de um texto do evangelho seguido de prece sincera, ligando-nos em agradáveis vibrações. Terminada a oração. O instrutor do nosso plano conduziu Gonçalves cuidadosamente ao médium socorrista que, sentindo as emanações do adversário, mantinha-se firma, cultivando bom animo para o serviço caridoso. Três experientes tarefeiros foram convocados para fortalecer o médium, ajudando-o a conter os possíveis excessos do socorrido. Foram suspensas as vibrações controladoras e, o discípulo da perversidade, retomava vagarosamente a consciência, transmitindo ao médium, indescritível sensação de mal-estar.
                                                                   Vendo-se em ambiente estranho e em pânico iniciou a comunicação com esses gritos: Não falarei nada! Nem com um milhão de torturas! Meu Mestre vai saber! Ah! Se vai! Libertem-me! Libertem-me! Gritava o infeliz, dando trabalho ao médium, obrigando-o a dosar a voz, a fim de desempenhar o melhor  possível a abnegada tarefa de socorro espiritual, vocês não sabem com quem estão mexendo, sou o secretário das sombras, meu senhor, quando souber, acabará com todos vocês! Ele é um grande representante de importante cidade espiritual das regiões inferiores, e eu sou servo predileto. Eu tenho “costas quentes”, não mexam comigo. Ordeno, libertem-me! Agora! Agora! Soltem as corrente que me aprisionam. Por quais mistérios me prendem a outra pessoa? É a mediunidade, não é? Claro, fui muito bem avisado! Maldito seja a mediunidade! Malditos sejam vocês! Malditos. O espírito perdia completamente o controle. Não fosse a mediunidade disciplinada, o atendimento seria praticamente impossível. E porque o adversário fez pequena pausa, promovida pelo cansaço do momento, as entidades amigas verificando a necessidade de rigorosa intervenção envolveram o dialogador levando-o a falar de maneira inspirada nestes termos: Paz e amor, é o que desejamos àqueles que Deus no envia!
                                                             Meu irmão, você não esta amarrado, muito menos preso, permanecemos todos laborando em nome de Jesus nosso Mestre. Não pronuncie este nome perto de mim, meu mestre é outro. O Cristo quer nos enganar, nos enganar… Calma meu amigo, disse o dialogador, imprimindo nas palavras afabilidade e doçura. O nome de Jesus representa a sublime bondade, o amor verdadeiro, aquele amor que você ha muito tempo deixou de sentir, a amizade verdadeira que não solicita retribuições, o abraço afetuoso de alguém que nos ama. Lembra-se? entregando-se à pratica do mal, o amigo esqueceu que é filho de Deus e possui uma tarefa importantíssima para realizar, sua reforma moral.Tarefa? Tenho mesmo uma grande missão a realizar: é a destruição desta Casa! Vocês pensam saber de tudo, acreditam estarem protegidos, santos, não é ?  Nós vamos destruir casas como esta! Eu já vi inúmeros Centros Espíritas devorados pelos próprios espíritas. Esta Casa será a próxima! Que venham as falanges inferiores, venham espíritos das trevas, o momento é nosso, essa guerra já está ganha!
                                                             Mestre, bradava o adversário, salva-me! Senhor das sombras, socorre-me agora! E enquanto o adversário da paz gritava, a equipe espiritual se fez visível, irradiando intensamente em beneficio do sofredor. A entidade responsável aproximou-se do dialogador inspirando-lhe esta rogativa: Senhor Jesus! Eis que lhe pedimos com amor sincero. Estas simples palavras, envoltas no mais sublime sentimento, impressionaram o perseguidor calando-o momentaneamente, permitindo ação direta da equipe socorrista. Entidades amigas se aproximaram, aproveitando os extraordinários benefícios da oração, projetando em telas fluídicas imagens referentes à última encarnação do obsessor em atendimento. O invasor se reconhecia em valorosa empresa, desempenhado função importante. Via-se explorando os funcionários menos reconhecidos financeiramente. Abusando de moças ingênuas, autorizava aborto livrando-se da paternidade indesejável. Promovia voluntariamente demissões desnecessárias. Usava o poder para dominar, perdendo-se nas noites dos vícios. Por conta disso, angariou para junto de si entidades malévolas, que o incentivavam ao desvario. E de retorno à vida espiritual a lei de causa e efeito o arrastou para sinistra cidade. Os obsessores que o receberam exploraram-no a ponto de apagar-lhe da memória certas lembranças, convertendo-o em torpe servidor da maldade.
                                                             Terminada a prece, o assistido parecia estar em êxtase. O coração fora invadido por vibrações amorosas; pela primeira vez, em muitos anos, sentia-se respeitado, valorizado, querido, amado. Gonçalves, meu filho, disse o benfeitor, não estamos em condições de juizes implacáveis, não queremos que nos tenhas na conta de adversários. Desejamos estar unidos no amor de Deus, nosso Pai. O que? Perguntou o obsessor, interrompendo a fala da entidade amiga Livre? Onde estão os instrumentos de tortura ? A lavagem cerebral? Os carrascos encapuzados portadores de chibatas aos quais o meu mestre se feria? Não dispomos de nenhum destes instrumentos respondeu a amigo espiritual. O amor a compreensão e o perdão são os nossos instrumentos de trabalho na seara do bem. Agora é contigo, a decisão é sua, consulta a própria consciência. O obsessor saiu emocionado, contudo, orgulho e vaidade impediam-no de transformar-se intimamente naquela hora. Os instrutores responsáveis pela instituição,estavam satisfeitos, pois sabiam que a semente da verdade fora plantada eno momento oportuno, haveria de germinar.
                                                            VERIFICANDO OS RESULTADOS : Perambulando pelos corredores da Casa Espírita, qual menino perdido, procurava o seu mestre para lhe contar o ocorrido. Encontrou o adversário-mor em intensa tarefa de organização, diante da turba de obsessores que estagiavam com o mestre do mal na Casa Espírita, mas sempre sob os olhos atentos dos mensageiros do bem. Terminada a reunião da maldade o discípulo contou-lhe, em linhas gerais, os acontecimentos tirando Julio César do serio: Infeliz! Quantas vezes eu lhe avisei? Todo cuidado é pouco. Você é um fraco mesmo! Se Daniel, o responsável pela seita de Mamom, não estivesse incumbido de valorosa tarefa que acabei de lhe dar, você seria substituído neste momento. Abra os olhos eles estão em toda parte! Não podemos vê-los, eles os representantes da Luz, contudo podem nos monitorar enquanto permanecemos aqui. Por isso, a vigilância será redobrada. Preste atenção: você está proibido de se afastar sem a minha autorização. Nosso processo esta chegando ao fim. Logo, logo sairemos daqui; lá fora você é muito mais útil para a nossa organização. Esqueceu que lhe confiamos um exercito? Lembra-se dos casos graves de obsessão que coordena ? Vai jogar tudo isso fora, por causa de umas palavrinhas tolas e sentimentais? E sem falar na promoção que estou me empenhando para lhe conceder.
                                                             Promoção, chefe? Perguntou o secretario, demonstrando no semblante animo e expectativa, caindo na tola encenação do sumo perseguidor. Sim meu caro! Promoção! Por isso veja se anda na linha , mais um desliza e eu serei obrigado a cancelar todo o processo encaminhado aos nossos coordenadores, pleiteando sua ascensão em nossa equipe! Desta forma, tome muito cuidado para não desafiar a ira dos nossos superiores. E adentrando uma das salas de trabalhos mediúnicos, ligaram-se a dois participantes bastante receptivos aos pensamentos inferiores. Sondando-lhes o mundo intimo, notaram que um dialogador e uma das médiuns trocavam pensamentos sensuais.Senhor disse Daniel, o discípulo de Mamom, traga a ficha. Soraia Barreto e Sergio Queiroz, candidatos ao adultério, o que me diz? Excelente, será um escândalo formidável. Para seu primeiro trabalho num grupo profissional esta ótimo. Vamos ver, agora quem pode mais! As fofocas sobre o caso da médium e do dialogador adúlteros explodirão por esses corredores feito pólvora. Vamos! Vamos,! Precisamos nos organizar, ainda temos muito o que fazer para executar este novo plano. Soráia e Sergio eram trabalhadores de um grupo mediúnico. Ela não muito educada, comparecia raramente à reuniões de estudos doutrinários de orientação geral.Julgava-se algumas vezes, privada da alegria do mundo por causa do compromisso mediúnico. Casada, com um homem digno e respeitável, não se sentia feliz diante do compromisso do matrimonio. Sergio, o dialogador, igualmente consorciado, com dedicada esposa, digna de admiração e amparo espiritual.
                                                             Entretanto, ignorando as orientações espíritas, colocavam-se à disposição de entidades desequilibradas, gozando a vida de maneira irresponsável. Ambos, os tarefeiros do socorro espiritual, abriram grandes brechas aos inimigos da verdade. Não se dedicavam à vivencia mínima dos ensinos adquiridos, permanecendo interessados apenas nas atividades fenomênicas. E, porque mantinham afinidades nas intenções, ligaram-se magneticamente por ondas mentais. Nas reuniões de intercambio pouco contribuíam, tornavam-se elementos isolados pelos mentores, pois que os pensamentos não atingiam regiões superiores para ajudar na tarefa socorrista. Todos estes dados eram de domínio dos invasores das sombras. Os instrutores do Mais Alto, igualmente sabiam deste envolvimento entre os cooperadores citados. Contudo, não podiam privá-los do convívio entre companheiros encarnados junto a Casa Espírita. O inimigo da harmonia reuniu os servidos a sua disposição, iniciando mais uma trama diabólica. Camaradas, eis que estamos avançando de maneira satisfatória. Agora haveremos de usar mais uma vez uma arma bastante delicada, a “fascinação”. A fascinação, prosseguiu o perverso arquiteto do mal, será no campo da sensualidade, dos instintos humanos. Simplesmente teremos que estimular um pouco mais as suas tendências inferiores. Precisamos fazer com que estes tarefeiros invigilantes e imprudentes se desequilibrarem, comprometendo o bom andamento da reunião, abrindo-nos um campo para tingirmos o grupo todo.
Prestem atenção: os espíritos bondosos não poderão nos impedir, pois que estaremos ligados nos pensamentos e emoções de Soraia e Sergio. Por isso, coragem. Pessoas fracas não convivem comigo.Gonçalves começava a observar o chefe com outros olhos, sentia-se um tanto indiferente e pela primeira vez analisava as colocações de seu superior, distinguindo-as do atendimento respeitoso que recebera dos amigos espirituais. Era o inicio de uma importante reflexão. Elvira! Elvira! Gritou o mandante. I Onde esta você? E, da turba, de entidades femininas, usando esfarrapadas fantasias, imitando as dançarinas espanholas, rasgou a pequena multidão estalando desajeitada castanhola, enquanto dançavam sensualmente, arrancando dos comparsas assobios, palmas e admiração. Entregaremos este casa a você Elvira, sei que questões de envolvimentos no âmbito das emoções e sensualidade é a sua especialidade. Quero que destrua o casamento dos dois, deixando-os fascinados um pelo outro a ponto de perderem a compostura e a razão embrenhando-se no campo do sexo desequilibrado, afim de perturbarem ainda mais os trabalhos espirituais, e se tornarem um grande escândalo na Instituição. Não admito falhas, ouviu bem? Então mãos a obra! Agora deixemos o caso Soraia e Sergio nas mãos de Elvira, nossa musa da sensualidade. Quantos aos responsáveis pela instituição, haveremos de visitá-los pessoalmente em breve. Primeiro, vamos atormentá-los e preocupá-los, desestruturando as tarefas, depois, quando estiverem irritados com o mau desempenho dos departamentos, os escândalos, as fofocas, os pegaremos em cheio.
 
                                                               CEDENDO A TENTAÇÃO : Vocês terão oito semanas de atuação junto ao marido de Soraia. Torture-no, instruam-no durante o sono, para impedir a qualquer custo o comparecimento da esposa na Casa Espírita. Vão e não falhem. A preposta de Julio César não perdeu tempo. Acompanhando Soraia, iniciou o processo de fascinação fazendo com que, durante toda semana, a imagem de Sergio lhe invadisse a mente, inspirando-lhe as mais terríveis fantasias. Sob a interferência de Elvira, sentia-se completamente apaixonada, não conseguia pensar em outra coisa. Na semana seguinte durante a reunião, não apresentou condições de trabalho espiritual e, sob forte atuação da entidade inferior, trocava olhares com o dialogador que, estimulado pela adversária correspondia aos anseios da intérprete perturbada. Os membros da reunião começaram a notar, pois as trocas de olhares eram significativas, e, após esta triste “comunicação”, ao termino da reunião as mentes desejosas em cuidar da vida alheia captaram o desejo oculto da médium e do dialogador, espalhando ao final, por todo o Centro, os novos acontecimentos, espalhando o vírus da fofoca pelos corredores. E os comentários eram realizados indiscriminadamente. Elvira divertia-se e a Casa Espírita, aos poucos era tomada pela maledicência.Os amigos espirituais, prevendo o pior, promoveram conversa edificante no plano espiritual, aproveitando o desdobramento,, por ocasião do sono de Soraia e Sergio. Diante de respeitável entidade, os dois sentiam-se envergonhados. O espírito amigo compreendendo-os intensamente iniciou a orientação. Pela manhã Sergio acordou lembrando-se parcialmente da advertência. Os adversários, contudo, não lhe davam tréguas, explorando suas tendências, fascinando-o dia a dia, colocando-o em grande período de provação.
                                                                  Durante dias, uma onde de fofocas e reclamações invadiram a Casa Espírita, vários departamentos apresentavam probleminhas, a intolerância estagiava entre os dirigentes. Os amigos espirituais entenderam que era o momento certo de agir, prepararam-se para intervir o quanto antes.
                                                           ENTRE MENSAGENS E CRITICAS : No mundo dos espíritos, porém, o trabalho de auxilio aos companheiros que estavam no campo das provações era bastante intenso As entidades amigas iniciaram o processo de divulgação de mensagens edificantes através da mediunidade. Tarefeiros espirituais dedicados envolveram de maneira doce e terna vários médiuns, efetuando o sublime intercambio entre as duas realidades da vida. Centenas de mensagens foram irradiadas, ressaltando a necessidade de mais trabalho, descrição, zelo pela doutrina espírita e tolerância. A medida que as mensagens foram sendo recebidas, avaliadas com rigor e divulgadas, o ambiente da Casa Espírita, começava a mudar vagarosamente. Certa noite, quando as horas avançavam pela madrugada, os espíritos do Senhor convocaram importante assembléia, recrutando os cooperadores encarnados de cada departamento da Casa incluindo as obras assistenciais, com o objetivo de apóia-los. Não desconhecemos as dificuldades, não ignoramos os problemas. Confiamos, contudo, na proteção espiritual que brota do mais alto como chuva luminosa, inspirando e amparando todos os que trabalham com sinceridade na seara do Senhor. O instrutor espiritual, fez pequena pausa, como se estivesse organizando as idéias, no que foi questionado por um dos cooperadores encarnados. Afinal, por que nossa Casa esta sendo perseguida? Por que estamos sendo atacados desta forma? Querem, os inimigos do amor, destruir alguém em particular? Não, esclareceu o espírito amigo, os adversários são inimigos gratuitos da Causa e não da Casa e desejam destruir a obra de Jesus no planeta. Entretanto, os trabalhadores imprudentes cooperam para aumentar o problema, à medida que oferecem brechas no caminho. Isso tudo é, de certa forma compreensível, uma vez que são companheiros em aprendizado rumo a própria perfeição.
                                                                 Uma plêiade de entidades celestiais garantirá nossa proteção, desde que pratiquemos as verdades reveladas por Jesus. Sendo a Casa Espírita um templo de trabalho e amor, é importante defendê-la da penetração das trevas no campo do nosso ideal. O presidente da instituição aproximou-se do dirigente espiritual com os olhos marejados, dirigindo, segundos depois com este pedido de ajuda: Caro amigo, temos recebido o teu concurso há anos e, de fato, nos sentimos felizes e honrados pela oportunidade de serviço. Entretanto, minha alma esta sofrendo! Não sei se vou agüentar mais esta vez! Meu coração esta cansado. Tenho suportado intolerância e desequilíbrio! Por mais que fale, solicitando viver os ensinamentos do Cristo Jesus, as criaturas permanecem renitentes, desejosas em ser exemplo da irritação e da incompreensão. Já tenho feito tanto por essa Casa!  Mas, a gora, amigo, confesso estar esgotado. Não agüento mais tantas reclamações, nossa organização tem se demonstrado ineficiente para executar as tarefas mais simples. Os tarefeiros apontam dificuldades para os trabalhos de rotina! Durante anos militei firme. Mas hoje, o labor tem exigido muito de mim e, diante de tantos problemas, tenho pensado em desistir. Quem sabe esteja velho, mesmo! Talvez seja a hora de aposentar? Oferecer a vez para outro, livrando-me das perturbações? Ouça, amigo querido, clamou o presidente, diga-me, se puder, qual deverá ser a minha atitude? A tua postura Castro devera ser a de um homem de bem. Quem se dispõe a seguir Jesus deve estar consciente dos caminhos pedregosos, da cruz que carrega e, ao final da vida terrena, estar preparado para o sublime sacrifício do “Gólgota”. O Cristo também ficou livre da “hora das trevas” a que se refere o Evangelho, ensinando-nos ser preciso suportá-la, para que a obra não se perca. Os adversários são igualmente filhos de Deus, nossos irmãos em humanidade, permanecendo, simplesmente, enganados quanto o caminho das verdades eternas! São almas sofredoras, guardam angustia e dramas terríveis, querem se libertar dos erros, mas não encontram coragem. Trazem a consciência profundamente comprometida ante as leis universais e terão de enfrentar a inexorável lei da reparação. E se queres saber, tu mesmo já fizestes partes da “hostes infernais”! Quem de nós, peregrinando pelos caminhos da ignorância, não contribuímos para entrevar o progresso. Agora que já caminhamos um pouco mais, é mister compreendermos aqueles que ainda estão na escuridão, fazendo a nossa parte para retribuirmos à lei divina a mesma misericórdia de que um dia desfrutamos. Para alcançarmos o Éden da felicidade plena, é preciso sabermos nos compreender e tolerar, ajudando-nos mutuamente. O obsessor de hoje será o trabalhador de amanhã e, num futuro que depende de cada um de nós.
                                                                  Se desistires da jornada, outro te substituirá, pois os desígnios de Deus não repousam na cabeça de um único homem. Recorda-te dos dias difíceis pelos quais passaram os fundadores deste hospital escola que é esta Casa Espírita, das horas oferecidas em favor da obra, das renuncias ao lazer, das perseguições espirituais pelas quais passaram, dos inúmeros testemunhos, do trabalho na vanguarda mostrando aos irmãos menores o caminho da salvação. Eles igualmente tiveram a alma ferida, foram vitimas da maledicência e tu sabes qual a posição espiritual ocupada por eles, hoje! Alem do mais, continuou o porta-voz da benemerência, nós te alertamos a respeito de não ser esta uma invasão comum, igualmente te prevenimos sobre o sofrimento pelos quais haverias de passar. Portanto, meu irmão, ouve a voz que vem do alto, solicitando a nós todos os sacrifícios íntimos em beneficio do semelhante, e terás a consciência tranqüila por um trabalho bem cumprido. Terminada a orientação, o mentor abraçou carinhosamente a todos os representantes diretos do Centro Espírita, fazendo em seguida uma prece fervorosa levando-os as lagrimas. Quando acordaram no corpo, sentiam-se, de fato, renovados. Embora não guardassem na memória física as informações detalhadas, traziam o coração repleto de coragem e desejo de continuar servindo ao próximo.
                                                                     FASCINAÇÃO: Julio César recebeu a visita de um dos seus asseclas que foi logo lhe dizendo: Chefe o senhor não sabe o que esta acontecendo em minha sala! O que? Respondeu o maldoso chefe! Uma senhora de nome Maria Souza, médium da Casa, acha que era médium de cura! Não diga! Já tem até fila para tomar passe com ela! Não acredito! E ainda mais, o mentor dela se comunica dizendo que é medico e quer fazer cirurgia espiritual! Para mim é pura fraude. No entanto, Maria Souza, a médium “curadora”, já organizara considerável movimento. Conclamara alguns companheiros para conversas intimas, com objetivo de convencê-los sobre os seus propósitos. Os adversários, contudo, lhe apareciam em sonhos com propostas extravagantes, prometiam destaque, publicidade, aparecimentos na mídia, garantiam-lhe verdadeiros prodígios com suas “faculdades de curas mediúnicas”. Tendo recebido estas orientações falsas, do plano espiritual inferior, mas tomadas como verídicas pela própria médium, passava, agora, a planejar a concretização das “orientações” recebidas. Em pequena reunião, executada na residência de um dos companheiros igualmente fanatizados, traçaram diretrizes, ouviram os “Mentores”, atreves da psicofonia, e resolveram conversar com os responsáveis pelo Centro Espírita, a fim de convencê-los a autorizar as atividades cirúrgico mediúnicas de Maria de Souza. No dia marcado, compareceram a reunião os responsáveis pelo centro Espírita, a médium “curadora” e um pequeno grupo representando cerca de trinta pessoas partidárias das idéias da “curadora” fanática. Minutos antes do inicio da conversação, Elvira a substituta eventual de Julio César, apresentou-se envolvendo de maneira intensa a mente da médium. Quando Elvira viu os espíritos superiores, fitando-a gravemente, e verificando uma pequena parcela de suas capacidades espirituais, representadas pela intensa luz que partia deles, pensou em desistir, mas recordou-se das ameaças de Julio César. Instantaneamente, anulou os propósitos de abortar a missão, fixando-se junto à médium, dando prosseguimento ao plano destruir. Os responsáveis pelo Centro deram, então, respeitosamente, oportunidade da palavra a Maria Souza que iniciou a conversa com estas colocações:
                                                              Estou aqui para fazer algumas solicitações. Vocês não desconhecem a minha produção mediúnica e as orientações dos meus mentores sobre a utilização de minhas faculdades. Segundo afirmam os meus guias, eu tenho uma grande missão para executar nesse Centro Espírita e solicito que vocês permitam trabalhar nesta casa com a cirurgia espiritual. Já estamos nos organizando e verificamos que ficaríamos bem instalados na sala Allan Kardec. É um espaço adequado, mesmo porque, segundo informações de meus superiores, logo, logo estarei recebendo mensagens e receitar do próprio codificador. Já temos companheiros à disposição, inclusive financeiramente, para fazer anúncios em jornais conceituados a respeito dos grandiosos trabalhos que vão se iniciar neste Centro. Nossa instituição deverá crescer consideravelmente sob as orientações destes novos mentores. Pensem no publico, na quantidade de pessoas beneficiadas, nas grandes campanhas promovidas por nós. Em pouco tempo, afirmam os meus tutores espirituais, estaremos na televisão, e ai já podemos ver: pesquisadores americanos, alemães, russos, etc. desejando estudar a minha mediunidade, reconhecimento publico, títulos de cidadã desta e daquela cidade. É claro que tudo isso eu, pessoalmente, reverterei para a Doutrina Espírita, edificaremos hospitais, creches, e orfanatos. Castro interrompeu respeitosamente a fala da médium alucinada, acrescentando com lucidez: Minha irmã, entendemos os seus propósitos, acreditamos esteja de fato desejosa de contribuir com a obra do bem, mas desejamos lhe oferecer um tempo maior de experimentação da mediunidade, a fim de que possa se estruturar no campo doutrinário, conhecer melhor a sua faculdade, analisarmos os fenômenos com rigor. De forma que, antes de pensarmos no grande publico, que tal se, reservadamente, durante um certo período, com alguns enfermos, sob segura orientação doutrinaria, pudéssemos catalogar as enfermidades, verificar se a ação fluídica realmente produz efeito, dialogar serenamente com seus guias, verificando suas orientações. Assim, continuou o presidente, você terá oportunidade de ao longo do tempo, se estruturar num trabalho discreto e despretensioso.
                                                              Nesta hora Elvira envolveu a médium, fazendo-a retrucar desta maneira: Mas o que é isso? Você está com medo de que eu seja considerada mais importante que a sua pessoa. Não sabe que trago grandes compromissos a realizar, que esta Casa poderá ser projetada como nunca imaginamos antes?  Ismael, num desejo verdadeiro de orientar, não se conteve e interrompeu a expositora vaidosa com estas lúcidas orientações: A fama, minha irmã, tem afastado muitas almas do caminho reto! Você desconhece os inconvenientes que a notoriedade traz. Guarda a idéia de que a mediunidade é sinônimo de privilégios espirituais. A mediunidade, bem equilibrada exige estudo e atuação despretensiosa. O médium em verdade, quando dispões de tarefas maiores, igualmente deve testemunhar na mesma proporção às informações que recebe, aplicando-as primeiramente a si. Desta maneira antes de lançar a idéia frenética pela fama, utilizando-se de recurso sagrado, como é a mediunidade, trabalhe interiormente, a fim de que seus sentimentos sublimados a façam merecedora de uma assistência espiritual superior, compreendendo que, no campo mediúnico, discrição e humildade são qualidades essencial para o êxito da tarefa. Não desejamos que o nosso Centro esteja lotado de pessoas procurando simplesmente fenômenos. Temos a simples pretensão de fazer vibras entre as paredes desta Instituição os ensinos de Jesus Cristo e Kardec. Maria Sousa, admirada perguntou: Devo entender estas palavras como uma negação aos meus pedidos? Deve considerá-la, disse Ismael afetuosamente, como incentivo para um dedicado período de trabalho em beneficio do próximo, a fim de que suas faculdades possam se aprimorar pelo exercício discreto e anônimo. Nesta hora Elvira envolveu a médium com mais intensidade, enquanto os benfeitores espirituais irradiavam sobre os representantes do Centro lucidez e bom senso. Maria Sousa, quase fora de si continuava argumentando: Se não posso trabalhar à minha maneira, então me retiro desta Casa e levarei comigo muitas pessoas. Minha irmã, não desejamos sua ausência nesta Casa, ponderou o presidente da entidade, esta Casa precisa de todos nós, não nos tenha na conta de inimigos. É nosso dever, como responsáveis por esse centro, zelar pela pureza de nossa doutrina, e o espiritismo possui objetivos bem definidos. O que você está propondo é pratica ilegal da medicina; aceitar os seus propósitos é infringir as leis humanas. Continue conosco, todos desejamos trabalhar e não almejarmos títulos. E se você tiver uma grande tarefa a desempenhar, ela naturalmente aparecerá.
                                                                     Era só o que me faltava, interrompeu a médium, agora os meus protetores são obsessores! Bem original, não acham? Muito bem, minha decisão está tomada: Vou me retirar desta Casa hoje mesmo! Espiritualmente Elvira gargalhava desvairadamente. Os amigos espirituais, entretanto, procuravam emanar jatos de fluidos amorosos junto a Castro e Ismael, ao mesmo tempo que os protegiam dos adversários do bem. Levantando-se Maria Souza saiu da sala com passos firmes sem se despedir dos tarefeiros encarnados, sentindo-se intimamente insultada. Os acompanhantes da médium igualmente se retiraram deixando-os sozinhos. Ismael disse: é uma pena que isso tenha acontecido! Isso me faz pensar que a nossa Casa esteja passando por provações! Vários companheiros de trabalho estão atravessando momentos difíceis, entre eles está Márcia Boaventura, nossa coordenadora do atendimento fraterno. A propósito, continuou o responsável pela área doutrinaria, estava pensando em fazer uma visita para a nossa irmã no desejo de levar nosso apoio. Segundo me informaram, parece que o marido dela a teria proibido de continuar as suas tarefas, dizem que ele se entregou a uma seita fanática.
                                                                    NO AUGE DA CRISE : Na casa dos Boaventura, os prepostos das trevas para aquele caso, dominavam o ambiente espiritual. A porta de entrada era o sr. Boaventura que lhes atendia com facilidade às ondas de pensamentos e sentimentos inferiores. A responsável pelo atendimento fraterno padecia de grandes dificuldades. Sob atuação das trevas, o marido já havia feito grandes doações para a seita lunática, esperando que DEUS, lhe restituísse em dobro todas as suas doações. A tarefeira já sofria com a falta de recursos para saldar as despesas básicas da casa. Márcia demonstrava grande testemunho de paciência e fé, suportando corajosamente os desequilíbrios do esposo fanatizado.Certa noite, quando os ataques dos adversários estavam no auge e o sr Boaventura fazia pregações falsas e absurdas, Márcia recolheu-se para dormir. Após fervorosa prece, sentiu-se envolvida em doces fluidos, desdobrando-se do corpo, já no mundo espiritual, eis que lhe aparece o mentor responsável pelo Centro espírita, onde ela trabalhava dedicadamente, endereçando-lhe em seguida estas palavras: Márcia, minha filha, disse o mentor aproximando-se e acariciando-lhe os cabelos, DEUS não permitiria sofrer, se não julgasse ser útil para o teu próprio adiantamento espiritual. Teu marido está de fato, sob forte obsessão. Estes adversários, na realidade, desejariam te envolver com o objetivo de desestruturar o departamento de atendimento fraterno.
                                                                Não encontrando brecha em ti, envolveram o teu esposo invigilante, almejando atingir-te por tabela. Contudo se o Senhor da vida lhes permite agir assim, é porque a terra, um mundo de expiações e provas, enseja para aqueles que reencarnam aqui experiências, testes de suportação, que farão brotar naqueles em processo de aprendizado, provas ou expiações, certas virtudes no campo da compreensão humana. Encara o teu esposo como um doente mental necessitado de nossa piedade. Infelizmente é assim que ele acabara dentro em breve. Os inimigos do bem encontraram tamanha afinidade junto a ele, que sua mente começa a sofrer verdadeiro processo de desequilíbrio irreversível. Terás que ser forte! Quanto a ti, logo, logo estarás de volta ao Centro Espírita, pois este processo esta chegando ao fim. Viemos trazer nossa promessa de que não esta desamparada. A situação de Boaventura complicou-se demasiadamente, a ponto de ser demitido do emprego por sua postura perturbadora indelicada, além de ter decaído assustadoramente na produção profissional.
                                                                       Mas Boaventura, de posse do valor considerável referente ao acerto de contas com a empresa, decidiu fazer doação dos seus últimos recursos a seita “religiosa”. Márcia quando soube quase desmaiou, contudo não adiantava conversar com o esposo. Era visível o seu desequilíbrio. Já estavam praticamente falidos! Nesse período os agentes das trevas conversavam animadamente: Acho que a nossa missão está cumprida, Márcia está arrasada e não poderá retornar mais as tarefas do Centro, obrigatoriamente precisará encontrar um emprego a fim de suprir as necessidades básicas da casa. Devemos voltar a instituição para darmos as boas noticias ao nosso chefe, recolhendo-lhe as congratulações pelo nosso excelente trabalho. De retorno ao Centro Espírita, os adversários foram recepcionados por Elvira, que os colocou a par dos acontecimentos. Todos eles comemoraram. A Casa de fato passava por graves. A saída de Maria Souza, carregando consigo cerca de 30 pessoas, gerou fartos comentários. Durante esta agitação, Ismael efetuou um seminário a respeito da Casa Espírita, seu funcionamento, trabalho e trabalhadores, tal como havia sido sugerido e incentivado pelos amigos espirituais. Isso gerou uma modificação de animo de muitos, promovendo ao longo dos dias uma relativa calmaria, dificultando um pouco mais o trabalho dos adversários do bem.
                                                                      REAÇÃO DAS TREVAS : Diante destes acontecimentos, Daniel e Gonçalves se preocuparam, sentiram que o trabalho estava ameaçado. Daniel, perguntou a Elvira: O que houve, porque esta paz? Não se preocupe, respondeu a servidora das sombras, isso tudo é momentâneo. Momentâneo?! A Casa está praticamente vazia, muitos dos nossos foram arrebatados pelos os emissários da luz! È verdade, isso sempre acontece, por isso Julio César retornou para a nossa cidade, a fim de congregar um numero maior de camaradas para a batalha final. De nossa parte só nos cabe aguardar. Nós armamos a bomba, nosso mestre é quem vai detoná-la. Enquanto isso, na cidade das trevas, Julio César procurava convocar uma quantidade maior de servidores a fim de continuar o processo de infiltração. Entretanto encontrou a cidade praticamente vazia. Centenas de adversários espirituais haviam abandonado o ideal do mandante das trevas, libertando-se graças ao trabalho dos amigos espirituais. De forma enlouquecida começou a gritar, exigindo que os seus comparsas aparecessem para assumirem as tarefas: Camaradas! Camaradas! O responsável por essa cidade é quem os convoca! Apareçam! Agora! Coragem, estamos quase conseguindo! Precisamos nos fortalecer para vencermos esta batalha! A maldita Casa espírita está quase destruída! Apareçam, agora! Eu ordeno. A voz de Julio César ecoava fria nas construções inferiores, silencio e medo pairavam no ambiente, quando um grupo pequeno de adversários se apresentou, saindo das ruas estreitas e escuras em direção ao mesmo jardim de pedras onde tudo começou. Desta vez não estavam muito animados, Um deles, demonstrando coragem, desafiou o representante das sombras: Veja nossa cidade, está quase vazia! Você carregou daqui muitos dos nossos e a maioria não retornou até hoje! Levou daqui verdadeiros exércitos a fim de executar os seus planos. Está nos usando, é isso! Só consegue pensar na sua vitória, deseja apenas promover-se dentro da organização, usamos como escravos, e até o momento não recebemos nenhuma promoção, nenhum beneficio, nenhum privilégio.
                                                                 Um momento! Gritou o administrador das sombras, aqui quem manda sou eu! Por acaso estamos invertendo os papeis? Eu é que dou as ordens aqui, eu é que coordeno este movimento. Nossos superiores deram-me todo o domínio sobre esta região, não desperte a minha ira, rapaz! Enquanto pronunciava estas palavras, o emissário da maldade se transfigurou, assumindo perispiritualmente a imagem mística de satanás, a fim de “impor respeito” às mentes perturbadas. Exijo, continuou o transfigurado, cumprimento de minhas ordens agora! Apavorada a Turba se reuniu, conclamando os habitantes do sinistro lugar, juntando-se todos em frente do adversário-mor, guardando em seus olhares a expressão de angustia e medo. Diante da pequena multidão, cerca de quatrocentas almas aflitas, o mandante perguntou: Onde estão os outros? Não temos mais ninguém, disse um dos comandados.O que?! Isso é impossível! Não, senhor, esclareceu outro, à medida em que foram sendo convocados, multidões partiram daqui, e foram pouquíssimo os que retornaram. Como já dissemos foram arrebatados pelos espíritos da luz! Impossível, disse Julio César, eu mesmo organizei as equipes invasoras delegando à responsabilidade a Gonçalves! Pode ser senhor, mas agora só restamos nós. E tem mais mestre, prosseguiu o serviçal, visivelmente perturbado, recebemos a noticia de que nossos superiores estariam nos visitando a fim de verificarem como anda nosso trabalho, avaliarem os relatórios de atividades, as listas de registros das novas aquisições de espíritos e a periódica contagem de pessoal. Agora com o numero de servidores reduzidos, não sei quais explicações haveremos de dar?!. Nossos superiores? Perguntou o obsessor chefe espantado. Não creio! Tem certeza? Sim, senhor, devem chegar a qualquer momento!. O coordenador das trevas estava furioso e, antes de tomar qualquer providencia, ouviu certa agitação, característica das caravanas vindas das regiões inferiores, adentrando a cidade das trevas.
                                                                       Os poucos guardas da fronteira reconhecendo a caravana, autorizaram a entrada dos sombrios viajantes. Dez “sábios” desembarcaram na cidade chamando a atenção do grupo reunido na praça. Trajavam túnicas e capuzes místicos, carregando numa das mãos comprido cajado. Então, estranho ritual se fez, trombetas foram tocadas, acompanhadas de vozes fortes, anunciando em uníssono por três vezes. Salve as hostes infernais! Salve os dez juizes! Os dez sábios! Terminada a saudação, a assembléia estava petrificada. Augusto, o árbitro principal, de postura ereta orgulhosa, impactante, tomou a dianteira, puxou o capuz descobrindo levemente a cabeça. Calvície acentuada, barba espessa, nariz pontiagudo, olhos penetrantes, e sobrancelhas franzidas compunham propositadamente uma figura maligna. O ilustre caravaneiro foi recebido por Julio César, que gaguejava nervosamente: Salve…senhor…Juiz!..O…que..o..traz aqui? Como o que me traz aqui, perguntou o magistrado indignado, não recebeu o meu comunicado? Não, senhor, somente agora, minutos antes fiquei sabendo de sua visita! Onde estava? Tratando de interesse de nossa Organização! A destruição da casa espírita? Sim, senhor. Vá buscar as anotações, não temos tempo a perder, instalaremos nosso tribunal de inspeção aqui mesmo. Queremos, de posse de seus relatórios, julgar suas atitudes. Nós depositamos em você toda confiança possível. Todavia não temos visto progresso. Como está o processo de infiltração? Mandante, temeroso, iniciou o relatório: A Casa Espírita, a qual recebi ordens para destruir, esta praticamente acabada. Em breve teremos controle total da instituição e a invasão será completa, no Maximo em três meses! O que?! Noventa dias! Você esta dizendo que ainda precisa deste prazo? Imaginei encontrar outra situação! Já esta cuidando desta ocorrência há quarenta anos! E o Maximo que tem conseguido é perturbar algumas pequenas tarefas! Você não é mais o mesmo! O senhor precisa levar em consideração o meu currículo, tenho em minha historia a destruição de onze Casas destruídas, nestes setenta e cinco anos em que sirvo dedicadamente a Organização. O prazo que lhe demos, para acabar com esta Casa já terminou no mínimo há oito anos atrás. Estamos pensando em substitui-lo, quem sabe por alguém com idéias mais arrojadas. Meritíssimo, disse o lobo transformado em cordeiro, eu lhe peço, tudo isso é questão de dias, todo trabalho está organizado.Já está decidido, vamos lhe substituir! Senhor, exclamou Julio César, ajoelhando-se diante do inquisidor, antes de assinar a sentença, dê-me mais trinta dias? O perverso juiz, gargalhando assustadoramente, respondeu: Quem diria que o famoso Julio César um dia se prostraria diante de mim! Sabe que eu não gosto de você! Que sua incompetência me perturba, mas diante desta cena patética lhe concedo trinta dias, nem mais um minuto, esta ouvindo? E se neste prazo, a Casa Espírita dedicada ao Cristo não estiver destruída, você será preso e rebaixado à condição de obsessor simples.
                                                               Gonçalves dirigindo-se ao seu chefe foi logo dizendo: Estou vindo do Centro espírita e a situação lá não é boa! Realizaram um tal seminário, exaltando os valores do Cristo e os trabalhadores, envolvidos em intima reflexão, renovaram os pensamentos e o nosso trabalho esta perdendo as estruturas. Não acredito! Disse o representante da maldade. Todo nosso trabalho?! E você deixou? Senhor a culpa não é minha, estava cuidando de outro caso, o senhor mesmo me designou, Elvira é quem cuidava da Casa Espírita na sua ausência. Todo o Centro está modificado, as fofocas diminuíram assustadoramente, a maledicência permanece controlada por pessoas serias, recusando-se a enviar pra frente, o que ouvem. Centenas dos nossos foram arrebatados, converteram-se. Precisamos de uma reação imediata. Diante desta palavras o perseguidor maior ficou maluco de raiva, e tomou severas providencias, reunindo os últimos recursos, instigando-os assim: Camaradas, este é o momento, a batalha final, vamos usar de todas as forças, todos os nosso recursos a fim de destruirmos a maldita Casa espírita. Agora meu ódio cresceu cem vezes mais, aquele que estiverem comigo gritem: Destruição! Destruição! Avante! Avante! E a assembléia de quatrocentos representantes do mal, marchou disciplinadamente, cantando desagradável hino de guerra, liderados por Julio César e Gonçalves, organizando-se para a batalha final!
                                                               FRATERNIDADE E VIGILANCIA: Na Casa Espírita, o cenário, de fato, era bem, diferente! Certas atividades que antes permaneciam desorganizados, agora seguiam com relativa tranqüilidade, contudo, os adversários espirituais ainda insistiam em continuar o processo de envolvimento negativo. Os amigos, do Plano superior procuravam envolver o presidente da entidade, o quanto possível, a fim de que as influencias negativas não lhe tirassem a lucidez para que o trabalho espírita não sofresse alteração. O processo de reorganização da Casa Espírita era rígido, a ordem e a disciplina acima da caridade, da compreensão e do amor ao próximo, os inimigos da paz não encontrariam brechas para desestabilizarem o ambiente. Foi nesse período que Ismael, intuindo um grupo de médiuns, sugeriu que fosse feita uma visita a casa de Márcia Boaventura, a fim de verificarem como estava a amiga trabalhadora do atendimento fraterno. Movido por sincera emoção, o presidente da Casa Espírita aceitou com presteza o convite, dirigindo-se junto com os médiuns a casa da amiga sofredora. No lar da amiga, Márcia estava visivelmente abatida, mas, ao ver os amigos queridos, transformou-se subitamente, expressando no semblante uma alegria incontida. Como tem passado Márcia, perguntou o presidente da Casa Espírita, sinceramente interessado. Estou bem, na medida do possível! Meu marido acaba de ser internado em um sanatório publico. Perdera completamente a razão, cabendo a mim a condição única de ampará-lo dentro das minhas limitadas condições financeiras. A misericórdia divina não me tem faltado, entretanto as dificuldades financeiras são muitas! A seita para qual ele doara todos os nossos recursos, nos abandonou completamente, deixando-nos entregues as dividas! Calma, minha irmã, disse o presidente do Centro intimamente comovido, temos recursos que colocaremos a sua disposição, somos irmãos em humanidade e o que estiver ao nosso alcance será seu também. E retirando do bolso considerável soma em dinheiro, resultado de suas economias pessoais, Castro ofertou fraternalmente à irmã dedicada ao atendimento fraterno.
                                                          O ato, espontâneo e sincero, conduzira Márcia às mais profundas emoções, culminando num abraço fraterno entre os servidores do Cristo. Antes de se despedirem, reuniram-se em torno do evangelho de Jesus, recordando o capitulo quinto do Evangelho de Mateus, em que as boas-venturanças, trouxeram estimulo e forças para a irmã em sofrimento. Dali, os cooperadores encarnados saíram, dirigindo-se para o sanatório municipal com desejo de visitar o esposo de Márcia. No quarto coletivo o esposo de Marica, permanecia sedado. Tornara-se tão violento que os médicos e enfermeiros encontravam dificuldades para tratá-lo. Os visitantes acompanhados por valorosos cooperadores espirituais, começaram a orar fervorosamente e aplicar o passe magnético no enfermo. Notava-se claramente, certa melhora, pois a agitação que o constrangia mesmo sob forte sedativo, aos poucos foi se desfazendo Durante o passe, os amigos do Mais Alto realizaram verdadeira sessão de desobsessão, afastando do doente grande turba de perseguidores, que eram fruto da ganância do enfermo. Que procurara na “religião” fanática bens materiais, não buscara verdades eternas, entrando naturalmente na faixa de ação dos espíritos zombeteiros, mistificadores e aproveitadores. Iludido pela riqueza fácil, fanatizado pelas promessas “celestes” de um reino de gloria e fortuna na Terra, perturbara-se mentalmente sob a influencia espiritual negativa. Somente se restabeleceria cinco anos mais tarde, graças aos esforços da esposa dedicada, aliados à assistência espiritual, e a libertação total só viria quando reconhecendo o amor extremo da companheira, verificando o seu trabalho de ajuda ao próximo. Todavia, tudo o que ele passou, foi aprendizado para um espírito em processo de evolução como ele, e muitos como nós. Já de saída, às portas do hospital, os tarefeiros de despediram e, agora, com a enfermidade do esposo, enquanto estivesse hospitalizado, no lento processo de reabilitação, Márcia poderia retornar às atividades do núcleo espírita. Na Casa Espírita, os tarefeiros colocaram-se à disposição para o trabalho amigo e fraterno, vigiando mais. E agora, conscientes do processo de infiltração, por dedução lógica, em todas a s reuniões mediúnicas em que participavam oravam pela instituição, valorizando o Centro Espírita como oficina da caridade, tolerando-se a fim de suportar mais esse processo. Diante destes procedimentos, o ambiente pouco a pouco se modificara. Os adversários já não tinham tanto acesso aos tarefeiros encarnados, visto que vibravam em outra sintonia.
                                                               Foi nesse clima que os responsáveis espirituais pela Casa Espírita realizaram uma breve reunião, alertando os companheiros encarnados desta maneira: Meus amigos, o momento esta chegando, Julio César e sua equipe provavelmente estarão planejando o ataque final. Não é preciso ser clarividente para deduzir que depois desta relativa tranqüilidade, após termos socorrido milhares de criaturas sofredoras e libertado tantas outras do jugo do perverso dominador, que agora, irritado ao extremo, destruir esta obra definitivamente. Contudo, carinho, respeito, amor e autoridade moral, aliados aos esclarecimentos espirituais, serão nossas armas, pois que são irmãos, padecentes de grave enfermidade. Muitos de nossos confrades mergulhados na carne encontraram em si forças para auto defesa; de certa forma nosso núcleo de trabalho está fora de perigo. Agora é nossa parte, diante da sintonia superior mantida pelos encarnados podemos agir mais intensamente, visto que fizeram por merecer. Se não houvesse essa transformação moral, a retomada do ideal espírita, não poderíamos ir alem do que já realizamos, pois não podemos interferir no livre-arbítrio deles. Para nós será sagrada oportunidade de libertarmos aqueles que se encontram algemados às idéias de perversidade. Almejamos abraçar os servos de Julio César, conduzi-los à libertação e cooperar no processo de retorno ao corpo denso. Assim, redobremos nossa vigilância, sejam fortalecidas as equipes socorristas, porque uma multidão de entidades perturbadoras haverá de se libertar. Nossa tarefa é de cooperação sem criticas! Para nós quando encontrarmos companheiros desejosos em servir desinteressadamente, são como que alavancas do progresso cooperando na transformação do planeta. Confiança, concluiu o mentor, o Senhor é por nós, hoje e sempre. Terminada a reunião, os espíritos bondosos colocaram-se em franco transito de trabalho, irradiando, quanto possível, pelas faculdades medianímicas bem educadas, mensagens de conforto, esperança e trabalho.
                                                               ULTIMA TENTATIVA: O efeito foi imediato, logo um clima de união pairava no ambiente físico, no Centro representantes da Doutrina Espírita. Foi neste momento que Julio César, acompanhado pelo seu exercito, apareceu às portas da Instituição consagrada ao espiritismo. Diante disto, os amigos espirituais preparavam-se para a resistência e libertação dos espíritos infelizes. O mentor convocou rapidamente as equipes protetoras, traçando energicamente estas orientações:  Meus amigos é preciso agirmos com presteza. Os inimigos do amor estão prestes a invadir esta Instituição. São aproximadamente quatrocentas mentes perturbadas. Reforcemos os companheiros responsáveis pelas tarefas protetoras, não esquecendo da vigilância e da oração, a fim de que não nos falte a proteção superior.As entidades sublimes, responsáveis por esta Casa Espírita estão para chegar a qualquer momento. Terminada as orientações, o Espírito responsável Instituição fez uma pequena prece. Ele elevou os olhos ao Mais Alto e envolvido por luzes indescritíveis, que traduzia seu imenso amor pela causa e pela Casa, orou em beneficio dos espíritos invasores desta forma: Pai! Todos trazemos um passado que nos solicita reajuste e trabalho! Quem de nós já não perambulou perdido e lunático pelo reino das sombras? Quantas vezes, entregue à cegueira de nossas paixões inferiores, transformando-nos em verdadeiros carrascos! Hoje, libertos desses sentimentos pelo trabalho árduo e pelos incontáveis testemunhos, estamos despertos para a consciência cristã, colocando-nos à disposição para o amparo amigo. Contudo, Senhor, nós te suplicamos: concede-nos a força necessária a fim de que amor possa vibrar nos corações iludidos, nas mentes enganadas, nas almas angustiadas. Concede-nos, Pai, a grata satisfação de sermos o bom samaritano da parábola de Jesus, que movido de intima compaixão socorreu a pessoa humana em necessidade, sem se preocupar com a procedência do assaltado, se era pobre ou rico, moralista ou pecador, virtuoso ou malfeitor, socorrendo-o por ser simplesmente uma criatura humana, executando, em verdade, o maior mandamento. Por fim Senhor, ilumina e aquece as almas mergulhadas nas águas glaciais da ignorância humana, para que esclarecida pelo teu amor, possam encontrar o caminho que leva a ti. Encerrada a petição, o amigo espiritual dirigiu-se às portas da instituição e o clima estava bastante tenso. De repente, vozes terríveis foram ouvidas gritando em conjunto, numa espécie de jogral das trevas: Derrubem as barreiras magnéticas! Fora os amigos da luz! Fora os seguidores do Cristo”. A Casa é nosso! Nossa!
                                                               Já era de madrugada e a manifestação dos inimigos da paz continuava. Gonçalves e Julio César, analisando a situação, permaneciam em reflexão. No fundo sabiam que mais uma vez seriam impedidos de continuar, mas o mandante estava cego de ódio, além de pensar exclusivamente em si, na sua posição. E em seu chefe não, pois se não conseguisse vencer, seria banido para sempre da organização das trevas. Do lado de dentro da Casa Espírita, Elvira e Daniel, permaneciam preocupados. Praticamente, nenhum dos espíritos inferiores que estavam sob suas ordens permaneciam na Casa, a maioria havia sido socorrida; os subalternos de Julio César guardavam, diante da nova situação, angustia e indecisão. Elvira, especialmente se encantara com a capacidade espiritual das entidades superiores, sentia o amor dos irmãos maiores vibrar no âmago do ser, no fundo queria juntar-se a eles e desejava fazer brilhar sua luz própria. Foi nesse instante, quando estava em profundo processo introspecção, que os amigos do Mais Alto aproximarem serenamente, demonstrando interesse pelo coração perturbado da dançarina. Quando a meretriz se sentiu envolvida por irradiações de ternura, chorou copiosamente, entregando-se aos socorristas espirituais. Jamais imaginou que, um dia uma daquelas entidades iluminadas, às quais aprendera a odiar, pudesse acolhê-la com tal desprendimento. Daniel, espantado diante da cena, invejoso e orgulhoso, não teve a mesma humildade da ex-comparsa, por isso, resolveu fugir de si mesmo, em busca de seu mestre, para narrar-lhe os acontecimentos internos dos emissários do bem. Quando dirigia-se a porta de saída, os instrutores da bondade barraram-lhe a fuga. O servo das trevas esbravejou, gritou pelo seu chefe, mas foi acalmado pelos espíritos felizes que, demonstrando-lhe a situação delicada em que se encontrava, apelaram para o intelecto do obsessor, evidenciando que era mais inteligente render-se às forças do bem do que ser aprisionado pelos mandantes do mal. Daniel, profundamente comovido, verificando o poder que partia dos corações amigos, fitando longamente o rosto do cooperador bondoso, deixou verter algumas lagrimas, rendendo-se ao abraço afetuoso da verdade. Os socorristas comemoravam, em trabalho silencioso, a libertação de mais um filho de DEUS.Enquanto a Casa Espírita desenvolvia organização e esperanças, Julio César gritava, do exterior estas palavras: Avante, comparsas! Antonio, apareça! O obsessor mor clamava pelo mentor da instituição, desejava um confronto! Antonio esbravejava o fanático, eu o desafio. Por sua culpa estou prestes a perder todos os meus títulos na organização em que sirvo! Maldito seja por mil anos. Estamos prontos, vamos arrombar as portas fluídicas, estourar as barreiras protetoras, banindo-os daqui! Trabalhamos em nome das hostes infernais, das forças das trevas! O momento é nosso! Avante, camaradas!
                                                               Antonio, representante espiritual daquele agrupamento cristão, permanecia imperturbável e em profunda oração, quando o exercito de Julio César, trazendo nas mãos armas pontiagudas e a fim de impressionar, avançaram contra os emissários do bem; antes de atingi-los, subitamente, atendendo às rogativas de Antonio, uma entidade sublime se fez visível. Diante da aparição e da intensa luz que partia do peito e da fronte do espírito superior, os adversários recuaram alguns metros. Outros igualmente superiores, apareceram ao lado da veneranda entidade, sustentando-a, enquanto toda Casa fora fortemente iluminada. Milícias celestes se apresentaram prontas para servir. Então, o ser sublime disse ao coordenador do Centro. Suspenda os cordões isolantes, abra as portas fluídicas, baixe as correntes protetoras, desligue os aparelhos magnéticos e elevemos o pensamento em prece. Os invasores, atônitos, cobriram o rosto diante da ofuscante luminosidade. Um deles, em completo pavor, gritou instintivamente: Retirada, retirada! Perdemos a guerra, eles são muitos! Muitos! Vários, à semelhança de um tropel de cavalos correram espantados. Quando Julio César se percebeu sozinho no ideal infeliz, quando se sentiu envolvido por vibrações sublimes, conclamando-o ao crescimento, quando raios mentais penetraram-lhe o ser, agitando-lhe as virtudes adormecidas, perturbou-se e, sem saber por que, chorou. Vendo a turba debandar, retirou-se fugindo lançando-se no ambiente exterior lançando urros de cólera , prometendo vingança. Julio César, afastando-se perturbado e vagando pelas ruas vazias, trazia os pensamentos atormentados: Aqueles malditos! Pensam que acabaram comigo?! Quem eles pensam que são?! Eu faço parte de extensa organização das trevas. Como não conseguimos? Estava tudo planejado. Gonçalves! Gonçalves! Gritou o preposto das trevas, clamando pelo servo. E diante do silencio que se fez, concluiu: O infeliz deve ter debandado! Fracos! Inúteis! O que será de mim agora? Que direi aos meus superiores? Terão mesmo coragem de me rebaixar? Claro, não aceitam incompetência!. De posse desses pensamentos Julio César, chegou a sinistra cidade que administrava. Alguns poucos espíritos que conseguiram fugir zombavam dele, desta maneira: É o seu fim, grande Julio, Finalmente não seremos mais obrigados a lhe servir. Queimaras no fogo da própria incompetência, inútil! Inútil! Você não é mais nada, não terá nenhuma expressão na organização.Nossos superiores estão sendo avisados sobre sua derrota, virão lhe buscar! O que? Perguntou o mandante traduzindo nas palavras ira e indignação. Já foram me delatar: Com qual autoridade? Víboras! Víboras! Bradava o representante das sombras em completo desequilíbrio. Saiam daqui! Agora! Pouco a pouco, o silencio se fez e o coordenador do processo de infiltração mergulhava em profunda depressão.
                                                               No Centro Espírita o trabalho corria de maneira satisfatória. Os espíritos amigos preparavam-se para encerrar as tarefas socorristas, quando uma das entidades sublimes, aproximando-se do mentor da Casa, solicitou que marcasse para a noite seguinte importante reunião com todos os trabalhadores do Centro, encarnados e desencarnados, com o objetivo de fazer um balanço da situação, além de palestra de advertência e esclarecimento aos irmãos de doutrina.
                                                               O BEM VITORIOSO: As horas correram trazendo a noite seguinte. Enfim a Casa Espírita voltava a respirar ares de fraternidade e união. Os tarefeiros encarnados puderam trabalhar naquele dia sem o indesejável processo de infiltração. Em tudo pairava uma relativa tranqüilidade. Os convocados aos poucos se apresentavam, Médiuns em grande quantidade adentraram o salão principal, entrevistadores, passistas, expositores, dirigentes de trabalhos, elementos de apoio, evangelizadores, mocidade, os companheiros do departamento de apoio às famílias, os responsáveis pelas obras sociais, bem como seus cooperadores do bazar, toda a diretoria e muitos outros colaboradores. Os presentes aguardavam com certa expectativa, informações sobre o processo de infiltração, em que a Casa Espírita foi o alvo. A grande sala resplandecia de luzes que partiam dos corações de muitas entidades ali presente. O mentor Espiritual da Casa apresentou prontamente, ladeado de outros irmãos de luz e iniciou uma prece de agradecimento com essas amorosas palavras: Caros irmãos em Jesus, que a paz do Mestre Nazareno esteja conosco! Nossa Casa de fato passou por momentos tortuosos, situações difíceis e perturbadoras, todavia o Senhor da Vida não nos desamparou. Julio César investiu contra nós e, graças a DEUS, conseguimos resistir bravamente. É verdade que sofremos alguns prejuízos, nosso trabalho fora acometido de severas perturbações, mas o importante é que mais uma vez vencemos sob as bênçãos de DEUS. Nesse processo de infiltração, muitas almas tiveram o coração transpassado pelos cravos da maledicência, pelos espinhos da perseguição moral, da inveja, do orgulho, da intolerância etc. Dessa forma temos o seguinte saldo: Cerca de cinqüenta pessoas abandonaram a nossa Casa Espírita, entre elas a que mais me preocupa é Maria Souza, que edificou um pequeno grupo que se diz Espírita, para a realização de cirurgias espirituais sob o comando de entidades fascinadoras, trevosas e zombeteiras. Aproximadamente doze expositores deixaram as suas tarefas, impelidos pelos invasores. Quinze companheiros experientes nos passes deixaram de cooperar na fluidoterapia, mais de trezentos cooperadores, de vários setores da Casa deixaram envolver-se nas obsessões simples tornando-se intermitentes nas suas tarefas. Cinco dirigentes de grupos mediúnicos, igualmente, pediram afastamento.Esses deixaram-se contaminar pelo processo de infiltração de maneira lamentável e muitos estão perdendo, não passaram nas provas! Quanto a nós, continuaremos oferecendo a eles o socorro necessário, respeitando-lhes obviamente o livre-arbítrio. Contudo, o mais importante é estarmos continuando o nosso trabalho. Se hoje, podemos estar reunidos em tranqüilidade, devemos ao labor executado em conjunto entre a realidade espiritual e a material. Para que processos como este sejam vencidos, é mister permanecermos no Evangelho de Jesus, que assegura: “Aquele que quiser ser o maior, deve ser o menor e o servidor de todos” Se agirmos assim nossa santa Casa Espírita estará protegida. Se pelo contrario, trabalharmos com orgulho e pela vaidade, quando o “eu” está à frente do “nós”, abriremos brechas ao inimigo do amor. Sempre que o personalismo não é evitado, decretamos nossa derrota ante a própria consciência e as leis divinas, atrapalhando o serviço do Senhor, e entravando o nosso progresso.
                                                            Toda vez que colocamos nosso ideal cristão acima de nós mesmos, estaremos naturalmente protegidos contra os ataques das trevas. É imprescindível vencermos a nós mesmos, visando o bem comum, exaltando, através das atitudes humanas, os ensinos do Cristo. Toda vez que conseguimos libertar uma alma que seja, uma criatura sequer das regiões sofredoras, nos sentiremos felizes, cumprindo os desígnios divinos. Desta forma, não percamos mais tempo, valorizemos a Casa Espírita como um Templo Sagrado onde a ordem e a fraternidade precisam ser mantida a qualquer custo. O ambiente fora invadido por vibrações ternas que partiam do Mentor. E de maneira afável, o Dirigente da Casa descendo da tribuna, dirigindo-se para as primeiras fileiras, onde Daniel, Elvira e Gonçalves acompanhavam o discurso, completamente emocionados. De certo modo sentiam-se envergonhados, mas o Mentor espiritual, abrindo os braços, aconchegou-os junto ao coração tecendo estas considerações: Meus irmãos, não há motivo de vergonha, não se sintam humilhados; todos nós na Terra já erramos muito em nossas jornadas. O momento agora é de coragem para recompor-se com o bem, os anos dedicados a pratica da maldade. Somente com esforço intimo é que conquistaremos a verdadeira liberdade. Vocês terão novas oportunidades! Em breve poderão reencarnar. Nós, contudo, nós não os abandonaremos. Estaremos ligados por laços do pensamento. Agora é preciso evitar a auto-compaixão, a fim de que não se destrua os propósitos superiores. É preciso muita resignação e coragem, para enfrentarem o próprio destino. O Senhor é conosco sempre. Todavia, nosso trabalho de socorro espiritual não termina aqui, estamos apenas começando. É preciso socorrer Julio César. O que?! Perguntavam assustados alguns companheiros encarnados, desdobrados do corpo físico. Vão resgatar aquele que nos atormentou durante tanto tempo?! Ouvindo as colocações o Mentor ponderou: A justiça caminha junto com a misericórdia Divina. Esse amor infinito que emana de DEUS, solicita-nos ajudarmos uns aos outros. É necessário resgatá-lo das regiões sofredoras conduzindo-o à reencarnação, para que ele, também assim como nós, tenha a oportunidade de reabilitação. Lembremo-nos de que é imperioso colocarmos o Evangelho em ação. Haveremos de levar conosco Márcia Boaventura, Daniel, Elvira e Gonçalves, que nos ajudarão no campo da argumentação. Entidades respeitáveis se interessam por ele particularmente. Do mais Alto partem as ordens: “Nenhuma ovelha será perdida” . Mas antes de irmos para os campos trevosos, lembrem-se que o exemplo vem do alto, as maiores renuncias e os maiores desprendimentos devem partir de vocês, de seus corações que sofreram muito com esse processo. Entretanto vejam o exemplo de Márcia, suportando pacientemente as investidas das sombras, granjeou admiração, respeito e uma posição espiritual digna daqueles que se humilham na Terra. Quem poderia imaginar as privações desta irmã, as torturas suportadas para libertar o seu marido?  O prejuízo, contudo, aparecerá sempre que não investirmos nos ensinos do Cristo Jesus.
                                                               Vai meu irmão, continua sendo bom administrador, o mordomo fiel, a fim de que esta Casa Espírita permaneça alimentando as almas famintas que DEUS encaminhar. Segue confiante! Vencemos! O Senhor é por nós. Após estas fraternas orientações, os amigos abraçaram-se, desejando uns aos outros, êxito nas tarefas. Terminada a improvisada confraternização, o mentor, dirigiu-se para as regiões sofredoras na busca de um diamante bruto. SOCORRENDO O VENCIDO: Na sinistra cidade, o silêncio era absoluto, de fato os tarefeiros do Mais Alto haviam recolhido grande parte das mentes perturbadas. E, vencendo a névoa espessa que envolvia a região inferior, a excursão da bondade dirigiu-se silenciosamente para o centro do largo. Podiam-se ouvir os soluços sufocados do choro do ministro da maldade. Solitário, desprezado e amargurado, mergulhara-se em dolorosas lembranças referentes a sua ultima encarnação. A equipe de socorristas colocou-se respeitosamente ao lado do sofredor, sem ser percebida por ele, por estarem vibrando em outra sintonia. Foi nesse momento que Antonio, o Mentor do Centro Espírita, compadecendo-se do sofrimento do irmão desviado do caminho, baixou seu padrão vibratório fazendo ecoar sua voz nestes termos: Julio César, meu irmão! Quem está ai? Perguntou o infeliz sem poder enxergar o amigo espiritual. É mais alguém que veio zombar de mim? Já não basta minha derrota? Saiam todos! Eu ainda sou o dono desta cidade. E levantando-se cambaleante qual um embriagado, tateando ao redor, como a agarrar-se ao vento, procurava o portador daquela voz caridosa, com o objetivo de agredi-lo. Apareça! Vamos! Apareça! Não vou permitir que ninguém mais me achincalhe! Chega! Chega! Eu não agüento mais! Chega! Gritava o infeliz, urrando de pavor diante dos acontecimentos. De joelhos curvados ao solo, punhos cerrados e fase desfigurada, o administrador da cidade iníqua caiu em chora incontrolável. Não meu amigo, não viemos zombar de ti, respondeu o mentor. Sabes que te amamos. Me amam? Perguntou o perturbado, refletindo. Será possível…São os espíritos de luz? Fora todos vocês, não vou permitir que venham rir de minha desgraça, afastem-se de mim! Fora! Fora! Não meu irmão! Não nos mande sair, viemos para socorrer-te. Desprezo o seu socorro, minha alma não precisa da sua piedade. Todos carecemos da compaixão Divina! Julio César estamos a serviço do Pai Criador, ele se interessa muito por ti! Julio César, surpreendido pelas próprias lembranças, perguntou admirado: Pai! Foi por causa do meu Pai biológico que eu me envolvi nesse processo, a culpa é dele! Se me conhece, sabe que o fundador da Casa Espírita da qual você é o mentor espiritual foi meu progenitor. Toda atenção dele era para a maldita doutrina. Me irritava a excessiva preocupação dele com as criaturas humanas.era a mim que deveria endereçar todas as atenções. Perdemos anos de convivência. Por isso tomei aversão pelo Cristo, por isso me matriculei nessa organização inferior, prometendo a mim mesmo acabar com essa tolice de Espiritismo que o perverteu. Odeio o meu Pai, maldito seja! A culpa é dele!  Nesse instante os céus se abriram, as nuvens espessas foram transpassadas por jatos intensos de luzes, o ambiente ao redor de Julio se iluminou por completo. E, do Mais Alto, entidade respeitável se apresentou. O ser iluminado, de semblante calmo, aproximou-se emocionado, dirigindo o olhar terno em direção ao desafortunado, que gritou surpreso ao reconhecê-lo. Pai! Afaste-se de mim! Não tem o direito! Veio se comprazer, também, de minha derrota?
                                                      Não meu filho. Nunca! Vim para dizer-te do meu amor. Tu sabes, Julinho, que nunca te faltou o afago amigo, as orientações paternas! Quantas vezes te incentivamos à pratica do bem, a compartilhar conosco do ideal espírita, mas a tua rebeldia não te permitia ingressar nas esferas superiores. E por conta de tua imprudência, envolvendo-te com marginais, com o simples pretexto de chamar a nossa atenção, foi o que te tirou da nossa convivência quando tinhas apenas dezoito (18) anos. Ah, filho meu! Quanto esperei por esta hora! Neste quase um século em que te dedicas a pratica do mal, meu espírito permanece atormentado. Vim para dizer-te que a tu felicidade é a minha também e que compartilho igualmente de tuas dores. Meu coração só encontrará paz no dia em que puder unir-se ao teu, a fim de vivermos juntos a mensagem do Cristo Jesus.
                                                           Tua mãe não suportava a dor, sendo consolada apenas com a certeza de que continuavas vivo. Orávamos por ti, dia e noite, chorávamos de saudades. E quando, em estado avançado de idade, retornamos ao mundo espiritual, continuamos a pedir a Jesus nos concedesse a dádiva de te despertar. Ouve filho meu, se não por ti, por nós, pelo privilegio da tua companhia, por ter sido o maior presente que o Céu nos concedeu, por muito te amar pedimos: Desperta, meu querido filho! Lembra-te dos dias felizes da tua infância, quando insistias em cooperar conosco na construção da Casa Espírita, dos teus tropeções nos materiais de construção, as vezes em que trazias as mãos vermelhas pela insistência de transportar os tijolos, para serem assentados pela argamassa produzida amorosamente pelos cooperadores anônimos. Tu também guardas historias daquela Casa! Sempre é tempo de começar, desperta meu filho. Já é hora de retomar o trabalho! Minha mãe, onde esta? Perguntou o quase convertido. Aqui, Julinho, respondeu uma voz doce e amiga, fazendo-se visível ao lado do filho amado. Ouve teu Pai, meu querido, pois que minha alma já não agüenta mais de tanta dor. Não nos negue o privilegio de amar-te, rende-te, liberta-se, o futuro te espera. Julio César, diante de vibrações superiores, da emoção do momento, da paz irradiada pelos progenitores, qual criança arrependida entregou-se ao abraço familiar, chorando de arrependimento. As entidades bondosas que, devido ao trabalho redentor na terra, alcançaram o direito de viverem em planos mais elevados, choraram de alegria pelo arrependimento do filho. Chora, meu querido, é justo. Que DEUS abençoe teu arrependimento. Pai, disse Julio, quanta vergonha, quanto tempo perdido! Quero consertar as coisas erradas, quero ser digno de seu amor! Terás condições Julinho, haverás de retornar a Terra, recompondo com o bem, o mal que fizestes à humanidade. Confia no Criador Haverás de ter Elvira como esposa e, mais tarde Gonçalves e Daniel como filhos, a fim de os reconduzires ao caminho do bem, restituindo-lhes afeto e amor, terás também, a benção da mediunidade e o Espiritismo haverá de coroar os teus dias na Terra. Tuas faculdades espirituais serão de socorro, terás natural afinidade fluídica com os espíritos obsessores para que possa servir àqueles que um dia te foram servos. Sozinho meu Pai! Não conseguirei! Jamais estarás sozinho. Eu mesmo serei o seu espírito protetor para guiar-te pelos caminhos retos. E quando tiveres com cinqüenta anos aproximadamente, se tudo correr bem, amadurecido pela vida, calejado pelas perseguições espirituais, experiente na mediunidade que certamente te conclamará ao trabalho reparador nos primeiros anos de tua juventude, quando a pobreza tiver te ensinado a trabalhar e valorizar o pouco, haverás de ser o presidente do Centro Espírita ao qual perturbaste, a fim de empregar a tua inteligência milenar e capacidade administrativa, iniciando, nesta encarnação, a restituição com o teu trabalho e esforço aos desequilíbrios que ministraste nos dias infelizes de tua vida. Teus adversários certamente te procurarão, desejando acabar com os teus propósitos superiores. Será a lei de causa e efeito solicitando reajuste. Natural, não achas? Desviaste tantas almas, escravizastes tantas criaturas! Agora, tua vivencia Evangélica deverá dar demonstrações concretas de arrependimento, transformação e reparação; assim, terás a grata satisfação de libertares as almas que, no passado, aprisionaste no ideal das sombras.
                                                               O ambiente espiritual estava dominado pela emoção, o ex-mandante das trevas, de olhos marejados, abraçou fortemente o Pai, entregando-se ao amor que liberta; e porque estivesse exausto, Julio César adormeceu nos braços paternos, sob as lagrimas dos anjos em que se convertem as mães, conduzindo-o ambos para outro local, com objetivo de preparar-lhe a reencarnação. Antes de partir, os Pais de Julio, reconhecidos ao amor divino, agradeceram intensamente a dedicação do mentor do Centro Espírita com estas colocações: Antonio, meu irmão! Disse o Pai de Julio. Sabes que serei eternamente grato, pelo teu esforço e dedicação para com o meu Julinho. Granjeastes um amigo por toda a imortalidade, onde quer que estejas, meu coração te renderá gratidão. Contudo rogo-te um ultimo pedido, a providencia divina não me permite retornar a Terra nos próximos 250 anos, e confesso não saber quem teria coração generoso e infinita paciência a fim de receber, no planeta meu filho…Eis que numa explosão de amor ao próximo, Antonio se pronuncia dessa forma: Não te preocupes, meu amigo, serei o Pai que no momento não podes ser. Como Assim? Perguntou o genitor do ex obsessor. Já estou aqui no mundo espiritual há cerca de setecentos anos pela contagem do tempo dos encarnados, mais que aqui nesta dimensão o tempo é diferente, e meu pedido de retorno ao educandário terrestre acaba de ser autorizado. Precisarei retornar a fim de dar novo animo ao nosso movimento. Nossos confrades na organização de nossa Sagrada Casa Espírita, não dispõem de mais do que quarenta anos de vida útil na continuidade dos serviços espirituais, findando esse prazo retornarão ao nosso plano, e o Mais Alto me permitiu continuar na Terra a obra que idealizei aqui. Será minha vez de consagrar os meus testemunhos em beneficio do Evangelho. E que alegria terei se me confiares a fortuna que trazes nos braços! Assim, poderei prepará-lo no campo da moral para assumir a mediunidade e, se tudo der certo, iniciar nesta encarnação a reparação necessária à Casa Espírita. Saberei socorrê-lo nos momentos de obsessão, orientá-lo diante das tendências viciosas, a fim de conduzi-lo por caminhos retos, o restante dependerá dele! Retornarei primeiro e daqui a 25 anos, Julio e Elvira retornarão, encontrando-se e contraindo mais tarde, as bênçãos do matrimônio, para que, quando estiverem com cerca de 20 primaveras, Gonçalves e Daniel retornarem também. As entidades amigas, envolveram-se em um abraço emocionado e partiram para planos maiores, a fim de tecerem os detalhes do retorno de Antonio, deixando para trás um rastro de luz e sincera emoção. A equipe de socorristas, mergulhada em vibrações sublimes de sincera admiração, elevou, ali mesmo no vale sofredor, prece fervorosa clamando a DEUS, abençoasse os propósitos de Antonio, vibrando para Julio fosse feliz nesta primeira fase de reparação, ao mesmo tempo em que, reconhecendo a oportunidade do trabalho, renderam graças ao Senhor pelo laborem uma respeitável Casa Espírita e por terem vencido, junto com os irmãos encarnados , sob a misericórdia de DEUS, mais um processo de infiltração
FIM.

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