jan 22

Escolas Umbandistas e seu desenvolvimento

Por: PAI RUBENS SARACENI e ALEXANDRE CUMINO

pe-no-chaoMuitos anos atrás Pai Benedito de Aruanda, em um dos livros psicografados por mim, revelou-nos isso: de cada 100 crianças que nascem 30 delas já trazem alguma faculdade mediúnica (ou varias) já madura e que precisarão ser orientadas corretamente para colocá-la a serviço dos seus semelhantes e auxiliá-los.

As faculdades mediúnicas mais ostensivas são as de incorporação, de clarividência, de intuição e de sensitividade, que também são as de mais difícil domínio porque se não forem devidamente colocadas sob controle consciente dos seus possuidores acabarão prejudicando-os e atrapalhando-os em vários aspectos de suas vidas, e mesmo, segregando-os no seio de suas famílias, sendo que muitos se tornam freqüentadores de consultórios médicos (psicólogos, psiquiatras, neurologistas, etc) ou dependentes de drogas e bebidas ainda na juventude porque se sentem diferentes das outras crianças ou dos outros jovens.

Faculdade mediúnica fora de controle em uma criança, em um jovem ou adulto torna-o infeliz, perturbado espiritualmente e desequilibrando psicologicamente, atrapalhando o desempenho no estudo e no trabalho, podendo em muitos casos levar a pessoa à perda da razão e da capacidade de separar o lado espiritual de sua vida do lado material, sendo que não são poucos os relatos na literatura espírita de pessoas que foram internadas como “loucas” ou “desajustadas”.

Não que existam casos como esse devido a desequilíbrios bioquímicos e psicológicos, esses últimos devido à má formação e má orientação do ser quando na mais tenra idade (do 1º aos sete anos de idade).

Sobre isso aqui comentado há farta literatura, tanto espírita quanto medica e só me servi do muito que já li sobre o assunto.

Pois bem, baseado no que eu já sabia e na informação de Pai Benedito de que trinta por cento da população possui alguma faculdade mediúnica já amadurecida em vidas passadas e no período em que o espírito viveu no astral, a cerca de quinze anos atrás comecei a estimular os dirigentes de Umbanda a abrirem seus centros em um dia especifico só para acolherem essas pessoas com faculdades mediúnicas ostensivas e tanto orientá-las e auxiliá-las no domínio consciente delas, quanto incorporá-las religiosamente às suas vidas como um dom do espírito que deve ser colocado a serviço do próximo de forma correta para, ai sim, essas pessoas estarem sendo úteis com algo que possuem e que demorou muito tempo para adquirirem o dom mediúnico.

Ensinei isso, ensino e sempre ensinarei e sempre lembrarei os dirigentes de centros de Umbanda que uma semana tem sete dias e que podem usar um dia só para o estudo da Umbanda e do desenvolvimento mediúnico das pessoas, principalmente dos que tem a faculdade de incorporar os espíritos.

Eu me baseei no que é feito regularmente no espiritismo e em muitos centros de Umbanda, onde o desenvolvimento da faculdade de incorporar espíritos é feito em dias específicos quando o centro não recebe consulentes e suas cargas espirituais que de alguma forma perturbam os médiuns iniciantes, ainda vulneráveis à presença de espíritos trevosos ou sofredores, que tanto interferem e bloqueiam suas incorporações quanto os deixa mal e com tonturas, dores de cabeça ou no corpo, náuseas, etc.

Não inventei escolas de desenvolvimento mediúnico, apenas tenho estimulado os dirigentes umbandistas a darem à mediunidade o mesmo valor que sempre deram a ela os nossos irmãos espíritas com suas escolas de desenvolvimento mediúnico criadas há 150 anos pelos semeadores do espiritismo e tendo à frente deles Alan Kardec que, para mim é um dos maiores luminares da humanidade.

O desenvolvimento mediúnico organizado e bem conduzido tem o apoio da espiritualidade superior e tanto nos centros espíritas quanto nos de Umbanda as aulas e praticas mediúnica são assistidos e orientados por espíritos mentores, muitos deles ligados aos médiuns que estão começando a desenvolver um método consciente de dominar suas faculdades e colocá-las em ordem para que, posteriormente possam participar com firmeza e segurança das sessões de atendimento espiritual aos consulentes do centro que freqüentam.

Como eu já escrevi linhas atrás, não inventei as escolas de desenvolvimento mediúnico, pois quem fez isso foi Alan Kardec.

Eu não inventei o desenvolvimento na Umbanda porque foi nosso querido e saudoso Pai Zelio de Morais que fundou a Umbanda e alicerçou-a na faculdade de incorporação ao incorporar o espírito mensageiro de Deus que, incorporado nele abriu o 1º trabalho espiritual de Umbanda, oficializando no plano material mais uma religião.

Eu fui beneficiário do legado deles e os reverencio sempre pelo bem que criaram e beneficiou-me quando precisei desenvolver-me na Umbanda e fui acolhido por dirigentes que tinham um dia à parte só para o desenvolvimento mediúnico.

Mas, como já vi e já passei por centros que desenvolvem os médiuns nos dias de atendimento publico e o guia-chefe tem pouco tempo para eles e muitos saem das giras piores do que quando chegaram, tenho recomendado a todos os sacerdotes umbandistas que estudaram comigo que adotem nos seus centros um dia só para o desenvolvimento mediúnico.

Mas não tenho feito essa recomendação só aos que estudaram comigo e que abriram seus centros. Também tenho divulgado essa iniciativa para, no futuro, a Umbanda ter muitos médiuns, todos conscientes dos seus deveres com Deus e com a espiritualidade superior, mas também equilibrados intimamente e felizes por possuírem dons espirituais e poderem colocá-los caritativamente a serviço dos seus semelhantes.

Nos nossos centros os médiuns iniciantes têm um dia de estudos e praticas mediúnicas só para eles e quando já dominam conscientemente suas faculdades, aí são conduzidos ao trabalho de atendimento ao publico cambonando os guias de trabalho, fazendo transportes, descarrego e desobseções, aprendendo também de forma consciente e racional toda a dinâmica de trabalho da Umbanda.

Com o passar do tempo e após terem auxiliado os guias e aprendido o mínimo indispensável para o exercício de sua mediunidade de incorporação, ficam auxiliando até que seus próprios guias espirituais, incorporados neles comecem a pedir seus colares, confirmarem seus nomes e a solicitarem ao Guia chefe que querem trabalhar no atendimento às pessoas necessitadas.

Em alguns casos é o Guia chefe, que acompanhou todo o desenvolvimento do médium que o avisa de que ele já esta pronto e que seus Guias querem trabalhar no atendimento incorporados neles.

Alguns, mais tímidos ou inseguros relutam. Mas quando seus Guias incorporam e passam atender as pessoas ajudando-as, todos se soltam, se descontraem e tornam-se ótimos médiuns umbandistas.

Em todo o período de tempo que passou desenvolvendo-se o médium submeteu-se a uma disciplina intima, a uma doutrinação religiosa e espiritualizadora da sua mediunidade, integrando-se à Umbanda e sentindo-se de fato e de direito um umbandista, orgulhoso de ser médium.

Isso fizeram por mim, isso tenho feito desde que abri meu centro em 1983 e o Guia chefe, devido ao grande número de pessoas na assistência com problemas devido à mediunidade, ordenou que abrisse-mos uma vez por semana só para que ele pudesse assisti-las e desenvolver a mediunidade delas pois não adiantava muito só dar passe nelas, uma vez que eram médiuns e viviam em desequilíbrio constante por causa de suas mediunidades. Só com elas se desenvolvendo recuperariam seus equilíbrios.

Foi ali que iniciei meu verdadeiro aprendizado sobre mediunidade, pois, junto aos Guias chefes, desde então já desenvolvi milhares de médiuns e muitos hoje dirigem seus centros, também desenvolvendo muitos médiuns novos para a Umbanda, expandindo a nossa religião e beneficiando outras pessoas que, tal como eles, chegam desequilibradas diante dos seus Guias e estes vão logo alertando-as com estas palavras:

“_ filho (a) o seu problema é de mediunidade e só desenvolvendo-a você melhorará!”

Þ Quantos Guias espirituais, incorporados em seus médiuns já disseram isso a algum consulente?

Todos os Guias de Umbanda já disseram, dizem e sempre dirão isso quando se depararem com pessoas possuidoras do dom da mediunidade de incorporação, e todos têm recomendado a elas que só desenvolvendo-se recuperarão seus equilíbrios.

Isto não sou eu que estou afirmando aqui e sim, todos os Guias espirituais fazem essas recomendações às pessoas com mediunidade.

Þ Quem dá essa orientação às pessoas?

São os Guias espirituais, respondo eu, e todos os médiuns umbandistas.

Þ Qual é a base sustentadora da religião?

É a mediunidade de incorporação, respondem os Guias e todos nós, pois sem Guia incorporado e auxiliando as pessoas necessitadas não há trabalho de Umbanda, tal como fez e nos legou o Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, que fundou a Umbanda incorporado no querido e saudoso Pai Zelio de Moraes.

Tirem a incorporação da Umbanda e acabam as giras, os cantos, as danças, os toques a dinâmica, o rito, o ritmo e as sessões de caridade espiritual umbandistas.

Para nós, cada médium é um templo vivo e é através dele que a religião flui, cresce e expande-se, pouco importando para os Guias se o templo físico é grande ou pequeno, se é luxuoso ou humilde, se está superlotado ou se tem só um pequeno número de consulentes.

Os médiuns são os verdadeiros templos dos Guias de Umbanda; os Guias são os grandes obreiros caritativos e a mediunidade de incorporação é a grande base humana e espiritual sustentadora da nossa religião.

Þ Retirem das sessões de atendimento a incorporação e o que teremos?

O fim da Umbanda.

Þ Porque escrevi um artigo tão extenso repisando tudo o que tenho ensinado já por vinte e cinco anos, desde que abri meu centro no porão da minha casa?

É porque eu li no editorial de um Jornal de Umbanda que quem faz isto que descrevi acima é taxado de mercador da fé e está desagradando os Orixás e envergonhando a Umbanda, misturando em um mesmo comentário alhos e bugalhos, com o nítido propósito de denegrir o trabalho de quem desagrada (não sei porque) os donos desse jornal.

É lamentável que pessoas que se inspiraram no meu trabalho e no do Alexandre Cumino para iniciarem os seus, hoje usem de um instrumento de orientação dos umbandistas para e de forma inconseqüente misturarem praticas condenáveis com as necessidades legitimas da Umbanda (o desenvolvimento mediúnico) para atacarem aqueles que só os ajudaram no inicio de suas caminhadas dentro da religião.

Também tenho lido periodicamente e-mails colocados em fóruns de discussão umbandista criticas aos cursos de Desenvolvimento mediúnico e de Doutrina, Teologia e Sacerdócio Umbandista, como se ensinar isso fosse um crime e não uma forma de melhor preparar os umbandistas interessados no crescimento da Umbanda como uma religião aberta para todos.

É lamentável que pessoas que também ministram os mais variados cursos dentro de suas instituições critiquem os outros achando-se no direito de serem os únicos a poder transmitir o que eles acreditam ser o melhor para a religião.

No mínimo deveriam ter uma postura ética e respeitar o trabalho das outras escolas umbandistas pois estes críticos também ministram seus cursos e não são criticados por nós, que pouco estamos nos importando com o trabalho alheio uma vez que acreditamos que todos têm o direito de passar para os seus seguidores aquilo que acreditam ser bom para eles e para a Umbanda.

Muitos falam em respeito a diversidade dentro da Umbanda, mas pelo que temos visto não a praticam. Posso dizer que nós a temos praticado neste contexto porque não vivemos criticando continuamente as outras escolas umbandistas e temos nos pautado pelo respeito a todas as vertentes da Umbanda, aceitando-as como indispensáveis à pluralidade do pensamento religioso umbandista.

Quem vem acompanhando essas discussões que julgue: “quem respeita a diversidade de pensamento na Umbanda”. Temos certeza de que serão nossas testemunhas, não temos costume de atacar as outras escolas umbandistas. Se algumas vezes fomos críticos ácidos dos seus seguidores foi, apenas, na defesa do nosso direito e liberdade de participarmos na expansão de nossa religião, sem sermos constrangidos por pessoas mal intencionadas ou que infelizmente, para elas, não estão tendo o esperado retorno em seus cursos e projetos.

No desespero de causa acreditam que atacando quem vem a anos se dedicando na formação doutrinária, teológica e sacerdotal umbandistas irão reverter a pouca receptividade a seus projetos.

Esperamos que as pessoas que vêm atacando gratuitamente os trabalhos alheios respeitem a diversidade de opinião e de pensamento dentro da Umbanda e assumam uma postura ética de respeito aos seus irmãos de fé.

Não creio que eu e todos os dirigentes umbandistas que temos dedicado nosso tempo e amor pela Umbanda estimulando a expansão do desenvolvimento de novos médiuns umbandistas estejamos criando “situações vergonhosas para a Umbanda” ou sejamos “vendedores da fé necessitados da misericórdia”, assim como temos certeza absoluta que os nosso Pais Oxossi, Oxalá e Ogum estão muito satisfeitos por essa nossa dedicação ao novos médiuns e à expansão das escolas de desenvolvimento mediúnico umbandistas.

Outra certeza que temos é que todos os sagrados Orixás e toda a espiritualidade de Umbanda também estão muito satisfeitos com nosso trabalho nesse sentido, pois é graças à dedicação de todos os dirigentes umbandistas que gostam de desenvolver novos médiuns que a Umbanda tem crescido sem parar desde sua fundação.

E os nossos críticos o que têm feito neste sentido?

Porque não mostram os seus trabalhos neste campo (se é que os têm) ao invés de ficarem criticando quem realmente está ajudando a expandir a Umbanda.

Þ Patagori Ogum!

Þ Que no tempo certo o Senhor corte o orgulho e a prepotência de quem mal começou e já se acha no direito de ditar regras ou de denegrir o trabalho alheio porque se sente o salvador (a) da Umbanda.

Que o faça também aos que já se estabeleceram a tempos e vivem de alimentar sua arrogância e soberbia com relação ao trabalho alheio.

A Umbanda não precisa de salvadores e sim, de médiuns dedicados, respeitosos e fraternos, e de nada mais!

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