dez 26

Os Orixás, Divindades da Umbanda

Orixas_forcas_da_Natureza_det3A Umbanda foi formada com bases na simplicidade em que os antigos povos cultuavam Deus, para eles, Ele era o sol que germinava as sementes lançadas na terra, era a própria terra que alimentava e dava vida às sementes, era a chuva bendita que vinha do céu para molhar a terra fazendo crescer as plantações e matar a sede enchendo seus poços de água. Conseqüentemente, com isso para eles a natureza era sagrada, encontravam Deus em todos os lugares e toda a manifestação da natureza era uma manifestação Divina.

Os Orixás, divindades da Umbanda, representam essas forças da natureza, são as personificações de seus elementos cósmicos, nem os índios nativos nem os povos africanos adoravam a natureza em si, mas sim as potências energéticas associadas aos muitos aspectos desta natureza viva, por exemplo: “Yemanjá” não é a água do mar, mas a concretização em nível físico de sua energia. As entidades que se manifestam nos Terreiros de Umbanda não são essas potências energéticas da natureza, mas espíritos evoluídos que atuam no plano vibracional e dominam cada uma destas potências ou elementos.

Os Orixás, na Umbanda sendo agentes divinos que regem e manipulam cada uma dessas forças, têm seu ponto de força ou santuário natural onde devemos evocá-los e entrar em contato mediúnico, para buscarmos forças para o desenvolvimento de nossos trabalhos e estender os laços de união que nos unem a eles, nossos guias espirituais. O mar é o ponto de força de Yemanjá, as cachoeiras de Oxum, as matas de Oxóssi, as pedreiras de Xangô e Iansã, os campos abertos de Oxalá, os caminhos de Ogum, os jardins a beira-mar e cachoeiras dos Erês, os cemitérios de Omulú e as encruzilhadas dos Exus; aqui enumeramos os principais pontos de força dos Orixás e de algumas das entidades que trabalham na Umbanda.

A Umbanda é um movimento espiritual que sempre esteve ativo, muitas das vezes com nomes diferentes, mas sempre ativo. Cultuar os Orixás na natureza, nada mais é do que reconhecer a onde à árvore da vida dá seus melhores frutos. Os Orixás que se manifestam na umbanda são os regentes e ativadores das forças que habitam a natureza, o adepto é seu intermediário. O Orixá regente vai abrindo a cada mediador a cortina sobre seu poder de atuação no mundo espiritual e material de forma gradual, pois ainda não é o tempo de se levantar o véu de luz que oculta os grandes mistérios sagrados.

A origem do culto dos Orixás na Umbanda provém dos Negros Africanos que foram presos e trazidos escravizados para o Brasil. Devemos lembrar que a África não é um País e sim um continente e que os Negros em questão vieram de diferentes Nações Africanas, que tinham suas particularidades quanto aos cultos a seus “deuses”. Podemos citar os Nagôs ou Yorubás que habitavam regiões da atual Nigéria, Benin, Togo e Gana com o culto aos Orixás; os Bantos, trazidos da região do Congo e Angola com o culto aos Nkises e os Jeje (Fon) vindos da atual República Popular do Benin com o culto aos Voduns. Eles aqui de certa forma unificaram sua cultura e reorganizaram os cultos originais ao novo ambiente e situação, ficando mais difundida a cultura e religião dos Yorubas devidos o fato desses terem sidos escravizados nos períodos mais brandos da colonização Portuguesa, tendo assim mais liberdade quanto sua cultura e religião.

Estudos mostram que no continente Africano existiam de 600 a 1700 Orixás e que para o Brasil vieram cerca de 50 Orixás, onde apenas 16 sobreviveram nos Cultos de Nação, Candomblé. A Umbanda organizou as “manifestações divinas” em setes elementos principais, ou sete linhas, designados a sete Orixás Básicos que se manifestam em nível de terreiro, ou seja, de incorporação, sendo eles:

§  Ogum;

§  Yemanjá;

§  Oxóssi;

§  Xangô;

§  Iansã;

§  Oxum; e

§  Omulú.

Importante ressaltar que na Umbanda não incorporamos o Orixá, mas sim os seus enviados, falangeiros ou representantes, que são espíritos evoluídos que trabalham na manipulação ou no nível vibracional de cada uma dessas forças da natureza.

Podemos perceber também, a manifestação dos Orixás no ser humano através de seu caráter e atitudes, onde Yemanjá corresponde a nossa necessidade familiar e de amor fraternal; Ogumcorresponde a nossa necessidade de energia, defesa, determinação e tenacidade; Xangô corresponde a nossa necessidade de discernimento, justiça, estudo, raciocínio concreto e metódico; Iansã corresponde a nossa necessidade de mudança, deslocamentos, transformações materiais, avanços tecnológicos e intelectivos; Oxóssi corresponde a nossa necessidade de saúde, nutrição, expansão, energia vital, equilíbrio fisiológico; Oxum corresponde a nossa necessidade de equilíbrio emocional, concórdia, amor, complacência e reprodução; e Omulú corresponde a nossa necessidade de compreensão de carma, de regeneração, de evolução, transformações e transmutações carmicas.

Não incluímos Oxalá na relação de Orixás Básicos por considerá-lo acima dos demais Orixás e por também considerá-lo a conjugação de todos os demais Orixás, energia primária e original emanada de Olorum, Deus, o criador de todas as Coisas. Portanto Oxalá não é Orixá Básico, conseqüentemente não é regente de Ori (coroa) de médium nenhum na Umbanda, todos somos Filhos de Oxalá. Além do mais estamos falando em manifestações em nível de terreiro e na Umbanda ninguém incorpora Oxalá. Alguns se referem a Ele como Orixá Maior.

Há uma grande discussão em debate são as divergências quanto aos dias da semana de culto de cada Orixá, vemos essa diversidade em muitos terreiros. Para entrarmos nessa discussão teremos que lembrar que existem certas “verdades universais” que permeiam a humanidade desde seu surgimento na Terra. O homem sempre reconheceu uma força superior a ele que controla, mantêm e sustenta o mundo a sua volta. Esta força foi desmembrada em vários “deuses” pela manifestação sentida através da natureza, já que o homem sempre teve uma relação com a natureza, seus fenômenos e riquezas. Logo as forças da natureza cultuadas, de uma forma geral, não se modificam apenas se adaptam conforme a visão, cultura e evolução de cada povo.

Os Yorubás/Nagôs, nação que teve maior influência nos Cultos Afro-brasileiros, eram um povo da floresta, pouco se interessaram pelos astros, que ocuparam posição importante nos sistemas religiosos de povos que viviam em lugares abertos e altos. Para os Yorubás, as florestas e os rios eram mais importantes que a lua ou as estrelas. Sua semana de quatro dias não tem relação com as fases da lua, que em muitos povos originou a semana de sete dias. Vejamos então a Semana Yorubá/Nagô:

§  1º dia: Ojó Awo – é o dia da consulta a Ifá.

§  2º dia: Ojó Ogún – é o dia das conquistas e lutas.

§  3º dia: Ojó Jàkúta – é o dia da justiça.

§  4º dia: Ojó Obàtálá – é o dia de reverência a Oxalá.

Na maioria dos terreiros de Umbanda segue-se um modelo que foi adaptado pelos Negros Africanos, já que seu calendário era diferente do nosso, e apesar de algumas mudanças pela influencia de outras Nações, ficou um modelo meio que padrão que teve uma tendência há modificar um pouco mais com o surgimento das sete linhas de Umbanda, conforme a fundamentação e as raízes de cada Terreiro.

Por exemplo: Iansã sofre mudança, se a casa entender que ela faz parte da linha de Xangô seu dia será quarta-feira e se for da linha das Yabás no sábado; se for à linha das Almas, mas difícil de ser associada, será segunda-feira. Outros colocam Yemanjá no domingo por associá-la ao lar, as crianças e a família. Na Kimbanda, que também segue as tradições Angolanas, instituiu-se o dia de Exu, Pomba-gira e Ciganos na sexta-feira. Ficando então os Orixás e as linhas de trabalho distribuídos da seguinte forma:

·         Segunda Feira – Omulu, Iansã, Almas, Pretos Velhos e Exus

·         Terça feira – Ogum

·         Quarta Feira – Xangô, Iansã, Baianos e Boiadeiros

·         Quinta feira – Oxóssi e Caboclos

·         Sexta feira – Oxalá, Exús, Pomba-giras e Ciganos

·         Sábado – Oxum, Iansã e Yemanjá

·         Domingo – Ibeji (Erês/Crianças), Yemanjá e Oxalá

Com um estudo mais aprofundado, observamos que muitos como a cultura greco-romana, os povos do Egito, da Babilônia e Mesopotâmia, assim como os Maias, Astecas e Incas na América, observavam esses astros errantes e também cultuavam Deus em suas manifestações através das forças da natureza e associavam esse potencial a esses astros, os nomeando pelos nomes dos seus “deuses”. A Astrologia e a Ciência vieram mais tarde fundamentar esses cultos, nos mostrando as influências dos astros na natureza, onde podemos citar como um exemplo a influência da Lua nas marés, provando assim que o Universo se interage num tudo.

Seguindo essa linha de raciocínio e admitindo que uma dessas “verdades universais” é que Deus é único e que se apresenta diferentemente para cada povo de acordo com sua cultura, seu grau de evolução e entendimento, podemos observar que as características, arquétipos de cada Orixá e das várias divindades de outras culturas são muito parecidas se diferenciando apenas nos nomes e nas formas de culto.

Os gregos criaram um período de sete dias para seus sete planetas/deuses, período que hoje conhecemos como semana. Observamos que hoje em muitas línguas, esses dias são nomeados com os nomes dos planetas onde o primeiro dia é dedicado ao Sol, o segundo a Lua, depois Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus, e o sétimo a Saturno, e assim de acordo com sua característica e dia vejamos no quadro abaixo como ficaria o dia de cada Orixá:

 

Planeta (Nome Romano) Planeta (Nome Grego) Orixá Dia da Semana
Sol Apolo Oxalá Domingo
Lua (Diana) Artêmis Yemanjá Segunda
Marte Ares Ogum Terça
Mercúrio Hermes Xangô Quarta
Mercúrio Hermes Iansã Quarta
Júpiter Zeus Oxóssi Quinta
Vênus Afrodite Oxum Sexta
Saturno Crônus Omulú Sábado

 

Sabemos que esse tema é polêmico, mas essa polêmica se faz necessária, nossa intenção aqui é estimular o debate sobre o assunto.

Quem ainda não consegue entender a riqueza das diversidades das tradições e raízes de cada povo e as influencias das várias nações africanas nos diversos cultos vigentes no Brasil, jamais conseguirá entender a Umbanda com clareza, pois para eles, os Orixás, ou como carinhosamente os chamamos, nossos guias e mentores, pouco-lhes importam como os denominamos e em qual dia vamos reverenciá-los.

Oremos e pedimos a Oxalá que permita a cada mediador dentro do ritual da Umbanda, procurar se elevar moralmente e buscando expandir seus conhecimentos, sempre fortalecendo o elo de comunicação com seu mentor espiritual, manifestado e personificado na forma de um Orixá, se integrando cada vez mais com ele, podendo assim, através dele, irradiar a luz e a força de Deus, transmitindo suas energias reparadoras e mensagens de amor através da Caridade.

OLORUM, Deus, O criador

ORAÇÃO À OLORUM

“Olorum, meu Deus, criador de tudo e de todos. Poderoso é o vosso nome e grandiosa e vossa misericórdia.

Em nome de Oxalá, recorro a vós nesse momento, para pedir-lhe a benção durante meu caminhar rumo a vossa Vontade.

Que Vossa Divina Luz incida sobre tudo que criaste.

Com Vossas mãos retirem todo mal, todos os problemas e todos os perigos que estejam em meu caminhar.

Que as forças negativas que me abatem e que me entristecem, se desfaçam ao sopro de Vossas bênçãos.

Que o Vosso poder destrua todas as barreiras que impedem meu progresso rumo a Tua verdade.

E que Vossas virtudes penetrem e meu espírito dando-me paz, saúde e prosperidade.

Abra Senhor os meus caminhos, que meus passos sejam dirigidos por Vós para que não tropece em minha caminhada.

 

Assim seja! Salve Olorum!”

 

 

 

“Olorum”, ou “Olodumaré”, ou Zambi, é o criador do Universo, é o próprio princípio criador em eterno movimento, fonte de tudo o que somos e de tudo o que nossos sentidos possam perceber.

Se quisermos encontrar Olorum, temos que procurá-lo primeiramente em nós mesmos, Ele é o princípio que rege tudo e todos, é infinito em suas perfeições, é eterno, imutável, imaterial e único. É todo poderoso porque é único, e é sobre tudo, soberanamente justo e bom.

Para acreditar em Deus, Olorum, basta o homem lançar os olhos sobre as obras de sua criação. Duvidar de sua existência seria negar que todo efeito tivesse uma causa, e admitir que o nada possa fazer alguma coisa.

Deus, Olorum, não é uma força ordenada pelo homem, muito pelo contrário, por mais sábio que seja o homem, uma religião, ou a própria humanidade, jamais conseguirá penetrar em seus mistérios. Esse “saber”, seus mistérios ou qualquer que seja o nome que lhes dê: Jeová, Alá, Brahama, Zambi, pouco significa perante o criador, são apenas formas diferentes para expressar a mesma coisa.

Quando adquirimos conhecimentos a respeito dos muitos meios que Olorum se utiliza para comunicar-se conosco, vamos em busca de Sabedoria, esta que nos revela seus mistérios ocultos e sagrados, e quando nos tornamos sábios, procuramos nos guiar pela Razão ou pelo Raciocínio, este que nos ensina a usar o que a Sabedoria nos revelou: seus mistérios divinos, sua força ativa e sua razão de ser.

A escolha racional nos leva ao equilíbrio da alma, este equilíbrio nos diz o que é certo e o que é errado na vida, e é isso que faz com que aqueles que já adquiriram o seu equilíbrio e se tornaram conhecedores da Lei, se sacrifiquem em beneficio de seu semelhante, sem nada esperar em troca, e quando alguém se torna um “equilibrador” de seus semelhantes, baseado sempre na Caridade pura, que é a Lei maior ensinada pelo Mestre Jesus ou “Oxalá” , como nós o chamamos, é porque descobriu o verdadeiro sentido da vida, adquirindo uma fé indestrutível no criador, Olorum.

Essa Fé nos faz perceber a grandeza da força de Olorum, nos faz também transbordar em Amor, e quando amamos a nós mesmos como obras de Olorum, conseguimos amar e respeitar a vida de nossos semelhantes e a natureza como a nossa própria vida, percebendo assim nas coisas mais simples a essência do criador, vendo que uma simples pedra não é menos importante que uma montanha, pois tudo é obra de Deus, Olorum.

Poderíamos falar Muito mais a respeito de Olorum, mas ainda não estamos preparados para conhecermos todos os seus mistérios, por isso é que devemos buscar cada vez mais nos esclarecer e nos elevar moralmente para que no seu devido tempo, possamos ter o merecimento de obter todas as respostas a respeito de Olorum, Deus, o criador de tudo e de todos.

OXALÁ, O Equilíbrio e a Fé

ORAÇÃO À OXALÁ

Oxalá, divina manifestação do bem, Senhor da perfeita sabedoria e do bendito amor.Oh Pai! Vós que recebestes o poder do supremo doador para tudo e todos, protejei-me das ciladas ilusórias do mundo enganador e despertai-me para a realidade da vida imortal.

Sois a imaculada irradiação do altíssimo, vosso nome é maravilhoso e compassivo, me guie com ternura e esperança para Aruanda, cidade da Luz.

Eu venho a vós, preso na mais grosseira materialidade e afogado em sentimentos inferiores, arrependido rogo-te pela salvação de minha consciência.

Junto a Vós, trilho por caminhos iluminados, porque sois a Divina pureza acolhedora e misericordiosa.

Santo nome envolvei-me em sentimentos fraternos de real amor, afim de que chegue até Vós.

Oxalá, meu pai, tende pena e compaixão de mim.

 

Êpa, Babá! Salve Oxalá!”

 

Falar de Oxalá é falar de algo que é para ser sentido, não tocado, pois Ele é a luz que equilibra tudo e todos. É o maior dos Orixás da Umbanda, e o único a manifestar-se fisicamente aos homens, na conformação de Jesus Cristo, com a missão de esclarecer as Leis do Criador e reequilibrar a humanidade através das Leis do Amor e da Caridade. A Ele só importa o que fazemos e o que pensamos, pois é a Ele a quem devemos prestar contas de nossos atos, porque Ele é a própria lei de Deus em execução.

Por ser o maior dos orixás, não tem um ponto de força específico, seu poder se manifesta em todos os lugares, mas muitos o associam a energia solar e a dos demais astros. É representado pela estrela de seis pontas, sua cor é a branca e seu dia da semana é o Domingo e sua saudação é “Epá, Babá!”. É sempre invocado nos Rituais da Umbanda para reequilibrar as manifestações ou para devolver o equilíbrio tanto do espírito quanto do corpo físico. Por isso é que quanto mais puros são os nossos ideais e procurarmos cada vez mais nos elevarmos moralmente, mais próximos Dele estaremos.

Na Umbanda os trabalhos que são realizados sob a regência de Oxalá são sempre doutrinadores, e as entidades que são regidas por Ele, trabalham na linha da Fé, mas para que possam chegar a esse nível de elevação, é necessário que tenham passado por todas as linhas de força dentro dos rituais da Umbanda, e que também conheçam todos os pontos de força da natureza e seus campos de atuação no mundo material e espiritual. Essas entidades são de um equilíbrio maravilhoso, suas palavras transmitem toda a sabedoria que foi sedimentada com o tempo e a experiência nos trabalhos.

Poderíamos falar muito a respeito das linhas de trabalho que atuam sob a regência de Oxalá, mas muito ainda nos é oculto, seus mistérios não são totalmente revelados. Podemos apenas dizer que Oxalá é Luz, é Vida e que seu poder só se revela quando somos guiados pela Fé, esta que é o atributo mais apreciado por Ele, a Humildade é o que mais exige de nós, a Bondade é a melhor forma de nos apresentarmos a Ele. Pureza, Humildade e Bondade são a sua essência.

Oxalá é a Fé que nos ampara nas horas difíceis, nos devolvendo o equilíbrio tanto físico quanto psicológico, é também a Fé que nos faz acreditar que existe algo Maior, um Deus maravilhoso que sempre está disposto a nos ouvir e que sempre se faz presente em nossa vida, através de pequenos gestos e ações.

Na Umbanda, como já vimos, Oxalá não é Orixá Básico, conseqüentemente não é regente de Ori (coroa) de médium, todos somos Filhos de Oxalá. As pessoas que buscam por em prática os atributos de Oxalá, se tornam predominantemente bondosas, perfeccionistas, cultivam a liberdade e se sobressaem por uma autoridade ponderada. Mas quando se deixam levar pelo o ego, se destacam pela inveja, pela vaidade, pela maledicência se tornando assim, autoritários e temperamentais.

Para que possamos descobrir mais sobre os mistérios de Oxalá, que comecemos adquirindo os seus quatro atributos essenciais: a Pureza, a Bondade, a Humildade e a Simplicidade, seguindo seus exemplos e praticando a Caridade sempre baseados em sua Lei Maior: “Amar ao próximo como a si mesmo”, fazendo assim aos outros somente o que queiramos que nos façam, buscando sempre termos fé e confiança para com isso alcançarmos os objetivos que nos são propostos pelo Criador e para que no decorrer desta caminhada possamos ser sempre amparados por Ele.

OGUM, O Equilíbrio

ORAÇÃO À OGUM

Ogum meu Pai, que minhas palavras e pensamentos cheguem a vós em forma de prece.Que esta prece corra o mundo e chegue aos necessitados em forma  de conforto a suas dores.

Que corra os quatro cantos da terra e chegue aos meus inimigos em forma de brado de advertência, pois sei que sendo seu filho e nada tenho a temer.

Ogum, padroeiro dos agricultores, fazei com que minhas ações sejam sempre férteis, como o trigo que cresce e alimenta a humanidade.

Ogum, Senhor das estradas, fazei de mim um verdadeiro andarilho, que eu seja sempre um fiel caminheiro seguidor de seu exército e que em minhas caminhadas só hajam vitórias.

Que, mesmo quando aparentemente derrotado, eu seja vitorioso, sendo vosso filho conheço as batalhas, e sei que ao seu lado a minha vitória será certa.

Ogum, meu grande pai e protetor, fazei que meu dia de amanhã seja tão bom quanto o de ontem e hoje; que minhas estradas sejam sempre abertas; que eu trabalhe para que em meu jardim só hajam flores; que meus pensamentos sejam sempre bons e aqueles que me procurar, consigam sempre o remédio para seus males.

Senhor dê luz aos meus inimigos, pois me perseguem porque vivem nas trevas.

Pai, livrai-me das pragas, das doenças, da inveja, da mentira e da vaidade, que só me levam a destruição.

 

Ogum Iê! Sarava Ogum!”

 

Ogum é o Orixá guardião do ponto de força que mantêm o equilíbrio entre a Luz e as Trevas, entre o Positivo e o Negativo, a Paz e as Discórdias, por isso é chamado “O Senhor das Demandas” e é conhecido como Orixá da guerra.

Sabemos que tudo no mundo gira em torno do equilíbrio entre o Bem e o Mal, e como não é possível termos uma posição passiva no desenrolar da vida, temos sempre que ter Ogum como guia nesta viagem, pois Ele sempre nos avisa quando saímos dessa linha de equilíbrio. Sabemos também que tudo é regido pela Lei imutável do Criador, quando não nos mantemos equilibrados e ultrapassamos os limites dessa Lei encontramos Ogum, pois Ele é o Orixá que vigia a execução dos carmas e que tem sob a sua regência e controle tanto as forças da Luz quanto as Trevas. É também o Orixá que vigia os caminhos que nos levam tanto para o bem quanto para o mal, por isso sem Ogum a Justiça de Xangô não seria executada e o equilíbrio não seria restabelecido.

O campo de ação de Ogum é composto pelo impulso que nos move para alguma direção, impulso este que nos faz lutar por alguém ou alguma coisa, e quando lutamos em auxílio de alguém O temos como guardião, porém quando odiamos ou atrapalhamos alguém, O temos a nossa frente para nos bloquear.

Ogum é o Orixá mais cultuado e de maior devoção dentro dos Rituais da Umbanda, Ele atua no equilíbrio entre os sete elementos fundamentais do nosso planeta: a Água, o Fogo, a Terra, o Ar, o Cristal, o Mineral e o Vegetal, fazendo assim cumprir as Leis do Criador levando o equilíbrio e a ordem entre as energias geradas por estes elementos. Sua cor é a vermelha, seu dia da semana é terça-feira e sua saudação é “Ogum Ie”. Seu campo de ação se estende também aos sentidos e sentimentos humanos, Ele é o equilibrador destes sentimentos e sentidos. Por isso é que quando alimentamos nossos sentimentos negativos, deixando assim que os mesmos se sobressaem, é aí que entra Ogum, anotando todas as nossas ações para uma posterior cobrança e reequilibro. Ele também é o Orixá que controla o impulso que nos move para alguma direção, impulso este que nos dá a garra e a força necessárias para lutarmos pelos nossos objetivos e ideais, e quando utilizamos esta força para o Bem ou lutamos em auxílio de alguém, O temos como guardião, nos amparando e nos defendendo, porém quando usamos essas forças para o mal, O temos a nossa frente nos bloqueando e nos fazendo voltar ao caminho certo.

As pessoas que são regidas por Ogum são leais, persistentes e sinceras, se sobressaem pela coragem, são destemidas, não se deixam intimidar pelos obstáculos, e sempre guiados por uma emoção forte e verdadeira, não medem esforços para alcançarem seus ideais, impondo assim a Lei e a Ordem. Mas quando se deixam levar pelo ego se tornam indisciplinados, arrogantes, ciumentos, covardes e egocêntricos, são também muito teimosas e quando magoadas não perdoam facilmente.

Isso tudo é Ogum, o Orixá que nos dá a força necessária para não recuarmos diante dos obstáculos que temos que superar em nossas vidas, nos equilibrando e vigiando sempre nossos atos. E quando somos guiados pela Verdade e pelo Bem, Ele é o guerreiro que abre nossos caminhos e que nunca nos abandona. Assim sendo, que possamos estar sempre vigilantes de nossos atos, conscientes de que Ogum estará sempre ao nosso lado, com sua força carmica, colocando em prática as Leis do Criador, mantendo assim o equilíbrio e a ordem sobre todas as coisas.

YEMANJÁ, a Vida

ORAÇÃO À YEMANJÁ

Yemanjá, grandiosa mãe, que os movimentos das ondas transmitam sua paz e seu amor.Derramai seus fluidos vitais sobre mim purificando meu espírito e meu corpo, para que quando estiver fraco, me sinta protegido no aconchego de  vossos braços.

Quando estiver afogado em meu orgulho e arrogância, me torne humilde e benevolente perante sua bondade e grandeza.

Que os doentes recebam de vós, minha Santa Rainha, a cura  através das emanações de vossas vibrações vitais.

Que a força de vosso reino seja para mim, um escudo contra as más influências.

Que o vosso sagrado manto agasalhe e traga calor a todos os necessitados.

Senhora tende piedade de tantos, que como eu, vos invocamos nesse momento, que vossa misericórdia se estenda a todos os reinos de Olorum.

 

Odo Yá! Salve Yemanjá.”

 

 

Yemanjá é a Orixá doadora da vida, é a guardiã do Ponto de força da natureza, o Mar, para onde tudo é levado para ser purificado, por isso Ela é por excelência um princípio do Criador, o grande doador da vida. A gênese bíblica nos revela que Deus modelou o homem com a terra, mas para fazê-lo certamente usou a água, e Yemanjá é isso, a água que nos dá a vida.

Podemos observar que o próprio planeta Terra e todos os seres que nele habitam, são constituídos por uma porção muito maior de água, por isso é que somos regidos e sofremos uma maior influência das energias geradas pela água, pois quando não há água não há vida, e sem vida nada existe.

Yemanjá é um princípio da vida, é dos Orixás a que tem o maior ponto de força da natureza, Ela é um princípio do Criador por excelência, pois é do mar que saem as irradiações energéticas que purificam e regeneram tudo em nosso planeta. E como já vimos, tudo em nosso planeta gira em torno das energias geradas pelos elementos fundamentais da natureza e como somos seus dependentes direto, manifestamos suas influências em nossa própria maneira de ser, sendo assim podemos observar que as pessoas que habitam as regiões onde há muita água são mais emotivas e criativas do que as que habitam as regiões mais desérticas.

Yemanjá na Umbanda tem sob sua regência milhares de falanges de espíritos que desenvolvem seus trabalhos sob os domínios de sua energia. Para muitos estudiosos “Nanam” e “Oxum” são consideradas Orixás regidas por Yemanjá, por serem consideradas um desdobramento do mesmo princípio: a Água, que é considerada um dos mais ricos elementos existentes na Terra. Sendo assim Yemanjá delega a Nanam o poder sobre a chuva e a água doce, e a Oxum a coordenação dessas águas nos rios, lagos e cachoeiras. Podemos ver na alegria das pessoas quando estão em contato com a água, o quão magnífico é o poder de revitalização de sua energia.

As pessoas que são regidas por Yemanjá se destacam por sua magnitude, são serenas, extremamente destemidas e criativas, mas quando se deixam levar pelo ego, se tornam rudez, cruéis, insensíveis, orgulhosas e com uma fobia, um medo excessivo das coisas.

Yemanjá tem como elemento fundamental a água, e por isso é regente de toda a fonte do elemento líquido do nosso planeta, onde podemos citar os mares e oceanos, os rios, lagos, córregos e cachoeiras. É representada pela figura da Lua, sua cor é o Branco e o Azul-claro, e seu dia da semana é Sábado e sua saudação é “Odo Iá!”.

Yemanjá é a mais respeitada dos Orixás, dificilmente encontramos entidades utilizando o lado negativo de sua energia, pois como sabem que Ela é uma mãe protetora e ciumenta, também sabem que Ela não perdoa, sendo rígida com aqueles que vão a seu ponto de força para fazerem o mal. Sendo assim, desejamos que todos que se interessam pelo mar e os outros mananciais aquáticos de nosso planeta, comecem a olhá-lo com mais respeito, para que possam ser merecedores de seus fluidos revitalizadores, fluidos estes que nos transmitem as energias regeneradoras necessárias para melhor seguirmos nessa grande viagem, que é a vida.

E que possamos também buscar conhecer melhor Yemanjá, que é uma grande mãe amorosa, pois assim estaremos conhecendo um dos próprios princípios do Criador, pois Yemanjá é a manifestação física do princípio da vida, que é derramado sobre nós. Isso tudo é Yemanjá, a Rainha do mar, o princípio gerador da vida, a guardiã do ponto de força da natureza, o Mar.

OXÓSSI, O Conhecimento

ORAÇÃO À OXÓSSI

Meu Pai Oxóssi, vós que recebestes de Oxalá o domínio das Matas, de onde tiramos o oxigênio necessário à manutenção de nossas vidas.Inundai meu corpo com vossa energia curando meus males.

Vós, que sois protetor dos Caboclos, dai-lhes a vossa força, para que possam me transmitir toda pujança e a coragem necessária para suportar as dificuldades a serem superadas.

Dai-me paciência, paz de espírito e tranqüilidade  para superar todas as ingratidões e calúnias.

Dai-me a sabedoria necessária para transmitir uma palavra de alento e conforto à todos aqueles que estejam sofrendo as enfermidades e aflições deste mundo.

Dai-me vossa proteção através de seus Caboclos, que num gesto de humildade, baixam até nós, trazendo toda vossa vibração.

 

Okê Caboclo! Sarava Oxóssi!”

 

 

 

Quando falamos em natureza, logo nos vem em mente, as matas e as florestas, ou seja, tudo o que é puro e ainda não foi destruído pelas ações do homem, que é um ser racional, mas um predador por excelência. Oxóssi é isso, uma essência pura do criador, que atua através do ponto de força da natureza, as matas.

A ciência nos revela que as árvores são purificadoras do ar, mas elas também são grandes emissoras de fluidos etéreos vivificantes, que são absorvidos pelos seres vivos através do oxigênio, pela respiração, e isso é Oxóssi, a irradiação das energias benéficas das matas que regeneram e purificam toda a vida na crosta Terrestre.

Oxóssi também é considerado o Orixá da caça e da fartura, protetor dos caçadores, pois através deste processo de purificação e regeneração do planeta tem como missão garantir a vida dos animais e plantas, para que estes sirvam de alimento aos homens e aos demais animais na cadeia alimentar.

Oxóssi é o responsável pelo campo de força da natureza, as Matas, seu elemento fundamental é o ar e todos os gases existentes no universo, representado por um aço e uma flecha, sua cor é a verde, seu dia da semana é quinta-feira e sua saudação é “Okê Caboclo”. Os homens que tem como orixá regente Oxóssi se destacam pelo companheirismo e por sua sensibilidade, cultuam a liberdade e são aventureiros, doam o máximo de si em favor do próximo, mas quando se deixam levar pelo ego, se tornam irresponsáveis, vingativos, mesquinhos e miseráveis.

Nos rituais da Umbanda existem milhares de falanges que trabalham sob a regência de Oxóssi, são nelas que trabalham os Caboclos, entidades que têm a missão de transmitir suas lições e também serem o elo entre o médium e seu Orixá regente.

Os trabalhos que são desenvolvidos sob a regência de Oxóssi, são todos doutrinadores, estes espíritos também têm a missão de resgatarem seus irmãos sofredores e ignorantes, e com os ensinamentos e as energias regeneradoras de Oxóssi, reequilibram suas energias, curando-os e doutrinando-os, para que depois possam ser encaminhados às linhas de força, para aí cumprirem as missões as quais foram destinados pelo grande Pai e Criador.

Assim podemos observar quão importante é a sua missão, pois quantas entidades se manifestam nos Terreiros como Baianos, Boiadeiros, Marinheiros e Exus que foram doutrinados pelos Caboclos, que são espíritos de alta hierarquia, humildes, simples e nobres.

Muitos pensam que os Caboclos são só espíritos de índios, mas eles são na realidade oriundos de vários povos e regiões, e plasmam esta conformação perispiritual para apresentar a simplicidade desses povos, e pela afinidade com a natureza dos trabalhos que são realizados.

Se as outras religiões o quisessem poderiam aprender muito com os Rituais Sagrados da Umbanda, que pelos ensinamentos de Oxóssi nos ensinam a reverenciar toda a criação Divina e que através da Caridade podemos auxiliar e reequilibrar as pessoas. Caridade esta que não tem preço e nem recompensas materiais, e não se implica na conversão religiosa das pessoas, pois pouco importa para nós Umbandistas sua Raça, seu Credo, ou sua Origem, o que realmente importa é o motivo que as trazem aqui, a sua Fé e a vontade de querer melhorar-se, isto sim é algo que todos deveríamos saber, para assim podermos respeitar a Umbanda e seus Rituais Sagrados.

Com isso desejamos sempre que Oxóssi através de seus caboclos, que atuam espalhados pelas sete linhas de força da Umbanda com humildade e harmonia com os reinos elementares da natureza, possam estar sempre nos orientando e absorvendo as cargas negativas de nosso corpo carnal e espiritual, para que com isso possamos melhor caminhar rumo aos objetivos que o grande Doador e Criador, Olorum, nos propõe.

XANGÔ, A Justiça

ORAÇÃO À XANGÔ

Meu Pai Xangô, o Senhor que é Rei da Justiça, faça  valer sempre a vontade Divina, purifique minha alma nas águas de sua cachoeira.Se errei, conceda-me a luz do perdão.

Faça de seu peito largo e forte meu escudo para que os olhos de meus inimigos não me encontrem.

Empresta-me sua força de guerreiro para combater a injustiça e a cobiça.

Que seja feita a justiça para todo o sempre.

Conceda-me  a graça de receber sua luz e sua proteção.

Minha devoção te ofereço.

 

Kawô Kabecile! Salve Xangô!”

 

 

 

 

Xangô é o Orixá guardião do ponto de força da justiça, é o senhor do fogo e como tal age quando decide punir os que afrontam a Lei do Criador, lei esta que é como a rocha que esmaga e aniquila a todos que carregam seu peso sobre os ombros.

Mas Xangô esta sempre disposto a nos ouvir, se nossa demanda for justiça, nos acompanhará, e se for injustiça, nos esclarecerá e se mesmo assim não o ouvirmos, seremos então submetidos as rigores da Lei, que são o seu reverso. Sua Luz é o amparo, seu fogo é a purificação, pois somente pelo fogo o minério bruto e imperfeito é fundido e temperado, assim eliminando toda sua impureza se tornando perfeito.

Como já vimos tudo na vida tem seu dois lados: o positivo e o negativo, a Luz e a Escuridão, o Bem e o Mal. Sendo assim todos os homens também tem estes dois lados e a facilidade de ir de um para o outro, de acordo com a situação que vivencie, temos então que buscar o equilíbrio entre eles, não sendo omissos em respeito aos nossos atos, sabendo admitir nossos erros, procurando corrigi-los e sendo humildes em recuar a uma situação onde o mal esteja prevalecendo, buscando o conhecimento e as forças necessárias para melhor combatê-lo, pois assim permaneceremos sempre em uma escala ascendente de evolução e não afundados em nossa própria arrogância.

Quem compreende o verdadeiro sentido das leis do equilíbrio e a ela se submete, estará sempre por ela amparado. Mas quem ousar a desafiá-la e tentar fugir dela, por ela será castigado e abandonado. Por outro lado quem se redimir e reconhecer seus erros e se curvar a ela, a terá de volta ao seu lado. Que ninguém use os mistérios Divinos pra prejudicar ninguém, senão irá passar pela balança de Xangô, e o peso da lei o atirará nas trevas.

De todos os orixás da Umbanda, Xangô apesar de rígido, sério e calado, é o que mais gosta de falar da lei, e se todos que o procurarem tiverem a paciência e a humildade necessária para entendê-lo, serão lentamente envolvidos por seus fluidos energéticos equilibradores, se restabelecendo.

Podemos observar que as pessoas que são regidas por Xangô se destacam pela obstinação, pela inteligência, por serem ponderadas, e por honrarem sua dignidade e seu brio, mas quando se deixam levar pelo ego se tornam mesquinhos, extremamente vaidosos, conservadores, intolerantes e orgulhosos.

Xangô é o Orixá da Justiça, o Senhor dos Raios e Trovões, é aquele que coordena todas as leis cósmicas do Criador, seu elemento fundamental é o Fogo e a Terra, sua cor é o marrom, seu dia da semana é quarta-feira, seu ponto de força e vibração são os raios e trovões, são as pedreiras nas montanhas, rios cachoeiras e mares e sua saudação é “Kawô Kabecile”.

Alguns descrevem sua força de atuação dizendo que o Xangô da Pedra Branca ampara, enquanto o Xangô da Pedra Negra executa. O das cachoeiras e mares purificam, assim também como o do fogo que queima tudo o que há de ruim em nós. O Xangô da Terra ampara os que caíram e aguarda que despertem de sua ignorância, o dos raios é o que traz as Leis Divinas do Alto para a Terra, e o do tempo é o que julga a duração das penas da Lei.

Se todos pudessem buscar conhecer os mistérios de Xangô, agiriam com mais equilíbrio, se policiando para que não sejam submetidos aos rigores da lei. Que ninguém desafie as Leis Divinas, se não, encontraram muitas pedras em seu caminho, todas colocadas por Xangô, o Orixá da Justiça e do Fogo purificador.

IANSÃ, A Lei em Ação

ORAÇÃO À IANSÃ

Iansã, grande guerreira, Orixá dos raios e dos ventos, ajude-me com sua energia a vencer as lutas e as dificuldades.Oyá, senhora dos ventos e das tempestades, coloco em tuas mãos minhas ações, meus desejos e preocupações.

Em tua Luz, consagro todos os minutos e horas do meu dia, para que eu compreenda todo bem que precise fazer, e tenha força para não ceder ao mal que venha bater em minha porta.

Que eu  seja mais fraterno, compreensivo e capaz de perdoar.

Guie meus passos no caminho do bem e do amor; e que hoje, mais que ontem, possa contar com suas orientações e bênçãos.

Com sua espada haverei de cortar a inveja e a falsidade de meus inimigos.

Retirai as vendas que me impedem de enxergar a verdade. Com a força de seus raios, peço que acenda a chama da vida aos desenganados e  dê a força necessária para que continuem lutando na busca da cura de seus males.

 

Êpa, Hei! Sarava Iansã!”

 

Iansã é a rainha das tempestades e ventos, Senhora da Justiça, a Orixá do tempo, responsável juntamente com Ogum na execução dos carmas na Linha da lei onde Xangô é o Juiz. É representada na Umbanda pelo símbolo de um raio, seu dia da semana é quarta-feira, sua cor é o Amarelo-coral e sua saudação é “Epa Hey”.

Seu campo de atuação é o tempo, este que é a execução da Lei para aqueles que subverteram seus princípios básicos, ele age de forma imperceptível sobre as almas daqueles que deixaram o corpo e vagam a procura de seu plano vibratório, conduzindo-as conforme os desígnios dos executores do carma, pois o tempo é a própria sentença da Lei em execução, tanto na forma de castigo como na de recompensa. Quando temos pesados débitos para saldar e aceitamos passivos e humildes a execução da lei, o tempo é generoso, mas quando nos revoltamos contra a lei o tempo se torna eterno, nos fazendo perder o contato com a própria realidade.

Iansã como Orixá do tempo é implacável, mas justa em sua execução. O tempo é o meio entre o Alto e o Baixo, seu reino não pertence nem a Luz nem as Trevas e como age tanto na Luz quanto nas trevas não temos como escaparmos de suas malhas, pois ele não tem limites.

Iansã também é um Orixá da lei, que tem junto com Ogum a função de levar a todos os planos as mensagens de xangô, que é o guardião das Leis. A Ela compete agir com o rigor exigido para o reequilíbrio astral dos espíritos. Ela distribui aos eguns, espíritos desencarnados, o fluido que sacia sua sede de clemência diante da lei, purificando-os antes de encaminhá-los á seus planos para lá cumprirem seus carmas. Ela também é encarregada de executar a justiça dentro do campo Santo, ou cemitério, onde Ela é a própria espada da Justiça, agindo de forma rigorosa sobre aqueles que lá ficaram presos pelos débitos adquiridos em sua passagem na carne e para isso tem como colaboradores os Exus de Lei e eguns redimidos, que ao servirem-na procuram apagar as marcas da lei.

Iansã também atua através do Ar, e por isso não tem um ponto de força específico, pois o ar se encontra em qualquer lugar. Sua força é a própria força do ar em movimento e seu poder é imenso, sua manifestação é gélida, causando tremores a quem dela se aproxima.

Quando alguém vai em busca de seu auxílio e está com a justiça ao seu lado, tem a mais poderosa força a sua disposição, pois quando Iansã volta a sua face luminosa para alguém justo, este é amparado por onde passar.

As pessoas que são regidas por Iansã são leais, determinadas, distintas, resistentes, dominadoras, corajosas e extremamente sedutoras, mas quando se deixam levar pelo ego se sobressaem pela falsidade, pela luxúria, pelo ciúme exagerado, se tornando violentos e fúteis e cultivando hábitos viciosos.

Isto é Iansã, a Orixá dos ventos e das tempestades, aquela que executa as sentenças carmicas. Se todos a conhecessem realmente, não a invocariam por motivos fúteis, pois como a Lei, Ela é rigorosa em sua cobrança e imparcial em sua execução. Infeliz daqueles que caírem sob seu poder na execução da justiça. Conscientes disto possamos sempre estar atentos aos nossos atos para que possamos sempre contar com Iansã ao nosso lado, com seu imenso poder de atuação e com sua espada que é o símbolo da justiça e da execução do carma.

OXUM, O Amor Divino

ORAÇÃO À OXUM

Salve Oxum, dourada senhora da pele de ouro, bendita são tuas águas que lavam meu ser e me livram do mal.Oxum, divina rainha, bela Orixá, venha a mim, caminhando na lua cheia, trazendo em suas mãos os lírios do amor de paz.

Torna-me doce, suave e sedutor como tua és.

Oh! Mamãe Oxum, poteja-me, faça que o amor seja constante em minha vida, e que eu possa amar toda a criação de Olorum.

Proteja-me de todas as mandingas e feitiçarias.

Dai-me o néctar de sua doçura e que eu consiga tudo o que desejo: a serenidade para agir de forma consciente e equilibrada.

Que eu seja como suas águas doces que seguem desbravadoras no curso dos rios, entrecortando pedras e se precipitando as cachoeiras, sem parar nem ter como voltar a traz, apenas seguindo meu caminho.

Purifique minha alma e meu corpo com suas lágrimas de alento.

Inunda-me com sua beleza, sua bondade e seu amor, enchendo minha vida de prosperidade.

 

Ora iêiê ô! Sarava Oxum!”

 

Quando falamos de Oxum, falamos em Amor, pois Oxum é o próprio Amor de Deus em ação, e logo nos vem em mente uma mãe amorosa, porém ciumenta e geniosa.

Oxum atua no ser humano através do amor, representados pelas águas que caem e seguem seu curso, é a lágrima incontida nos momentos de provação, pois através das lágrimas liberamos nossa emoção negativa que nos magoa, angustia e nos sufoca e assim podemos continuar nossa caminhada. São dela os fluidos curadores do astral que agem sobre os espíritos arrependidos dos erros do passado.

Oxum é dona do Campo de Força da Natureza os Rios e Cachoeiras, é fonte de energias purificadoras. É cultuada como uma mãe afetuosa que ampara seus filhos com seus fluidos regeneradores, através das quedas d’água ela libera esses fluidos regenerando e equilibrando seus filhos. Oxum quando ampara seus filhos é uma fonte de energia purificadora, mas quando contrariada, é uma fonte desestabilizadora.

Na queda das águas há uma liberação de energia e na queda de uma alma também há uma liberação de energia através dos sentimentos e ações que a fizeram cair. Quando percebemos essa queda nos desesperamos e muitas das vezes choramos. Eis aí a força cômica de Oxum agindo sobre os sentimentos humanos sob forma de lágrimas purificadoras. Quem conhece Oxum não se torna árido porque sabe que as lágrimas são o remédio mais eficaz na purificação dos fluidos negativos, por isso alguns dizem que as cachoeiras são as lágrimas de Olorum para nos purificar. Toda vez que uma cachoeira é devastada o planeta adoece, pois uma fonte natural de purificação e energização é destruída.

Mas Oxum também é a força que quando atua no negativo dos seres pode desestabilizar emocionalmente quem for seu alvo de ação. Geralmente o uso dessa energia é mais para desfazer trabalhos que para fazê-los, pois quem vai atrás de sua força para fazer o mal sabem que um dia irão chorar para lavar com suas lágrimas todo mal que fizer. Mas aí já será Xangô julgando aqueles devem ao Criador pelo mau uso das Forças da Natureza. Oxum não executa, ela apenas nega a quem erra o fluido vital emanado de seu campo de força.

As pessoas que são regidas por Oxum são sensíveis, dóceis, muito amigos e extremamente sedutores, mas quando se deixam levar pelo ego se sobressaem pela falsidade, pela luxúria, pelo sentimento de posse, são volúveis e inconstantes. Na Umbanda seu dia da semana é no Sábado, sua cor é o amarelo-ouro e sua saudação é “Ora iêiê ô!”

Tudo isso é Oxum, é a Orixá do amor, da prosperidade e da beleza, é a padroeira da gestação e da fecundidade, é responsável pelas uniões amorosas e financeiras e pela purificação e fortalecimento do nosso espírito e energização de nosso corpo.

OMULÚ, O Princípio Curador

ORAÇÃO À OMULÚ

Oh, Omulú, Mestre da Vida! Proteja seus filhos para que suas vidas sejam marcadas pela saúde.Eu te suplico, mestre! Me ajoelho diante de Teu poder imenso, pois meu corpo está enfermo, minha alma está imersa na amargura de um sofrimento que me destrói lentamente.

Tome meu corpo e minha alma em teus braços, vós que és o limitador das enfermidades, que és médico dos corpos terrenos e das almas eternas.

Suplico sua misericórdia aos males que me afetam. Que suas chagas abriguem minhas dores e sofrimentos. Se achares porém, que ainda não terminou minha missão nesta encarnação, encoraja-me com o exemplo da tua humildade e da tua resignação. Revigora meu espírito para que possa enfrentar e me curar todos os males e infortúnios da matéria. Alivia meus sofrimentos, para que levante deste leito e volte a caminhar.

 

Atotô meu Pai! Salve Omulú.”

 

Omulú é o orixá que rege a morte, ou no instante da passagem do plano material para o plano espiritual, o desencarne. È dono do Campo de Força da Natureza a Terra e os Campos Santos, os Cemitérios.

É com tristeza que temos visto o temor dos irmãos umbandistas quando é mencionado o nome do nosso amado Pai Omulú. E no entanto descobrimos que este medo é um dos frutos amargos que nos foram legados pelos ancestrais semeadores dos orixás em solo brasileiro, pois difundiram só os dois extremos do mais caridoso dos orixás, já que Omulú é o guardião divino dos espíritos caídos.

O orixá Omulú guarda para Olorum todos os espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e entregaram-se a vivencia de seus vícios emocionais.

Mas ele não pune ou castiga ninguém, pois estas ações são atributos da Lei Divina, que também não pune ou castiga, ela apenas conduz cada um ao seu devido lugar após o desencarne. E se alguém semeou ventos, que colha sua tempestade pessoal, mas amparado pela própria Lei, que o recolhe a um dos de seus domínios. Tatá Omulú é um desses guardiões divinos que consagrou a si e à sua existência, enquanto divindade, ao amparo dos espíritos caídos perante as leis que dão sustentação a todas as manifestações da vida.

Esta qualidade divina de Omulú, interpretada de forma incorreta ou incompleta, foi definido no decorrer dos séculos como um dos orixás mais “perigosos” de se lidar, ou um dos mais intolerantes, sempre implacável nas suas punições. Mas Tatá Omulú você pode descobrir o grande amor de Olorum, pois é por puro amor que uma divindade consagra-se por inteiro ao amparo dos espíritos caídos e é por amor a nós que ele assumiu a incumbência de nos paralisar em seus domínios, sempre que começássemos a atentar contra os princípios da vida.

Temos a capacidade de gerar muitas coisas, geramos idéias, projetos, conhecimentos, inventos, doutrinas, anseios, desejos, angústias, depressões, fobias, preceitos e princípios. E se o q gerarmos estiver de acordo com os princípios sustentados pela irradiação divina, que na Umbanda recebe o nome de “linha da Geração” ou “sétima linha de Umbanda”, então estamos sob a irradiação da divina mãe Yemanjá, que nos estimula. Mas, se em nossas “gerações”, atentarmos contra os princípios da vida, então já estaremos sob a irradiação do divino pai Omulú, que nos paralisará e começará a atuar em nossas vidas, pois deseja preservar-nos e nos defender de nós mesmos, já que sempre que uma ação nossa for prejudicar alguém, antes ela nos atingirá, nos ferindo, colocando-nos em um de seus sombrios domínios.

Omulú é o princípio curador divino pois acolhe em seus domínios todos os espíritos que se feriram quando, por egoísmo pensaram em atingir seus semelhantes. Ele nos dá seu amparo divino até que, sob sua irradiação, nós mesmos tenhamos nos curado para retomarmos ao caminho reto trilhado por todos os espíritos amantes da vida e multiplicadores de suas benesses. Também como curador divino ele tanto cura a alma ferida, quanto nosso corpo doente. Se orarmos a ele quando estivermos enfermos ele atuará em nosso corpo carnal e espiritual, e tanto poderá curar-nos quanto nos conduzir a cura.

Omulú, enquanto força cósmica, é a energia que se condensa em torno do fio de prata que une o espírito e ao nosso corpo físico, e o dissolve no momento do desencarne ou passagem de um plano para o outro. Ele atua em todos os seres humanos, independente de qual, seja a sua religião, através de, uma faixa vibratória especifica e exclusiva, pois é através dela que fluem as irradiações divinas de um dos mistérios de Deus, que nominamos de “Mistério da Morte”.é conhecido como “Anjo da Morte” ou “Senhor dos Mortos”.

O culto a Tatá Omulu surgiu entre os negros levados como escravos ao antigo Egito, onde era muito cultuado e difundido, que o identificaram como um orixá e o adaptaram às suas culturas e religião. Com o tempo ele alcançou o grau de divindade ligada à morte, à medicina e às doenças.

As pessoas regidas por Omulú são independentes, sóbrias, muito caridosas e generosas, demonstram um senso de justiça muito pessoal e com uma grande resistência as doenças, mas quando se deixam levar pelo ego são muito geniosas, teimosas, vingativas e extremamente inseguras quanto a sua aparência. Geralmente são reservadas e caseiras, o que é seu é seu não admitem que nada lhe é tomado. Na Umbanda seu dia da semana é na segunda-feira, sua cor é preto e branco e sua saudação é“Atotô Omulú!”.

Esse é Omulú orixá da transformação intima, responsável pela passagem entre vida e a morte princípio curador que nos ampara e nos acolhe quando nos entregamos as mazelas da vida.

 

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