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nov 14

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Pioneiros da Umbanda: Uma Rota Literária

por Alexandre Cumino

pioneirosExistem diferentes formas de abordar a história da religião, diferentes pontos de vista e interpretações variadas dos mesmos fatos. Proponho, aqui, convidá-los para uma viajem no tempo, por meio dos primeiros autores umbandistas, que vão da década de 1930 à primeira metade da década de 1950. A partir da segunda metade da década de 1950, 60 e 70 surgiu uma grande quantidade de outros autores, os quais boa parte de sua literatura ainda é disponível e conhecida. Logo é possível sentir falta de um ou outro autor, no entanto o que cabe no objetivo deste texto é justamente aqueles que desconhecemos, os quais mesmo em sebos haverá grande dificuldade de encontrar.
Zélio de Moraes não escreveu nada sobre a Umbanda, quando muito deu algumas entrevistas e preparou médiuns para expandir e continuar sua obra.
Há sobre a obra de Zélio alguns livros e matérias publicadas por médiuns e admiradores. Entre os “continuadores” (que se destacam na literatura) podemos citar Leal de Souza, Capitão Pessoa e João Severino Ramos. Entre os admiradores há uma extensa lista de nomes, no entanto um não pode ser esquecido, da Senhora Lilia Ribeiro da TULEF, editora do Jornal Macaia. Lilia realizou a maior quantidade de entrevistas com Zélio; também devemos lembrar de Jota Alves de Oliveira que conviveu um pouco com Zélio e foi colaborador do Jornal de Umbanda, e Ronaldo Linares que se tornou o maior divulgador da obra de Zélio de Moraes no Estado de São Paulo, conviveu com o “Pai da Umbanda”, ouvindo e relatando suas histórias. Dona Zilmeia de Moraes Cunha costumava dizer que Pai Ronaldo é “quem melhor pode falar de Zélio de Moraes”.
A literatura de Umbanda surge de forma tardia, os primeiros textos surgem em 1924, no Jornal A Noite, onde o jornalista Leal de Souza relata suas experiências com os espíritos.
Em 1925 todas as reportagens são organizadas em um livro chamado No Mundo dos Espíritos, a primeira publicação que descreve um trabalho ritual da religião de Umbanda. Lá está contida a primeira visita que Leal de Souza fez à Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, como repórter e adepto do Espiritismo (Doutrina Codificada por Kardec). Participou de uma sessão com o Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio. Neste dia Leal de Souza pode assistir à cura de uma pessoa considerada louca, que na verdade estava obsidiada.
Leal de Souza passaria a trabalhar na Tenda com Zélio de Moraes e aceitaria a missão de dirigir a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; em 1933 publica o primeiro título voltado para a Umbanda, O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda. Neste livro o repórter autor (Leal de Souza já tinha uma caminhada autoral com outros quatro títulos publicados), médium, dirigente espiritual e pioneiro da divulgação da Umbanda se propõe a apresentar a religião. O livro citado foi resultado de uma coletânea de reportagens realizadas por Leal de Souza para o Jornal Diário de Notícias.
Neste livro aparece pela primeira vez o conceito de Sete Linhas, que são sete divisões da Linha Branca de Umbanda em oposição à Linha Negra.
Não havia literatura anterior, portanto, concluímos que este livro relata o entendimento de Leal de Souza sobre a obra de Zélio e o que aprendeu com ele na prática e teoria estendido por meio de seus próprios guias e sem desconsiderar sua militância anterior no Espiritismo, como influência certa e notória nas linhas de sua obra. No mesmo livro constam textos sobre Zélio de Moraes, Caboclo das Sete Encruzilhadas e sobre as três tendas fundadas até então (Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Guia). Zélio havia assumido a responsabilidade de abrir Sete Tendas, além da sua Tenda, que representariam as Sete Linhas de Umbanda (seriam fundadas a Tenda São Jorge, Santa Bárbara, São Pedro, Oxalá e São Jerônimo).
A escolha dos médiuns para dirigir estas tendas muitas vezes se mostra cercada de cenas dignas de serem aqui relembradas:
João Severino Ramos, incrédulo, ao visitar Zélio em Cachoeiras de Macacu, relutava em acreditar nas manifestações que assistia a sua frente, pedindo uma prova decisiva. Zélio manifestado com o Orixá Malê
apanhou uma pedra na beira do rio acertando a mesma bem na testa de Severino. Seus colegas prontificaram-se a ir buscá-lo, ao que a entidade ordenou que não se movessem, pois ele voltaria sozinho. Minutos depois João Severino, transfigurado, atravessaria a margem do Rio Macacu já incorporado da entidade que identificaria como Ogum de Timbiri. João Severino se tornaria dirigente da Tenda Espírita São Jorge, fundada por Zélio, e também autor do livro Umbanda e seus Cânticos, publicado em 1953. O autor divide este livro em duas partes, uma primeira doutrinária e uma segunda sobre os pontos cantados de Umbanda.
José Álvares Pessoa, Capitão Pessoa como ficou conhecido, era espírita e estudioso do espiritualismo em geral, também não dava muito crédito ao que vinha ouvindo sobre as “maravilhas de Neves”, sobre o Caboclo Sete Encruzilhadas, resolveu ir pessoalmente conhecer a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Isto se deu por volta de 1935, Zélio já tinha fundado as seis tendas e lhe faltava o médium que iria dirigir a Tenda São Jerônimo. Assim que Capitão Pessoa adentrou o ambiente da Tenda, Caboclo Sete Encruzilhadas, devidamente incorporado, interrompeu sua palestra e afirmou: Já podemos fundar a tenda São Jerônimo. O seu dirigente acaba de chegar.
O Sr. Pessoa se surpreendeu com tal afirmação, pois não conhecia ninguém naquele ambiente. Em conversa com o Caboclo se surpreendeu mais ainda por mostrar que o conhecia profundamente. A Tenda São Jerônimo tornou-se um exemplo dentro da religião e Capitão Pessoa um umbandista dos mais atuantes. Nos legou um texto intitulado Umbanda Religião do Brasil que faz parte de um livro com o mesmo título onde participa ao lado de mais três autores umbandistas (Carlos de Azevedo, Madre Yarandasã e Nelson Mesquita Cavalcanti).
Neste livro, Capitão Pessoa ressalta a Umbanda como “UMA RELIGIÃO GENUINAMENTE BRASILEIRA” e o Caboclo das Sete Encruzilhadas como responsável por esta nova religião.
João de Freitas, em 1938, publica o título Umbanda, no qual descreve visitas a oito tendas de Umbanda, entre as entrevistas ressalto uma muito interessante que descreve a visita do “grande Embanda João da Golmeia” ao Terreiro de Cobra Coral do confrade Orlando Pimentel. Podemos afirmar que a ideia e o formato deste livro se aproximam muito do que foi feito por Leal de Souza na sua obra No Mundo dos Espíritos.
Mais tarde, década de 40, viria a escrever Xangô Djacutá, na apresentação do livro escreve ele:
“(…) julgamos oportuno escrever Xangô Djacutá com o propósito de colaborar com os que pleiteiam o reconhecimento da Umbanda como religião de fato…”
“(…) a Umbanda não quer e não precisa viver à sombra de outras religiões, suas falhas e lacunas somente aos umbandistas cabe o direito de corrigir.”
Waldemar L. Bento, em 1939, publica o livro Magia no Brasil, um livro de Umbanda que apresenta um “longo estudo da magia, teogonia, ritual, curimbas, pontos, orixás e um vocabulário de uso corrente constituindo precioso manancial da época”.
Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, 1942, é um divisor de águas. Este é o título do livro que relata o que foi este Congresso realizado em 1941, como primeira tarefa da Federação de Umbanda do Brasil, fundada em 1939 por incentivo do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Chegamos à década de 40 e o movimento umbandista começa a tomar corpo no Rio de Janeiro.
Este congresso é a primeira iniciativa coletiva da religião em estabelecer o que é e o que não é Umbanda, buscando entender qual seria a identidade da Umbanda. Coloco abaixo alguns fragmentos do livro que relata o que foi o Congresso:
“A IDEIA DO CONGRESSO
O conceito alcançado entre nós pelo Espiritismo de Umbanda…
(…) Sua prática variava, entretanto, segundo os conhecimentos de cada núcleo, não havendo, assim, a necessária homogeneidade de práticas, o que dava motivo à confusão por parte de algumas pessoas menos esclarecidas, com outras práticas inferiores de espiritismo.”
Fundada a Federação Espírita de Umbanda há cerca de dois anos, o seu primeiro trabalho consistiu na preparação deste Congresso, precisamente para nele se estudar, debater e codificar esta empolgante modalidade de trabalho espiritual, a fim de varrer de uma vez o que por aí se praticava com o nome de Espiritismo de Umbanda, e que no nível de civilização a que atingimos não tem mais razão de ser.
DISCURSO INAUGURAL
Pronunciado pelo 1° Secretário da Federação Espírita de Umbanda, Sr. Alfredo António Rego, na reunião de 19 de Outubro de 1941.
„A obra a que neste momento vamos dar início, com o pensamento inteiramente voltado para Jesus, Nosso Mestre e Senhor, é daquelas que, pelo vulto de sua grandiosidade, não podem ser concluídas numa única encarnação.‟
„(…) Umbanda deixará de ser de agora em diante aquela prática ainda mal compreendida por numerosos dos nossos distintos confrades da Seara do Mestre, para se tornar, assim o cremos, a maior corrente mental da nossa era, nesta parte do continente sul-americano.‟”
Foram apresentadas muitas teses sobre a Umbanda neste congresso, que ela teria origem na Lemúria, na Atlântida, na África e outras. A Palavra UMBANDA foi considerada uma palavra sânscrita deturpada de seu vocábulo original (AUMBANDÃ). No Segundo Congresso de Umbanda, em 1961, esta ideia foi retificada, reconhecendo-se que a palavra já existia na língua quimbundo falada em Angola. Seu significado é a prática espiritual de cura do sacerdote chamado Kimbanda.
Lourenço Braga publica UMBANDA E QUIMBANDA, seu “trabalho apresentado” no Primeiro Congresso de Umbanda, 1941; estranhamos não ser citado em nenhum momento no livro do Congresso. Lourenço Braga é o primeiro a dividir as Sete Linhas em quarenta e nove Legiões. Podemos considerá-lo um pioneiro, com um trabalho hercúleo que foi a organização destas legiões que seriam copiadas por muitos autores posteriores a ele, sem que seu nome fosse citado. Assim como a teoria do AUMBANDÃ, do Primeiro Congresso de Umbanda, também apareceria em obras posteriores sem os devidos créditos ao idealizador (Diamantino Trindade, Delegado da Tenda Mirim para o Primeiro Congresso de Umbanda).
Lourenço Braga publica ainda os títulos:
Trabalhos de Umbanda ou Magia Prática, 1950; Os Mistérios da Magia, 1953; Umbanda e Quimbanda II, 1955.
J. Dias Sobrinho publica Forças Ocultas Luz e Caridade, 1949, um livro interessante com uma ótica bem espírita e dividido em duas partes. Na primeira A constituição espiritual do homem e na outra Espiritismo. Segue o modelo de Lourenço Braga em dividir o Espiritismo em três partes (Kardecismo, Umbanda e Kimbanda) e também nas subdivisões das Sete Linhas com Legiões. Apresenta algumas teorias mirabolantes como o “Cisma de Irschu”, não são ideias próprias como as de Lourenço Braga, já são adaptadas das dele e de outros autores. Este “Cisma”, apesar de fantasioso, também seria copiado por outros autores.
Oliveira Magno publica Umbanda Esotérica e Iniciática em 1950, apresenta logo na primeira página o “Símbolo Esotérico-Umbandista” – Um círculo com um triângulo feito de flechas, um coração e uma cruz, um símbolo dentro do outro respectivamente – e explica: As três setas são os três mundos (o físico, o intermediário, o espiritual); o coração é o amor universal; a cruz representa o Cristo (Oxalá) e o círculo é o Universo.
Publica também:
Práticas de Umbanda, 1951; Umbanda e Ocultismo, 1952; Ritual Prático de Umbanda, 1953; Antigas Orações da Umbanda, sd.; Umbanda e seus Complexos, sd.; Pontos Cantados e Riscados de Umbanda, sd.
Silvio Pereira Maciel se caracteriza por uma literatura acessível, composta de doutrina, preces, pontos cantados, pontos riscados e curiosidades. Títulos:
Alquimia de Umbanda, 1950; Umbanda Mista, sd. e Irradiação Universal de Umbanda, sd., 1974.
Aluízio Fontenele surge no final da década de 40, não sabemos a data exata de publicação de seus títulos, que não consta, mas há na capa dos três livros uma foto do autor com a data de 1951 e a data de seu desencarne em 1952. Por se tratar de três títulos, com certeza foram produzidos no final da década de 40.
Aluízio Fontenele retoma e faz uma releitura das Linhas e Legiões de Lourenço Braga, com uma inovação, nas linhas de esquerda ele associa os nomes dos Exus com nomes dos “demônios” da Magia Negra Europeia, também conhecida como Goécia. Provavelmente foi o primeiro a fazer este tipo de associação que vai aparecer em outras obras na posteridade. São seus os títulos:
O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei da Umbanda, sd.; Umbanda Através dos Séculos, sd. e Exu, sd.
Yokaanam, Chefe Espiritual da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal, publica Evangelho de Umbanda, em 1951. Apresenta nesta obra o autor uma elaboração do que é e como praticar a Umbanda, desde como se vestir até a forma como deve ser construído e organizado o templo. Também combate a ideia das sete linhas de Umbanda pontificada com sete Orixás, já adotada por alguns autores anteriores como Leal de Souza e Lourenço Braga. Diz Yokaanan que estes autores são africanistas.
Provavelmente é o primeiro a publicar a ideia de que UMBANDA é a BANDA de DEUS, a BANDA do UM ou LEGIÃO de DEUS, conceito que se tornaria popular, com seu apelo à língua portuguesa.
“(…) UMBANDA – Vem de UM + BANDA.
UM que significa DEUS… BANDA que significa Legião, Exército… ou Lado de Deus! Ora, assim sendo não pode ser confundida com o Africanismo…”
Tancredo da Silva Pinto, Tata Ti Inkice Tancredo da Silva Pinto ou simplesmente Tata Tancredo como era chamado – presidente perpétuo da Congregação Espírita Umbandista do Brasil – defendia a origem afro da Umbanda e é considerado o pioneiro do ritual Omolocô. Nas suas palavras, “A origem do Culto Omolocô vem do sul de Angola, sendo uma nação pequenina às margens do rio Zambeze que o tem como Zambi, que lhes dava a alimentação necessária, proveniente das enchentes.” (A Origem da Umbanda). Também define o Ritual de Cabula (Camba de Umbanda), fala com desenvoltura e linguagem simples desde a cultura afro-indígena até o hinduísmo (Doutrina e Ritual de Umbanda). São seus os titulo abaixo:
Doutrina e Ritual de Umbanda, 1951 (parceria de Byron Torres de Freitas); As Mirongas de Umbanda, 1953 (parceria de Byron Torres de Freitas); Camba de Umbanda, sd. (parceria de Byron Torres de Freitas); A Origem da Umbanda, sd.; Umbanda – Guia para Organização de Terreiros, sd.; Horóscopo de Umbanda, sd.; Negro e Branco na Cultura Religiosa Afro Brasileira, sd.; O Eró(segredo) da Umbanda, 1968; Os EGBAS, 1976 e As Impressionantes Cerimônias da Umbanda, sd.
Emanuel Zespo é o pseudônimo usado pelo professor Paulo Menezes, filho de Leopoldo Betiol, esclarecido e com argumentação clara, defende a Umbanda como Religião Brasileira.
Codificação da Lei da Umbanda, 1953.
Consiste de um ensaio para a Codificação da Umbanda ou uma tentativa de chamar a atenção de outros líderes para esta questão. Divide o conteúdo em Parte Científica e Parte Prática, fecha o prefácio saudando o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
“Escrevemos para o umbandista e para o não umbandista.
Ao primeiro fornecemos os argumentos científicos com os quais ele poderá justificar ao mundo a razão de ser da Umbanda. Ao segundo damos explicações claras do que é a Umbanda…
(…) Comecemos pela Codificação na parte Científica e na parte Ritualística; mas não esqueçamos que a base da parte moral é confraternização de todos os umbandistas.
(…) Saravá o Caboclo das Sete Encruzilhadas!
Viva Jesus!” Emanuel Zespo (pp.8-11)
Samuel Ponze confessa que nunca conheceu Emanuel Zespo, mas toma ao pé da letra o sentido de codificador para este. Em seu livrinho – 46 páginas – faz perguntas e respostas sobre a Umbanda, sempre citando o codificador. No prefácio afirma “Não me sentiria capaz de continuar a obra de Zespo, mesmo ela está concluída; contudo, desejo divulgá-la e esclarecê-la por ser a mais sensata em matéria de Umbanda, publicada até hoje no Brasil conforme bem disse o „Jornal de Umbanda‟”. O Jornal de Umbanda a que se refere é o mesmo que foi idealizado por Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Lições de Umbanda, 1954.
Florisbela M. Sousa Franco, autora de dois livros conhecidos, seu trabalho consiste de mensagens que variam entre textos inspirados, uma ou outra mensagem recebida mediunicamente e pesquisa. São principalmente textos doutrinários. Sua primeira publicação é de 1953, onde apresenta o triângulo de Umbanda, Caboclos (energia), Crianças (inocência) e Pretos-velhos (humildade). Talvez tenha sido a primeira pessoa a colocar este triângulo assim desta forma em livro.
Umbanda, 1953 e Umbanda para os Médiuns, 1958.
AB‟D Ruanda fez um livrinho simples de perguntas e respostas, que durante muito tempo foi comercializado, acredito que ainda seja possível encontrá-lo, a primeira edição é de 1954, chama-se Lex Umbanda: Catecismo, mas nas edições posteriores saíram apenas como Catecismo de Umbanda.
Lex Umbanda: Catecismo, 1954 e Banhos e Defumações na Umbanda, sd.
Benjamim Figueiredo fundador da tenda Espírita Mirim, 1924, e do Primado de Umbanda, incentivador do “Colegiado Espiritualista do Cruzeiro do Sul”, “Círculo de Escritores e Jornalistas de Umbanda”, “Movimento de Unificação Nacional pró Religião de Umbanda”. Fundador da “Escola Superior Iniciática de Umbanda do Brasil”. Incentivador do Primeiro, Segundo e Terceiro Congressos de Umbanda (1941, 1961 e 1973). Publicou no livro abaixo com mensagens do Caboclo Mirim, textos e pontos cantados.
Okê Caboclo!, sd.
São estes acima os pioneiros na Literatura Umbandista, autores que surgiram ou publicaram seus títulos até a primeira metade da década de 50. Depois deste período surgiram muitos outros autores, a todos rendemos nossas homenagens.
A Literatura de Umbanda hoje
Hoje a literatura de Umbanda passa por uma mudança de conceito, surgiu na década de 90 uma literatura psicografada de umbanda, o médium Rubens Saraceni trouxe o estilo de romance mediúnico (tão comum no “Kardecismo”) para a Umbanda.
Publicou inicialmente O Guardião da Meia Noite e o Cavaleiro da Estrela da Guia que se tornaram rapidamente os títulos mais lidos entre os Umbandistas. Encontrou o autor na Editora Madras, através de seu presidente, Sr. Wagner Veneziani Costa, apoio irrestrito para a publicação e divulgação dos títulos umbandistas.
O Sr. Rubens Saraceni e a Editora Madras mudaram um paradigma no mundo livreiro, pois as editoras e livrarias não aceitavam títulos de Umbanda e os mesmos eram encontrados apenas em lojas de artigos religiosos, agora outras editoras já se animam em publicar títulos de umbanda e outros umbandistas se sentiram incentivados, também, a psicografar romances umbandistas e obras doutrinárias.
A própria Editora Madras abriu espaço para novos autores de Umbanda, ao que podemos citar o sucesso da última Bienal do Livro, 2008, em que ao lado de Rubens Saraceni estavam também Rodrigo Queiroz, com o romance psicografado Redenção, Iara Drimel com o romance psicografado A História da Senhora Pomba-gira Rosa do Lodo e Angélica Lisanti com o título Cristais e os Orixás. Também citamos como autores de Umbanda nesta editora Lurdes Campos Vieira, Nelson Pires Filho, Vicente Paulo de Deus, Nilton de Almeida Junior, José Augusto Barbosa e Pai Ronaldo Linares.
Citamos estes autores apenas para que se tenha uma ideia do que vem sendo publicado sobre Umbanda e do trabalho da Editora Madras (www.madras.com.br).
Rubens Saraceni conta hoje com mais de cinquenta títulos publicados, e seu Pai espiritual Ronaldo Linares, que conviveu com Zélio de Moraes, acaba de publicar em parceria com Diamantino Trindade e Wagner Veneziani dois títulos importantes pela Editora Madras. O primeiro é Iniciação à Umbanda, livro já consagrado no meio umbandista, possuía publicação anterior em dois volumes, agora ganha uma versão única, ampliada e revisada. Neste título o leitor irá encontrar a história de Zélio de Moraes, seus ensinamentos para Ronaldo Linares, fotos do Pai da Umbanda e de seus trabalhos. O outro título de Ronaldo Linares é Os Orixás na Umbanda e no Candomblé, que antes estava dividido em uma coleção de títulos sobre os Orixás, agora reunido em volume único.
Quanto às livrarias aos poucos vêm dado mais destaque à Umbanda e aos autores umbandistas.
Esperamos sinceramente que os umbandistas aproveitem os ensinamentos e esclarecimentos que surgem na obra literária umbandista. Hoje, mais do que nunca os guias e mentores da Umbanda registram seus ensinamentos no papel, pela psicografia.
Todos podem e devem ler e estudar para entender a Umbanda além da manifestação mediúnica no terreiro (Tenda, Centro ou Templo de Umbanda), entendê-la enquanto religião – com doutrina, teologia e ritual próprios. Bons estudos e boa leitura a todos.
Obs.: Existe a proposta de criar um curso virtual (e presencial) sobre a História e Literatura de Umbanda, no qual pretendo explorar mais os títulos antigos e até, quem sabe, disponibilizar algumas cópias virtuais de títulos antigos ou de partes deles que sejam importantes para nossos estudos em conjunto. Estou montando uma lista de interessados neste curso, para tanto peço a todos que me enviem um e-mail para alexandrecumino@uol.com.br e coloque no assunto ou no corpo do e-mail: “Curso de História e Literatura de Umbanda”.
Temos ainda muitos e bons projetos no campo do estudo e conhecimento de nossa religião, peço apenas um pouco de paciência com minhas limitações, principalmente de tempo e espaço. Aos poucos e sem pressa vamos nos organizando e disponibilizando mais e mais material de estudo…
E mais uma vez, Muito, Muito, Muito obrigado a todos que possibilitaram este nosso encontro, meu agradecimento especial a todos os guias e mentores de cada um de vocês que muito fizeram no astral para que concluíssemos este curso. Oxalá e todos os Orixás estejam em nossos corações, palavras e mente. Nos abençoem aqui, agora e sempre…
Alexandre Cumino

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