fev 01

Oferendas Básicas Umbandistas

Oferendas Básicas Umbandistas
por Rubens Saraceni

Oferenda ao Orixá Oxalá
• Toalha ou pano de cor branca; • velas brancas; • frutas brancas (melão, goiaba etc.); • vinho branco doce ou suave; • flores brancas (todas); • fitas brancas; • linhas brancas; • comidas brancas (canjica, arroz doce, coalhada adocicada etc.); • pães; • mel; • farinha de trigo (para circular e fechar por fora as oferendas); • coco seco e sua água colocada em copos; • coco verde com uma tampa cortada e um pouco de mel derramado dentro da sua água; • água em cálices ou copos; • pedras de cristais de quartzo branco (se for solicitado); • pembas brancas (em pedra ou em pó); • milho verde em espiga, cru e ainda leitoso.

Oferenda ao Orixá Oxumaré
• Toalha ou pano de cor azul celeste; • velas brancas e azul celeste; • fitas brancas e fitas azul
celeste (ou todas as cores); • linhas brancas e linhas azul celeste; • frutas sementeiras (melão,
maracujá, mamão, pinha etc.); • água em copos; • vinho branco seco; água adocicada com açúcar ou mel; • flores coloridas; • coco verde; • licor ou suco de maracujá; • farinha de arroz (para circular e fechar a oferenda); • semente de feijão branco semi cozida e misturada ao mel de abelha; • açúcar, colocado em um prato branco e regado com mel de abelha; • pembas coloridas.

Oferenda ao Orixá Oxóssi
• Toalha ou pano verde; • velas branca e verde; • fitas branca e verde; • linhas branca e verde; •
frutas de qualquer espécie; • comidas (moranga cozida, milho verde em espiga e cozido, maçã cozida e regada com mel ou açucarada, doces cristalizados); • vinho tinto; cerveja branca; • sucos de fruta; • pembas brancas e verdes; • fubá (para circular e fechar a oferenda).

Oferenda para o Orixá Xangô
• Toalha ou pano marrom; • velas branca e marrom; • fitas branca e marrom; • linhas branca e
marrom; • frutas (abacaxi, melão, manga, melancia, figo, caqui, laranja, goiaba vermelha); • vinho tinto seco; cerveja preta; • comidas (quiabos picados em rodelas e levemente cozido, rabada cozida com cebolas cortadas em rodelas); • pembas branca, marrom e vermelha; • licor de chocolate.

Oferenda ao Orixá Ogum
• Toalha ou pano vermelho; • velas branca e vermelha; • fitas branca e vermelha; • linhas branca e vermelha; • cordões branco e vermelho; • flores (cravo e palmas vermelhas); • frutas (melancia, laranja, pera, goiaba vermelha, ameixa preta, abacaxi, uvas); • licor de gengibre; • cerveja branca; • pembas branca e vermelha; • comida (feijoada).

Oferenda para o Orixá Obaluayê
• Toalha ou pano branco; • velas brancas; • fitas brancas; • linhas brancas • flores (crisântemos
brancos, quaresmeira); frutas (pinha, caqui e coco seco); • comidas (pipoca estalada, batata doce roxa cozida e regada com mel de abelha, beterraba cozida e regada com mel; mandioca cortada em “toletes” cozida e açucarada; • bebidas (vinho branco licoroso, água em copos, licor de ambrósia); • pembas brancas.

Oferenda para a Orixá Oyá-Logunan (Tempo)
• Toalha ou pano branco; • velas branca e azul escuro; • fitas branca e azul escuro; • linhas
branca e azul escuro; • pembas branca e azul; • copo ou quartinha com água; • licor de anis; • frutas(laranja, uva, caqui, amora, figo, romã, maracujá azedo); flores (do campo, palmas brancas, lírios brancos).

Oferenda para a Orixá Oxum
• Toalha ou pano dourado, azul e rosa; • velas rosa, amarela e azul; • fitas rosa, amarela e azul;
• linhas rosa, amarela e azul; • pembas rosa, amarela e azul; • flores (rosas brancas, amarelas e
vermelhas); • frutas (cereja, maçã, pera, melancia, goiaba, framboesa, figo, pêssego etc.); • bebidas (champanhe de maçã, de uva e licor de cereja).

Oferenda para o Orixá Omulu
• Toalhas ou panos branco e preto sobrepostos formando oito pontas ou bicos; • velas branca,
preta e vermelha; • fitas branca, preta e vermelha; • linhas branca, preta e vermelha; • pembas
branca, preta e vermelha • flores (crisântemos, flores do campo, rosas brancas); frutas (maracujá, ameixa preta, ingá, figo); • comidas (pipocas estaladas e regadas com mel, coco seco fatiado e regado com mel, batata doce roxa cozida e regada com mel, bistecas ou fatias de carne de porco regadas comazeite de dendê; • bebidas (água em copos, vinho branco licoroso, licor de hortelã).

Oferenda para a Orixá Obá
• Toalha ou pano vermelho ou magenta; • velas vermelha ou magenta; • fitas vermelha ou
magenta; • linhas vermelha ou magenta; • pembas vermelhas; • frutas (todas); bebidas (licor); • flores (do campo, jasmim, rosas vermelhas).

Oferenda para a Orixá Egunitá
• Toalha ou pano laranja; • velas laranja e vermelha; • fitas laranja; • linhas laranja; • pembas
laranja; • frutas (laranja, abacaxi, pitanga, caqui); bebidas (licor de menta, champanhe de sidra); • flores (palmas vermelhas).

Oferenda para a Orixá Iansã
• Toalha ou pano branco e amarelo; • velas branca e amarela; • fitas amarelas; • linhas amarelas; • pembas amarelas; • frutas (laranja, abacaxi, pitanga, uva, morango, ambrósia, melancia, melão amarelo, pêssego e goiaba vermelha); • bebidas (champanhe de uva ou de sidra; • flores amarelas; • comidas (acarajé; abacaxi em calda, arroz-doce com bastante canela em pó por cima).

Oferenda para a Orixá Nanã Buroquê
• Toalha ou panos lilás ou florido; • velas lilás; • fitas lilás; • linhas lilás; • pembas lilás; • flores
(do campo, lírios e crisântemos); • frutas (uva, melão, manga, mamão, maracujá doce, framboesa, amora, figo); • bebidas (champanhe rosé, vinho tinto suave, licor de amora, licor de framboesa, licor
de morango).

Oferenda para a Orixá Iemanjá
• Toalhas branca ou azul claro; • velas branca ou azul claro; • fitas branca ou azul claro; • linhas
branca ou azul claro; • pembas branca ou azul claro; • flores (rosas brancas, palmas brancas, lírio branco) frutas (melão em fatias, cerejas, laranja lima, goiaba branca, framboesa); • bebidas
(champanhe de uva e licor de ambrósia); • comidas (manjares; peixes assados; arroz doce com bastante canela em pó).

Oferenda para o Orixá Exu
• Toalhas ou panos preto e vermelho; • velas preta e vermelha; • fitas preta e vermelha; • linhas
preta e vermelha; • pembas preta e vermelha; • flores (cravo vermelho); • frutas (manga, mamão, limão); • bebidas (aguardente de cana de açúcar, uísque, conhaque) • comidas (farofa com carne bovina ou com miúdos de frango, bifes de carne ou de fígado bovino fritos em azeite de dendê e com cebolas, bifes de carne ou de fígado bovino temperado com azeite de dendê e pimenta ardida).

Oferenda aos Pretos Velhos
• Toalha ou pano branco; • velas brancas; • fitas brancas; • linhas brancas; • pembas brancas; •
frutas de todas as espécies; • bebidas (café, vinho doce, cerveja preta, água de coco, vinho branco licoroso); • flores (crisântemos brancos, margaridas, lírios brancos); • comidas (arroz doce, canjica,
bolo de fubá de milho, milho cozido, doce de coco, doce de abóbora, doce de cidra, coco fatiado, quindim).

Oferenda aos Baianos
• Toalha ou pano branco (ou amarelo); • velas branca e amarela; • fitas branca e amarela; •
linhas branca e amarela; • pembas branca e amarela; • frutas (coco, caqui, abacaxi, uva, pera, laranja, manga, mamão); • bebidas (batida de coco, de amendoim, pinga misturada com água de coco); • flores (flor do campo, cravo, palmas); • comidas (acarajé, bolo de milho, farofa, carne seca cozida e com cebola fatiada, quindim).

Oferenda aos Boiadeiros
• Toalha ou um pano (branco, vermelho, amarelo, azul-escuro, marrom); • velas branca,
vermelha, amarela, azul-escura, marrom; • fitas branca, vermelha, amarela, azul-escura, marrom; • linhas branca, vermelha, amarela, azul-escuro, marrom; • pembas branca, vermelha, amarela, azulescuro, marrom; • frutas (todas); • bebidas (vinho seco, aguardente, batidas, conhaque, licores); • flores (do campo, palmas, cravos); • comidas (feijoada, charque bem cozido, bolos).

Oferenda aos Marinheiros
• Toalha ou pano branco; • velas branca e azul claro; • fitas branca e azul claro; • linhas branca e azul claro; • pembas branca e azul claro; • flores (cravos brancos, palmas brancas); • frutas (várias); • comidas (peixes assados, peixes fritos, peixes cozidos, camarões, farofa com carne); • bebidas (rum, aguardente).

Oferenda para os Erês
• Velas branca, cor-de-rosa e azul claro; toalha ou panos cor-de-rosa e azul claro • fitas branca,
cor-de-rosa e azul claro; • linhas branca, cor-de-rosa e azul claro; • flores (todas); • frutas (uva,
pêssego, pera, goiaba, maçã, morango, cerejas, ameixa); • comidas (doces de frutas, arroz doce, cocadas, balas, bolos açucarados, quindins); • bebidas (refrigerantes, água de coco, suco de fruta).

Oferenda para os Exus Mirins
• Toalhas ou panos preto e vermelho; • velas bicolores preta e vermelha; • fitas preta e
vermelha; • linhas preta e vermelha; • pembas preta e vermelha; • flores (cravos); • frutas (manga, limão, laranja, pera, mamão); • bebidas (licores, cinzano, pinga com mel) • comidas (fígado bovino picado e frito em azeite de dendê, farofas apimentadas).

Oferenda para Pomba-gira
• Toalha ou pano vermelho; • velas vermelhas; • fitas vermelhas; • linhas vermelhas; • pembas
vermelhas; • flores (rosas vermelhas); • frutas (maçãs, morangos, uvas rosadas, caqui); • bebidas (champanhe de maçã, de uva, de sidra, licores).

Oferendas para Caboclos(as)
As oferendas para os Caboclos e as Caboclas, no geral, são iguais às dos Orixás que os regem. No particular, são acrescentados elementos indicados por eles.

Texto extraído do livro “Rituais Umbandistas – Oferendas, Firmezas e Assentamentos”. Rubens
Saraceni / Ed. Madras

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nov 14

Pioneiros da Umbanda: Uma Rota Literária

por Alexandre Cumino

pioneirosExistem diferentes formas de abordar a história da religião, diferentes pontos de vista e interpretações variadas dos mesmos fatos. Proponho, aqui, convidá-los para uma viajem no tempo, por meio dos primeiros autores umbandistas, que vão da década de 1930 à primeira metade da década de 1950. A partir da segunda metade da década de 1950, 60 e 70 surgiu uma grande quantidade de outros autores, os quais boa parte de sua literatura ainda é disponível e conhecida. Logo é possível sentir falta de um ou outro autor, no entanto o que cabe no objetivo deste texto é justamente aqueles que desconhecemos, os quais mesmo em sebos haverá grande dificuldade de encontrar.
Zélio de Moraes não escreveu nada sobre a Umbanda, quando muito deu algumas entrevistas e preparou médiuns para expandir e continuar sua obra.
Há sobre a obra de Zélio alguns livros e matérias publicadas por médiuns e admiradores. Entre os “continuadores” (que se destacam na literatura) podemos citar Leal de Souza, Capitão Pessoa e João Severino Ramos. Entre os admiradores há uma extensa lista de nomes, no entanto um não pode ser esquecido, da Senhora Lilia Ribeiro da TULEF, editora do Jornal Macaia. Lilia realizou a maior quantidade de entrevistas com Zélio; também devemos lembrar de Jota Alves de Oliveira que conviveu um pouco com Zélio e foi colaborador do Jornal de Umbanda, e Ronaldo Linares que se tornou o maior divulgador da obra de Zélio de Moraes no Estado de São Paulo, conviveu com o “Pai da Umbanda”, ouvindo e relatando suas histórias. Dona Zilmeia de Moraes Cunha costumava dizer que Pai Ronaldo é “quem melhor pode falar de Zélio de Moraes”.
A literatura de Umbanda surge de forma tardia, os primeiros textos surgem em 1924, no Jornal A Noite, onde o jornalista Leal de Souza relata suas experiências com os espíritos.
Em 1925 todas as reportagens são organizadas em um livro chamado No Mundo dos Espíritos, a primeira publicação que descreve um trabalho ritual da religião de Umbanda. Lá está contida a primeira visita que Leal de Souza fez à Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, como repórter e adepto do Espiritismo (Doutrina Codificada por Kardec). Participou de uma sessão com o Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio. Neste dia Leal de Souza pode assistir à cura de uma pessoa considerada louca, que na verdade estava obsidiada.
Leal de Souza passaria a trabalhar na Tenda com Zélio de Moraes e aceitaria a missão de dirigir a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; em 1933 publica o primeiro título voltado para a Umbanda, O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda. Neste livro o repórter autor (Leal de Souza já tinha uma caminhada autoral com outros quatro títulos publicados), médium, dirigente espiritual e pioneiro da divulgação da Umbanda se propõe a apresentar a religião. O livro citado foi resultado de uma coletânea de reportagens realizadas por Leal de Souza para o Jornal Diário de Notícias.
Neste livro aparece pela primeira vez o conceito de Sete Linhas, que são sete divisões da Linha Branca de Umbanda em oposição à Linha Negra.
Não havia literatura anterior, portanto, concluímos que este livro relata o entendimento de Leal de Souza sobre a obra de Zélio e o que aprendeu com ele na prática e teoria estendido por meio de seus próprios guias e sem desconsiderar sua militância anterior no Espiritismo, como influência certa e notória nas linhas de sua obra. No mesmo livro constam textos sobre Zélio de Moraes, Caboclo das Sete Encruzilhadas e sobre as três tendas fundadas até então (Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Guia). Zélio havia assumido a responsabilidade de abrir Sete Tendas, além da sua Tenda, que representariam as Sete Linhas de Umbanda (seriam fundadas a Tenda São Jorge, Santa Bárbara, São Pedro, Oxalá e São Jerônimo).
A escolha dos médiuns para dirigir estas tendas muitas vezes se mostra cercada de cenas dignas de serem aqui relembradas:
João Severino Ramos, incrédulo, ao visitar Zélio em Cachoeiras de Macacu, relutava em acreditar nas manifestações que assistia a sua frente, pedindo uma prova decisiva. Zélio manifestado com o Orixá Malê
apanhou uma pedra na beira do rio acertando a mesma bem na testa de Severino. Seus colegas prontificaram-se a ir buscá-lo, ao que a entidade ordenou que não se movessem, pois ele voltaria sozinho. Minutos depois João Severino, transfigurado, atravessaria a margem do Rio Macacu já incorporado da entidade que identificaria como Ogum de Timbiri. João Severino se tornaria dirigente da Tenda Espírita São Jorge, fundada por Zélio, e também autor do livro Umbanda e seus Cânticos, publicado em 1953. O autor divide este livro em duas partes, uma primeira doutrinária e uma segunda sobre os pontos cantados de Umbanda.
José Álvares Pessoa, Capitão Pessoa como ficou conhecido, era espírita e estudioso do espiritualismo em geral, também não dava muito crédito ao que vinha ouvindo sobre as “maravilhas de Neves”, sobre o Caboclo Sete Encruzilhadas, resolveu ir pessoalmente conhecer a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Isto se deu por volta de 1935, Zélio já tinha fundado as seis tendas e lhe faltava o médium que iria dirigir a Tenda São Jerônimo. Assim que Capitão Pessoa adentrou o ambiente da Tenda, Caboclo Sete Encruzilhadas, devidamente incorporado, interrompeu sua palestra e afirmou: Já podemos fundar a tenda São Jerônimo. O seu dirigente acaba de chegar.
O Sr. Pessoa se surpreendeu com tal afirmação, pois não conhecia ninguém naquele ambiente. Em conversa com o Caboclo se surpreendeu mais ainda por mostrar que o conhecia profundamente. A Tenda São Jerônimo tornou-se um exemplo dentro da religião e Capitão Pessoa um umbandista dos mais atuantes. Nos legou um texto intitulado Umbanda Religião do Brasil que faz parte de um livro com o mesmo título onde participa ao lado de mais três autores umbandistas (Carlos de Azevedo, Madre Yarandasã e Nelson Mesquita Cavalcanti).
Neste livro, Capitão Pessoa ressalta a Umbanda como “UMA RELIGIÃO GENUINAMENTE BRASILEIRA” e o Caboclo das Sete Encruzilhadas como responsável por esta nova religião.
João de Freitas, em 1938, publica o título Umbanda, no qual descreve visitas a oito tendas de Umbanda, entre as entrevistas ressalto uma muito interessante que descreve a visita do “grande Embanda João da Golmeia” ao Terreiro de Cobra Coral do confrade Orlando Pimentel. Podemos afirmar que a ideia e o formato deste livro se aproximam muito do que foi feito por Leal de Souza na sua obra No Mundo dos Espíritos.
Mais tarde, década de 40, viria a escrever Xangô Djacutá, na apresentação do livro escreve ele:
“(…) julgamos oportuno escrever Xangô Djacutá com o propósito de colaborar com os que pleiteiam o reconhecimento da Umbanda como religião de fato…”
“(…) a Umbanda não quer e não precisa viver à sombra de outras religiões, suas falhas e lacunas somente aos umbandistas cabe o direito de corrigir.”
Waldemar L. Bento, em 1939, publica o livro Magia no Brasil, um livro de Umbanda que apresenta um “longo estudo da magia, teogonia, ritual, curimbas, pontos, orixás e um vocabulário de uso corrente constituindo precioso manancial da época”.
Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, 1942, é um divisor de águas. Este é o título do livro que relata o que foi este Congresso realizado em 1941, como primeira tarefa da Federação de Umbanda do Brasil, fundada em 1939 por incentivo do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Chegamos à década de 40 e o movimento umbandista começa a tomar corpo no Rio de Janeiro.
Este congresso é a primeira iniciativa coletiva da religião em estabelecer o que é e o que não é Umbanda, buscando entender qual seria a identidade da Umbanda. Coloco abaixo alguns fragmentos do livro que relata o que foi o Congresso:
“A IDEIA DO CONGRESSO
O conceito alcançado entre nós pelo Espiritismo de Umbanda…
(…) Sua prática variava, entretanto, segundo os conhecimentos de cada núcleo, não havendo, assim, a necessária homogeneidade de práticas, o que dava motivo à confusão por parte de algumas pessoas menos esclarecidas, com outras práticas inferiores de espiritismo.”
Fundada a Federação Espírita de Umbanda há cerca de dois anos, o seu primeiro trabalho consistiu na preparação deste Congresso, precisamente para nele se estudar, debater e codificar esta empolgante modalidade de trabalho espiritual, a fim de varrer de uma vez o que por aí se praticava com o nome de Espiritismo de Umbanda, e que no nível de civilização a que atingimos não tem mais razão de ser.
DISCURSO INAUGURAL
Pronunciado pelo 1° Secretário da Federação Espírita de Umbanda, Sr. Alfredo António Rego, na reunião de 19 de Outubro de 1941.
„A obra a que neste momento vamos dar início, com o pensamento inteiramente voltado para Jesus, Nosso Mestre e Senhor, é daquelas que, pelo vulto de sua grandiosidade, não podem ser concluídas numa única encarnação.‟
„(…) Umbanda deixará de ser de agora em diante aquela prática ainda mal compreendida por numerosos dos nossos distintos confrades da Seara do Mestre, para se tornar, assim o cremos, a maior corrente mental da nossa era, nesta parte do continente sul-americano.‟”
Foram apresentadas muitas teses sobre a Umbanda neste congresso, que ela teria origem na Lemúria, na Atlântida, na África e outras. A Palavra UMBANDA foi considerada uma palavra sânscrita deturpada de seu vocábulo original (AUMBANDÃ). No Segundo Congresso de Umbanda, em 1961, esta ideia foi retificada, reconhecendo-se que a palavra já existia na língua quimbundo falada em Angola. Seu significado é a prática espiritual de cura do sacerdote chamado Kimbanda.
Lourenço Braga publica UMBANDA E QUIMBANDA, seu “trabalho apresentado” no Primeiro Congresso de Umbanda, 1941; estranhamos não ser citado em nenhum momento no livro do Congresso. Lourenço Braga é o primeiro a dividir as Sete Linhas em quarenta e nove Legiões. Podemos considerá-lo um pioneiro, com um trabalho hercúleo que foi a organização destas legiões que seriam copiadas por muitos autores posteriores a ele, sem que seu nome fosse citado. Assim como a teoria do AUMBANDÃ, do Primeiro Congresso de Umbanda, também apareceria em obras posteriores sem os devidos créditos ao idealizador (Diamantino Trindade, Delegado da Tenda Mirim para o Primeiro Congresso de Umbanda).
Lourenço Braga publica ainda os títulos:
Trabalhos de Umbanda ou Magia Prática, 1950; Os Mistérios da Magia, 1953; Umbanda e Quimbanda II, 1955.
J. Dias Sobrinho publica Forças Ocultas Luz e Caridade, 1949, um livro interessante com uma ótica bem espírita e dividido em duas partes. Na primeira A constituição espiritual do homem e na outra Espiritismo. Segue o modelo de Lourenço Braga em dividir o Espiritismo em três partes (Kardecismo, Umbanda e Kimbanda) e também nas subdivisões das Sete Linhas com Legiões. Apresenta algumas teorias mirabolantes como o “Cisma de Irschu”, não são ideias próprias como as de Lourenço Braga, já são adaptadas das dele e de outros autores. Este “Cisma”, apesar de fantasioso, também seria copiado por outros autores.
Oliveira Magno publica Umbanda Esotérica e Iniciática em 1950, apresenta logo na primeira página o “Símbolo Esotérico-Umbandista” – Um círculo com um triângulo feito de flechas, um coração e uma cruz, um símbolo dentro do outro respectivamente – e explica: As três setas são os três mundos (o físico, o intermediário, o espiritual); o coração é o amor universal; a cruz representa o Cristo (Oxalá) e o círculo é o Universo.
Publica também:
Práticas de Umbanda, 1951; Umbanda e Ocultismo, 1952; Ritual Prático de Umbanda, 1953; Antigas Orações da Umbanda, sd.; Umbanda e seus Complexos, sd.; Pontos Cantados e Riscados de Umbanda, sd.
Silvio Pereira Maciel se caracteriza por uma literatura acessível, composta de doutrina, preces, pontos cantados, pontos riscados e curiosidades. Títulos:
Alquimia de Umbanda, 1950; Umbanda Mista, sd. e Irradiação Universal de Umbanda, sd., 1974.
Aluízio Fontenele surge no final da década de 40, não sabemos a data exata de publicação de seus títulos, que não consta, mas há na capa dos três livros uma foto do autor com a data de 1951 e a data de seu desencarne em 1952. Por se tratar de três títulos, com certeza foram produzidos no final da década de 40.
Aluízio Fontenele retoma e faz uma releitura das Linhas e Legiões de Lourenço Braga, com uma inovação, nas linhas de esquerda ele associa os nomes dos Exus com nomes dos “demônios” da Magia Negra Europeia, também conhecida como Goécia. Provavelmente foi o primeiro a fazer este tipo de associação que vai aparecer em outras obras na posteridade. São seus os títulos:
O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei da Umbanda, sd.; Umbanda Através dos Séculos, sd. e Exu, sd.
Yokaanam, Chefe Espiritual da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal, publica Evangelho de Umbanda, em 1951. Apresenta nesta obra o autor uma elaboração do que é e como praticar a Umbanda, desde como se vestir até a forma como deve ser construído e organizado o templo. Também combate a ideia das sete linhas de Umbanda pontificada com sete Orixás, já adotada por alguns autores anteriores como Leal de Souza e Lourenço Braga. Diz Yokaanan que estes autores são africanistas.
Provavelmente é o primeiro a publicar a ideia de que UMBANDA é a BANDA de DEUS, a BANDA do UM ou LEGIÃO de DEUS, conceito que se tornaria popular, com seu apelo à língua portuguesa.
“(…) UMBANDA – Vem de UM + BANDA.
UM que significa DEUS… BANDA que significa Legião, Exército… ou Lado de Deus! Ora, assim sendo não pode ser confundida com o Africanismo…”
Tancredo da Silva Pinto, Tata Ti Inkice Tancredo da Silva Pinto ou simplesmente Tata Tancredo como era chamado – presidente perpétuo da Congregação Espírita Umbandista do Brasil – defendia a origem afro da Umbanda e é considerado o pioneiro do ritual Omolocô. Nas suas palavras, “A origem do Culto Omolocô vem do sul de Angola, sendo uma nação pequenina às margens do rio Zambeze que o tem como Zambi, que lhes dava a alimentação necessária, proveniente das enchentes.” (A Origem da Umbanda). Também define o Ritual de Cabula (Camba de Umbanda), fala com desenvoltura e linguagem simples desde a cultura afro-indígena até o hinduísmo (Doutrina e Ritual de Umbanda). São seus os titulo abaixo:
Doutrina e Ritual de Umbanda, 1951 (parceria de Byron Torres de Freitas); As Mirongas de Umbanda, 1953 (parceria de Byron Torres de Freitas); Camba de Umbanda, sd. (parceria de Byron Torres de Freitas); A Origem da Umbanda, sd.; Umbanda – Guia para Organização de Terreiros, sd.; Horóscopo de Umbanda, sd.; Negro e Branco na Cultura Religiosa Afro Brasileira, sd.; O Eró(segredo) da Umbanda, 1968; Os EGBAS, 1976 e As Impressionantes Cerimônias da Umbanda, sd.
Emanuel Zespo é o pseudônimo usado pelo professor Paulo Menezes, filho de Leopoldo Betiol, esclarecido e com argumentação clara, defende a Umbanda como Religião Brasileira.
Codificação da Lei da Umbanda, 1953.
Consiste de um ensaio para a Codificação da Umbanda ou uma tentativa de chamar a atenção de outros líderes para esta questão. Divide o conteúdo em Parte Científica e Parte Prática, fecha o prefácio saudando o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
“Escrevemos para o umbandista e para o não umbandista.
Ao primeiro fornecemos os argumentos científicos com os quais ele poderá justificar ao mundo a razão de ser da Umbanda. Ao segundo damos explicações claras do que é a Umbanda…
(…) Comecemos pela Codificação na parte Científica e na parte Ritualística; mas não esqueçamos que a base da parte moral é confraternização de todos os umbandistas.
(…) Saravá o Caboclo das Sete Encruzilhadas!
Viva Jesus!” Emanuel Zespo (pp.8-11)
Samuel Ponze confessa que nunca conheceu Emanuel Zespo, mas toma ao pé da letra o sentido de codificador para este. Em seu livrinho – 46 páginas – faz perguntas e respostas sobre a Umbanda, sempre citando o codificador. No prefácio afirma “Não me sentiria capaz de continuar a obra de Zespo, mesmo ela está concluída; contudo, desejo divulgá-la e esclarecê-la por ser a mais sensata em matéria de Umbanda, publicada até hoje no Brasil conforme bem disse o „Jornal de Umbanda‟”. O Jornal de Umbanda a que se refere é o mesmo que foi idealizado por Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Lições de Umbanda, 1954.
Florisbela M. Sousa Franco, autora de dois livros conhecidos, seu trabalho consiste de mensagens que variam entre textos inspirados, uma ou outra mensagem recebida mediunicamente e pesquisa. São principalmente textos doutrinários. Sua primeira publicação é de 1953, onde apresenta o triângulo de Umbanda, Caboclos (energia), Crianças (inocência) e Pretos-velhos (humildade). Talvez tenha sido a primeira pessoa a colocar este triângulo assim desta forma em livro.
Umbanda, 1953 e Umbanda para os Médiuns, 1958.
AB‟D Ruanda fez um livrinho simples de perguntas e respostas, que durante muito tempo foi comercializado, acredito que ainda seja possível encontrá-lo, a primeira edição é de 1954, chama-se Lex Umbanda: Catecismo, mas nas edições posteriores saíram apenas como Catecismo de Umbanda.
Lex Umbanda: Catecismo, 1954 e Banhos e Defumações na Umbanda, sd.
Benjamim Figueiredo fundador da tenda Espírita Mirim, 1924, e do Primado de Umbanda, incentivador do “Colegiado Espiritualista do Cruzeiro do Sul”, “Círculo de Escritores e Jornalistas de Umbanda”, “Movimento de Unificação Nacional pró Religião de Umbanda”. Fundador da “Escola Superior Iniciática de Umbanda do Brasil”. Incentivador do Primeiro, Segundo e Terceiro Congressos de Umbanda (1941, 1961 e 1973). Publicou no livro abaixo com mensagens do Caboclo Mirim, textos e pontos cantados.
Okê Caboclo!, sd.
São estes acima os pioneiros na Literatura Umbandista, autores que surgiram ou publicaram seus títulos até a primeira metade da década de 50. Depois deste período surgiram muitos outros autores, a todos rendemos nossas homenagens.
A Literatura de Umbanda hoje
Hoje a literatura de Umbanda passa por uma mudança de conceito, surgiu na década de 90 uma literatura psicografada de umbanda, o médium Rubens Saraceni trouxe o estilo de romance mediúnico (tão comum no “Kardecismo”) para a Umbanda.
Publicou inicialmente O Guardião da Meia Noite e o Cavaleiro da Estrela da Guia que se tornaram rapidamente os títulos mais lidos entre os Umbandistas. Encontrou o autor na Editora Madras, através de seu presidente, Sr. Wagner Veneziani Costa, apoio irrestrito para a publicação e divulgação dos títulos umbandistas.
O Sr. Rubens Saraceni e a Editora Madras mudaram um paradigma no mundo livreiro, pois as editoras e livrarias não aceitavam títulos de Umbanda e os mesmos eram encontrados apenas em lojas de artigos religiosos, agora outras editoras já se animam em publicar títulos de umbanda e outros umbandistas se sentiram incentivados, também, a psicografar romances umbandistas e obras doutrinárias.
A própria Editora Madras abriu espaço para novos autores de Umbanda, ao que podemos citar o sucesso da última Bienal do Livro, 2008, em que ao lado de Rubens Saraceni estavam também Rodrigo Queiroz, com o romance psicografado Redenção, Iara Drimel com o romance psicografado A História da Senhora Pomba-gira Rosa do Lodo e Angélica Lisanti com o título Cristais e os Orixás. Também citamos como autores de Umbanda nesta editora Lurdes Campos Vieira, Nelson Pires Filho, Vicente Paulo de Deus, Nilton de Almeida Junior, José Augusto Barbosa e Pai Ronaldo Linares.
Citamos estes autores apenas para que se tenha uma ideia do que vem sendo publicado sobre Umbanda e do trabalho da Editora Madras (www.madras.com.br).
Rubens Saraceni conta hoje com mais de cinquenta títulos publicados, e seu Pai espiritual Ronaldo Linares, que conviveu com Zélio de Moraes, acaba de publicar em parceria com Diamantino Trindade e Wagner Veneziani dois títulos importantes pela Editora Madras. O primeiro é Iniciação à Umbanda, livro já consagrado no meio umbandista, possuía publicação anterior em dois volumes, agora ganha uma versão única, ampliada e revisada. Neste título o leitor irá encontrar a história de Zélio de Moraes, seus ensinamentos para Ronaldo Linares, fotos do Pai da Umbanda e de seus trabalhos. O outro título de Ronaldo Linares é Os Orixás na Umbanda e no Candomblé, que antes estava dividido em uma coleção de títulos sobre os Orixás, agora reunido em volume único.
Quanto às livrarias aos poucos vêm dado mais destaque à Umbanda e aos autores umbandistas.
Esperamos sinceramente que os umbandistas aproveitem os ensinamentos e esclarecimentos que surgem na obra literária umbandista. Hoje, mais do que nunca os guias e mentores da Umbanda registram seus ensinamentos no papel, pela psicografia.
Todos podem e devem ler e estudar para entender a Umbanda além da manifestação mediúnica no terreiro (Tenda, Centro ou Templo de Umbanda), entendê-la enquanto religião – com doutrina, teologia e ritual próprios. Bons estudos e boa leitura a todos.
Obs.: Existe a proposta de criar um curso virtual (e presencial) sobre a História e Literatura de Umbanda, no qual pretendo explorar mais os títulos antigos e até, quem sabe, disponibilizar algumas cópias virtuais de títulos antigos ou de partes deles que sejam importantes para nossos estudos em conjunto. Estou montando uma lista de interessados neste curso, para tanto peço a todos que me enviem um e-mail para alexandrecumino@uol.com.br e coloque no assunto ou no corpo do e-mail: “Curso de História e Literatura de Umbanda”.
Temos ainda muitos e bons projetos no campo do estudo e conhecimento de nossa religião, peço apenas um pouco de paciência com minhas limitações, principalmente de tempo e espaço. Aos poucos e sem pressa vamos nos organizando e disponibilizando mais e mais material de estudo…
E mais uma vez, Muito, Muito, Muito obrigado a todos que possibilitaram este nosso encontro, meu agradecimento especial a todos os guias e mentores de cada um de vocês que muito fizeram no astral para que concluíssemos este curso. Oxalá e todos os Orixás estejam em nossos corações, palavras e mente. Nos abençoem aqui, agora e sempre…
Alexandre Cumino

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nov 14

Frei Gabriel Malagrida – O Jesuíta

gabriel_malagrida_No ano de 1689, às margens do rio Como, na Vila de Monagio, nascia um menino que recebeu o nome de Gabriel Malagrida (que significa ”As Vozes Harmoniosas de Deus”).
Desde cedo Gabriel demonstrou tendências místicas. Entrou para o seminário de Milão onde foi ordenado e professou na Companhia de Jesus em 1711.
Gabriel desejava cumprir sua missão no Brasil, porém Tamborini, o Geral da Companhia de Jesus, havia lhe reservado a cadeira de Humanidades no Colégio de Bastis, na Córsega. Mais tarde conseguiu se transferir para Lisboa, em 1721, onde depois de algum tempo conseguia embarcar para o Maranhão.
Gabriel e o Brasil
Nessas terras, Gabriel pregou internando-se no sertão, enfrentando sérios perigos e vencendo com a fibra de quem se julgava destinado a cumprir uma missão superior no Planeta, uma missão de conquistar almas para o Céu. Apresentava evidentes sintomas mediúnicos ouvindo vozes misteriosas e chegou mesmo a pensar que operava milagres.
Em 1727 começou a árdua tarefa de catequizar os índios no Maranhão, conseguindo nessa mesma ocasião amansar a feroz tribo dos Barbassos. Fundou no Maranhão uma missão que teve grande desenvolvimento, sustentando uma peregrinação apostólica. Foi em seguida, em 1730, para a Bahia e Rio de Janeiro onde continuou a pregar, alcançando grande ascendência sobre os índios. Apareceu então convertido no apóstolo do Brasil.
Dizia que conversava com Deus e que lhe aparecia a Virgem Maria, e para completar seus feitos, descrevia os “milagres” que operava.
Em 1749 partiu para Lisboa, onde foi recebido com fama de santo por muitos fiéis. Nessa época Dom João V se encontrava muito doente, e Gabriel, a seu pedido, o assistiu nos seus últimos momentos.
Em 1751 retornou ao Brasil onde ficou ate 1754, ano em que foi chamado a Lisboa pela Rainha Dona Mariana da Áustria. Encontrou no poder Sebastião José, o terrível Marquês de Pombal, que não permitiu sua presença por muito tempo junto à Rainha. Por esse motivo, Gabriel se isolou durante algum tempo em Setúbal.
Gabriel e a Inquisição
No dia 1° de novembro de 1755, Lisboa foi destruída por um terremoto. Correu o boato que a catástrofe era castigo do céu. Pombal mandou publicar um folheto escrito por um padre, explicando o fenômeno e as causas naturais que o determinaram. Gabriel apareceu em público com um opúsculo, onde procurava corrigir o teor da publicação. Nesse opúsculo, Gabriel afirmava que o terremoto era verdadeiramente um castigo do céu. Pombal enfurecido mandou queimar o opúsculo e desterrou Gabriel para Setúbal.
Em setembro de 1758, ocorreu um atentado contra a vida de Dom José. Algumas semanas antes, Gabriel havia escrito uma carta ameaçadora ao Marquês de Pombal. Gabriel foi preso, em 11 de dezembro, como responsável pelo atentado e encarcerado nas prisões do Estado. Pombal vasculhou seus livros e nessa oportunidade lhe atribuiu passagens que pareciam pouco ortodoxas, e foi entregue à Inquisição.
Gabriel foi condenado à pena de garrote e fogueira, sendo executado na Praça do Rossio em 21 de setembro de 1761.
Uma comprovação destes fatos pode ser encontrada na Biblioteca de Amsterdam, onde existe uma cópia do seu famoso processo, traduzida da edição de Lisboa. Nesse processo pode-se ler que Malagrida foi acusado de feitiçaria e de manter pacto com o Diabo que lhe havia revelado o futuro!…
Gabriel Malagrida reencarnou no Brasil (talvez para se refazer da árdua encarnação como jesuíta) se preparando para a importante missão que lhe estava reservada dentro do Movimento Umbandista no século XX, como Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Texto extraído do site http://www.geocities.com/Athens/Acropolis/9175/historia.htm

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nov 14

Entrevista com Alexandre Cumino

Revista Espírita de Umbanda com Marques Rebelo, 25/08/2009

13261016_1215523575133936_1311318603_n1-Alexandre Cumino por Alexandre Cumino. Quem é Alexandre Cumino? Apresente-se aos nossos leitores.
Sou apenas mais um na banda do UM, nem mais nem menos, sigo com as mesmas dificuldades comuns a todos, buscando superar minhas limitações pessoais nestes caminhos materiais e espirituais.
2-Há quantos anos você edita o Jornal Umbanda Sagrada? Qual a filosofia do jornal?
Edito o Jornal de Umbanda Sagrada há sete anos, fundado pelo meu irmão Rodrigo Queiroz em 1999, o mesmo esteve à frente da edição nos três primeiros anos.
A filosofia do Jornal é a “Filosofia Umbandista”, não fazemos assinaturas, não vendemos anúncios e a distribuição é gratuita, o que já diz muito. O Jornal nasceu como um panfleto e ao longo dos anos foi ganhando corpo como um simples informativo da religião, sem muita pretensão, nosso objetivo é desmistificar e esclarecer apenas. Sempre peço inspiração para o direcionamento do mesmo, e a maior aspiração é encantar o leitor em geral, da mesma forma que a Umbanda nos encanta.
3-Conte como foi sua passagem pelo Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda.
Conheci o Rubens Saraceni em 1995, estava iniciando na Umbanda e carecia de entender o que estava acontecendo comigo e em que universo eu estava entrando. Já havia procurado outros sacerdotes, mas ninguém tão disposto a ensinar quanto ele, nos tornamos amigos e acompanhei a criação dos cursos de Teologia de Umbanda Sagrada, Desenvolvimento Mediúnico, Sacerdócio de Umbanda Sagrada e Magia do Fogo.
Participei da fundação do Colégio de Umbanda Sagrada “Pai Benedito de Aruanda”, em 1999, fui durante alguns anos vice-presidente do mesmo e, independente do Colégio Pena Branca, me sinto parte integrante de todo o trabalho realizado pelo Rubens.
Portanto, eu não apenas passei por lá, eu estou lá, onde é a casa de meu Pai Espiritual. Para mim é uma grande oportunidade conviver, aprender e multiplicar este conhecimento.
4-A Umbanda é também uma religião espírita, por conter em seus princípios básicos a crença na reencarnação e o trabalho com Espíritos na prática da caridade. Então, perguntamos: Qual é o espelho moral da Teologia de Umbanda Sagrada?
A Umbanda é tão “espírita” quanto afro, indígena ou cristã por exemplo. É uma religião brasileira, que é a cara do brasileiro, a moral da Umbanda é a moral deste povo. Teologia é a forma de o religioso expressar sua religião, assim se produz teologia, portanto seu espelho, universal, é a Umbanda.
5-O Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca, sob sua responsabilidade espiritual e material, trabalha com quais professores e quais as metas futuras do colégio?
Temos alguns colaboradores que são religiosos e assim como eu são, apenas, “ministrantes” dos cursos por eles propostos. O que nós ensinamos não se aprende em faculdade, por este motivo não somos “professores” no sentido formal da palavra, somos “aprendentes” e “ensinantes” umbandistas. Salvo o Professor Edmundo Pelizari, formado em Teologia com pós-graduação nos EUA e o Pr. Dr. Hédio Silva Junior, que ministra o Curso de Direitos e Deveres nas Religiões Afro-Brasileiras.
Estes religiosos desenvolveram, com muito esforço e dedicação, os cursos por eles ministrados, são eles: Severino Sena (Curimba: Canto e Toque na Umbanda), Jorge Scritori (Curso de Benzimento), Mônica Berezutchi (Portal de Luz do Pai Obaluayê), Adriano Camargo (Curso de Ervas na Umbanda) e Rodrigo Queiroz (Magia das Oferendas).
O futuro do Colégio está nas mãos dos Orixás, espero ser um bom instrumento e conduzi-lo segundo os planos de nosso Pai Oxalá e do Caboclo Pena Branca.
6-Como você vê a importância da Doutrina Espírita na Umbanda Sagrada?
Tão importante quanto a doutrina católica, afro, hindu ou indígena. É um dos elementos formadores da Doutrina Umbandista.
7-Qual o critério que o Colégio Pena Branca adota para formar Sacerdotes de Umbanda Sagrada?
Para entrar no Curso de Sacerdócio deve-se ser médium de incorporação já desenvolvido, que trabalhe ou tenha trabalhado mediunicamente na “manifestação do espírito para a caridade”, como diria o Caboclo das Sete Encruzilhadas. É preciso que tenha cursado ou esteja cursando Teologia de Umbanda Sagrada, um curso de um ano de duração no qual está toda a base teórica do sacerdócio. Nas primeiras aulas são chamados todos os caboclos em terra e perguntamos a eles se estão de acordo que seu médium ingresse no curso, uma vez que o astral sabe qual é a proposta do curso. Este é o critério para ingressar no curso, determinado pelo astral.
Muitos alunos já são sacerdotes, dirigentes espirituais, outros nem têm a missão de comandar ou dirigir uma casa, mas todo médium umbandista é um sacerdote em potencial, quanto missão sacerdotal fica a critério dos mentores deste médium.
8-Sabemos que você está preparando um novo livro, que fala sobre o escritor Leal de Souza e as Sete Linhas de Umbanda. Como está o andamento desse projeto?
O Livro é sobre a História da Umbanda, e está quase pronto.
9-Há pessoas que dizem não entender a Teologia de Umbanda Sagrada; leem os livros, mas acham de difícil compreensão. Qual conselho você daria a essas pessoas?
Dou o conselho de fazer o Curso de Teologia de Umbanda Sagrada, quanto à compreensão da leitura recomendo começar com o Guardião da Meia Noite e Cavaleiro da Estrela Guia para os romances e quanto aos títulos de doutrina e teologia recomendo começar com os mais “fininhos”. O Código de Umbanda, por exemplo, recomendo para quem já leu Doutrina e Teologia, Rituais Umbandistas, Arquétipos da Umbanda, Umbanda Sagrada e Sete Linhas da Umbanda entre outros de Rubens Saraceni.
10-Qual a importância de Zélio de Moraes para a religião umbandista?
A importância de fundador da religião, até que alguém descubra alguma Tenda de Umbanda que seja anterior à Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

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nov 14

Quando você responde Sim sou Umbandista

por Danilo Lopes Guedes

umbandaConheço muitos Umbandistas e quando são questionados sobre qual é a sua crença a maioria diz: “Sou espírita”, outros “Sou católico” e poucos “Sou Umbandista”.
Aí vem o meu questionamento, por que não dizer “Eu sou Umbandista”?
Eu procuro entender estas respostas variadas. Pergunte as pessoas de outras religiões qual é a sua crença? Você verá um orgulho no olhar e com a cabeça erguida lhe dizer: “Sou evangélico”, “Sou católico”, “Sou budista” etc.
Pensei, o que os Umbandistas não possuem que os outros possuem e lhe impede de dizer exatamente a sua crença? Com base nisso comecei a questionar estas pessoas e a maioria tem a mesma linha de raciocínio, se eu falo que sou Umbandista não sou bem visto pelos demais, ou então, um preconceito baseado na falta de conhecimento que faz com que as pessoas acabem se afastando de mim.
Então vamos lá:
• A Umbanda é uma religião, certo?
Certo.
• A Umbanda sendo uma religião então só pode fazer o bem, certo?
Certo.
• Os Umbandistas que praticam a essência da Umbanda, sempre, mas sempre, farão o bem ao próximo, certo?
Certo.
• Os cultos Afros (Umbanda e Candomblé, por exemplo) são protegidos pela Justiça, se existir a discriminação religiosa é considerada um crime, certo?
Certo.
Com base nos questionamentos e nas respostas acima não consigo entender o medo de declarar a vossa crença, este medo de dizer claramente e com convicção “Sou Umbandista”, estamos falando de uma Religião, somos amparados por uma doutrina de amar a Deus acima de qualquer coisa, se estamos protegidos pela Justiça no caso de existir uma discriminação Religiosa. Como todas as outras religiões, a Umbanda só quer ajudar, direcionar e fazer o bem ao próximo. Volto a questioná-los, por que não dizer: “Sou Umbandista”?
Acho que já passou da hora dos Umbandistas apresentarem as vossas “caras”, sabe meus irmãos de Fé, desde o seu surgimento até os dias atuais, a Umbanda vem sendo perseguida, aí vem a dúvida, mas a culpa é apenas dos outros? Não é apenas dos outros, é nossa também porque não estamos de mãos dadas, unidos pra lutar pelo seu nome, seus fundamentos e seus trabalhos.
Vamos nos unir e vamos dizer a verdade sobre qual é a nossa crença, sem medo de nada, se você está aqui pra ajudar e orientar as pessoas, então porque se esconder atrás de outras religiões?
Tenha orgulho de dizer:
“Sim, sou Umbandista”.
Médium, Danilo Lopes Guedes, do Núcleo de Umbanda Casa da Vovó e do Vovô, 12/08/2009.
Contatos: casadavovodovovo@gmail.com

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nov 07

Saudações aos Orixás

Êpa Babá – Saudação ao Orixá Oxalá
Significando: olá, com admiração e espanto, ao ancestral dos ancestrais;

Okê Arô – Saudação ao Orixá Oxossi
Significa Autoridade, rei, que fala mais alto, ou seja salve o Rei que é aquele que fala mais alto.

Ogum iê – Saudação ao Orixá Ogum
Significando salve Ogum

Epa Hei – Saudação a Orixá Iansã
Significa falar com espanto Olá. Esse espanto de grandeza de admiração ao ver o Orixá e dizer a ele Olá Iansã, Olá Oiá.

Ora Aie Ie o – Aieieo – Saudação a Orixá Oxum
Significa salve a benevolente mãezinha.

Odoia ou Odociaba – Saudação a Orixá Iemanjá
Significam Mãe das águas

Atotô – Saudação para o Orixá Omolu
Significando “Silêncio! Ele está aqui!”

Atotô – Saudação para o Orixá Obaluayê
Significando “Silêncio! Ele está aqui!”

Saluba Nanã – Saudação a Orixá Nanã Buruquê
Significado é: “nos refugiamos em Nanã” ou salve, a senhora do posso, da lama”.

Kaô kabecilê – Saudação ao Orixá Xangô
Significa – venham ver (admirar, saudar) o Rei (Alteza) da Casa

Salve Oyá-Tempo – Saudação para a Orixá Logunam
Significa salve mãe dos rios e do tempo (mãe temporal)

Obá Xirê – saudação para a Orixá Obá
Significa – te saudamos Obá com os seus 
cânticos

Kaly Yê – saudação a Egunitá / Oroiná
Significa te saudamos Mãe Kaly

Arroboboi – (diz: AÔBOBOI) saudação a Oxumarê
Significa te saudamos meu Pai Oxumarê

Laroyê, Exu! Exu é mojubá! – Saudação ao Orixá Exu
Significa Mensageiro, Exu! Exu a vós meus respeitos!

Laroyê, Pomba Gira! Pomba Gira é mojubá! – Saudação a Orixá Pomba Gira
Significa Mensageira, Pomba Gira! Pomba Gira a vós meus respeitos!

Laroyê, Exu Mirim! Exu Mirim é mojubá! – Saudação ao Orixá Exu Mirim
Significa Mensageiro, Exu Mirim! Exu Mirim a vós meus respeitos!

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out 31

Umbanda – O pronto Socorro espiritual

Por Rubens Saraceni

umbanda-prontosocorroUmbanda é uma Religião fascinante se estudada com isenção e racionalismo, mostrando-nos a grandeza Divina de Deus e as infinitas possibilidades que Ele nos oferece para nos auxiliarmos quando entramos em desequilíbrio com o Plano Espiritual e o Natural.

Se soubermos interpretar o simbolismo umbandista veremos que, mais que uma Religião, a Umbanda é um Pronto Socorro Espiritual Equipadíssimo para acolher todos os necessitados de um. As pessoas seguidoras de outras religiões não vão à Umbanda para rezar, e sim vão em busca do socorro imediato para as mazelas que, em suas religiões, não têm como ser tratadas adequadamente.

Vemos entrar e sair dos Centros Umbandistas pessoas seguidoras das mais diversas religiões, todas necessitadas de tratamento Espiritual imediato, muitas delas à beira de um colapso nervoso, do suicídio, da loucura, da confusão que incutiram em suas mentes com mensagens religiosas contraditórias que, em vez de orientá-las, as confundiram de tal forma que muitas perderam a fé no referencial divino que tinham.

Com os espíritos que se manifestam através dos meus médiuns muitos encontram palavras de consolo, de conforto e de esclarecimentos que, pouco a pouco, fornecem-lhes novos referenciais, todos fundamentados na imortalidade do espírito e na necessidade de espiritualizarem-se, porque só com uma pessoa se entendendo como espírito imortal encarnado para cumprir mais uma etapa da sua evolução, ela lidará de forma correta com suas dificuldades aqui na terra e alcançará o equilíbrio íntimo para superá-las ou transmutá-las.

Os referenciais divinos de quase todas as religiões são idênticos e estão calcados na existência de um Deus onipresente e onipotente que tudo pode e tudo faz; que é justo e perfeito e que não de sampara ninguém em momento algum, fornecendo a todos o seu amparo divino.

Esse referencial divino é verdadeiro e não estamos negando-o ou questionando-o, porque também acreditamos nele e o ensinamos a todos que acreditam na existência de Deus.

O que questionamos acerca desse referencial divino é que muitos limitaram a religiosidade das pessoas nessa afirmação (verdadeira) e negaram tudo mais que faz parte do aprendizado e da espiritualização delas, negando-lhes o benefício da busca e a satisfação de poderem, por si, solucionarem as dificuldades do dia a dia e de sanarem as dúvidas da existência que surgem naturalmente no decorrer de suas passagens terrenas.

Na mente do doente, do desempregado, do solitário, do desesperançado, do desiludido, do desequilibrado mental e emocional etc. passam pensamentos terríveis sobre sua condição de sofredor em meio a tantas pessoas saudáveis, em meio a tantas pessoas empregadas e em ótima situação financeira, em meio a tantas pessoas felizes, em meio a tantas pessoas cheias de esperança e felizes pelo sucesso já obtido em seus projetos de vida. A legião de sofredores encarnados é imensa e em certos momentos nós (eu e você, amigo leitor) já fizemos parte dela (ou ainda somos), certo?

Aos membros temporários ou permanentes dessa imensa legião de sofredores encarnados soma-se a dos espíritos já desencarnados, muito maior e em piores condições porque já não têm a estabilidade do plano material para se agarrarem e não serem tragados pelo abismo do desespero, do tormento e da sensação de desamparo total nos momentos mais difíceis das suas existências.

Faltou a alguns intérpretes de Deus revelarem aos seus seguidores que Deus é Onipotente, Onisciente e Onipresente, que tudo pode e tudo faz em nosso benefício, não desamparando ninguém em momento algum, mas que tem Sua forma de nos auxiliar na solução das nossas dificuldades, todas elas passando por nós mesmos e contando com a nossa participação na solução dos nossos problemas.

Deus possui muitos modos de operar em nosso benefício e um deles é através do auxílio dos espíritos mais evoluídos que, invariavelmente, voltam-se para os menos evoluídos e passam a auxiliá-los para que lidem de forma correta com suas dificuldades, sejam elas transitórias ou permanentes.

As dificuldades transitórias são solucionadas rapidamente. Já as permanentes, a solução delas só é possível com uma transformação integral do ser, pois a mente, que é a fonte dos pensamentos, não pode estar dissociada da razão e do bom senso, que são fontes de equilíbrio e racionalismo.

Ou a mente e a razão estão associadas e centradas ou a qualidade dos pensamentos deteriora-se e elas se autoanulam pelas contradições, enfraquecendo a fé e anulando a crença em um Deus, Justo e Perfeito, que não desampara ninguém e a todos socorre o tempo todo, mesmo quando a solução das nossas dificuldades está em nós.

Espiritualizar-se é mais que crer em Deus! É o ser crer-se parte Dele e que todas as nossas ações refletem Nele e retornam para nós, os seus emissores.

É crer-se uma célula do corpo de Deus que, se está saudável, realiza suas funções sem chamar a atenção dos “anticorpos” espirituais, mas, se ficar enferma, atrairá a atenção deles e começará a ser atacada de todos os lados até ser devorada por eles, que têm justamente essa função: Destruir e remover do corpo todas as células que se tornarem enfermas e ameaçarem a saúde, o bem-estar e o equilíbrio existente nele.

A “célula enferma” não entende porque só ela está sendo atacada e todas as outras (suas irmãs) não são incomodadas pelos “anticorpos”, ainda que estejam ao seu lado. Com certeza essa célula enferma tem muitos porquês sem respostas, não é mesmo? Tal como todas as pessoas, em certos momentos de nossa existência, quando estamos sofrendo porque fomos atacados violentamente por forças desconhecidas, fraquejamos e sentimos que fomos abandonados à nossa própria sorte (ou azar).

Quantas pessoas não veem suas vidas desmoronarem de uma hora para outra, perdendo tudo o que acumularam durante anos por causa de um mau negócio; de um projeto que não deu certo; devido uma onda de doenças; por causa de uma separação conjugal; pela perda de um emprego bem remunerado, etc., e daí em diante tudo muda para pior e escapa-lhes do controle? São acontecimentos corriqueiros, porque acontecem o tempo todo com muitas pessoas, independente da quantas dessas pessoas sofridas e desesperadas não atribuem a Deus a responsabilidade pelos seus infortúnios, pois se sentem abandonadas, punidas ou desamparadas por Ele, que tudo pode, mas nada faz para minorar seus sofrimentos?

Quantas não abandonam suas religiões e começam a buscar nas outras o amparo e a proteção divina, já inexistentes na que segue? Daí em diante passam de uma igreja para outra; de uma religião para outra; de um sacerdote miraculoso para outro, sempre buscando nelas ou neles o que perderam. E, por fim, quando nada mais lhes resta nesse campo (o religioso), já acreditando que tudo lhes foi tirado, aí sim, voltam-se para o Pronto-Socorro Espiritual conhecido por Umbanda.

Na Umbanda, em seus centros despidos de luxo, vergam-se ante a inexorável ação da Lei Maior em suas vidas e curvam-se perante a espiritualidade enquanto ainda há tempo. Diante dos Espíritos-Guias as pessoas relatam seus sofrimentos, abrem seus corações e derramam suas lágrimas para que a esperança brote novamente em suas vidas.

Finalmente a humildade se fez presente em seus íntimos e o “Centro de Macumba e os Macumbeiros”, tão ofendidos e vítimas de todo tipo de sarcasmos e ofensas mostram-se aos seus olhos surpresos que a Umbanda é uma Religião Humanística e Socorrista e que os tão difamados “macumbeiros” são pessoas tão humanas quanto eles e que nada lhes pedem ou cobram-lhes para ajudá-los na reconquista do amparo divino.

Não cobram nada, não pedem dízimo e não cobram caríssimos os “trabalhos” porque, dentro do verdadeiro centro de Umbanda, quem trabalha são os Guias Espirituais, que não precisam de nenhuma vantagem financeira para estenderem suas mãos luminosas aos necessitados.

Isto é Umbanda!

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out 31

Os procedimentos de Umbanda

Por Rubens Saraceni

procedimentosA doutrina de Umbanda estimula os procedimentos corretos e incorporou aqueles mais afins com a um médium é solicitado que conheça o mínimo indispensável para que possa realizar as práticas de Umbanda e seus rituais. Também é exigido que se estude um pouco, porque só assim entenderá tudo o que acontece dentro de um templo de Umbanda durante a realização das giras de Cada religião tem seus paramentos ou suas vestes litúrgicas, e a Umbanda também tem os seus:

Por que o branco é a cor preferencial da Umbanda?

O branco é a cor de Oxalá, o regente da Fé no Ritual de Umbanda Sagrada. Logo, como a fé é o mistério religioso por excelência, o astral tem estimulado o uso dos paramentos brancos. O simbolismo da veste branca é bem visível, além de permitir uma uniformidade na apresentação do corpo mas, se alguém se veste de branco e assume o grau de médium, dele também se exige que purifique seu íntimo, reformule seus antigos conceitos com relação à religiosidade e se porte de acordo com o que dele esperam os Orixás sagrados, pois serão estes que o ampararão daí em diante.

A doutrina de Umbanda tem por objetivo primeiro o auxílio espiritual, e estimula o despertar da consciência religiosa nos médiuns. Os doutrinadores sabem que têm que ser pacientes, pois precisam lidar com pessoas oriundas de outras religiões, as quais já desenvolveram uma consciência mais ou menos de acordo com o que pregam suas doutrinas.

A doutrina tem como um dos seus procedimentos basilares nunca obrigar alguém a renegar a religião que praticava, pois nenhuma religião deve ser renegada ou criticada.

O máximo tolerado pela doutrina é a crítica aos mercadores da fé, aos fanatizantes líderes religiosos das doutrinas obscurantistas, e, ainda assim, se eles forem os primeiros a agredir a religião umbandista, como sempre ocorre, já que sentem uma ameaça invisível aos seus feudos religiosos nas religiões libertadoras do espírito, como o são a Umbanda e o Espiritismo.

As verdades semeadas pelos espíritos são superiores às que eles semeiam e tratam logo de combatê-las. Mas, fora essas escaramuças em nível terra, a doutrina de Umbanda reprova toda tentativa de diminuir outras religiões, pois todas se fundamentam em Deus e em sua divindades. Logo, o universalismo adotado pela doutrina de Umbanda não permite críticas às outras religiões, tampouco obriga alguém a renegar sua antiga crença.

Quem proceder de outra forma não é ainda um verdadeiro médium de Umbanda Sagrada, a mais ecumênica das religiões. Em seus templos manifestam-se espíritos trazendo ainda vibrantes as suas antigas formações religiosas que lhes possibilitaram a ascensão espiritual aos níveis superiores da luz.

Manifestam-se espíritos vindos de todas as outras religiões e regiões do planeta. Uns são hindus, outros são árabes, outros são judeus, budistas, cristãos… e até índios brasileiros e negros africanos, Logo, dentro dos procedimentos recomendados está o de absterem-se de qualquer crítica a outras religiões ou de alimentarem preconceitos religiosos mesquinhos.

Outro procedimento recomendado é respeitar os templos de todas as religiões e seus espaços religiosos, pois, aquele que não respeita a casa alheia não respeita a própria.

Se não consegue ver em um templo alheio uma morada de Deus, então não é digno de dizer que, no seu templo, Ele habita. Em verdade, onde as pessoas se reúnem para louvar a Deus, Ele ali se estabelece e se manifesta, não importando que O invoquem com outros nomes que não o de “Olorum” ou “Zambi”. Deus é único e os nomes que Lhe dão são apropriações humanas de Suas qualidades divinas manifestadas a todos o tempo todo. Afinal, Ele é tudo em Si mesmo e temos de invocá-Lo por um nome que mais nos fale ao coração, certo?

Outros procedimentos recomendados, e já bastante divulgados, são relativos às práticas rituais:

• Em dia de trabalhos mediúnicos, não se deve comer alimentos de difícil digestão ou ingerir bebidas alcoólicas, pois estas entorpecem a mente a anulam a percepção extrassensorial, assim como abrem o campo mediúnico às vibrações negativas e estimulam o emocional dos médiuns;

• a mediunidade só deve ser desenvolvida com o recurso da concentração dos cantos rituais e dos atabaques, e nunca com o concurso de qualquer produto alucinógeno, o qual cria delírios

• médium desequilibrado deve ser afastado do corpo mediúnico e encaminhado para tratamento

• médium alcoolizado, ainda que minimamente, não deve realizar trabalhos práticos, ou deles

• médium que não realizar a higiene espiritual e pessoal, tal como banho com ervas, firmar uma vela para o seu anjo da guarda, firmar sua esquerda e direita, etc., não está apto a realizar um bom trabalho mediúnico. Nessa higiene pessoal inclui-se a bucal, pois não há coisa mais desagradável que um consulente ter que suportar o mau hálito de um médium relapso;

• estar sempre vestido com roupas limpíssimas;

• portar-se com respeito e silêncio dentro das tendas – espaços consagrados às divindades e aos rituais religiosos praticados dentro da Umbanda.

“Texto extraído do livro “Código de Umbanda” – Rubens Saraceni – Editora Madras”

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out 31

Orixá e Entidade Exu Mirim

O Enigma Exu Mirim

Por Rubens Saraceni

Exu-mirimNo decorrer dos milênios, todas ou quase todas as religiões organizadas tiveram nos gêmeos infantis um dos seus mistérios, e eles ocuparam e ainda ocupam um lugar de destaque em muitas na África, em várias religiões, os gêmeos estão presentes ou, quando não aparecem juntos, pelo menos um se faz presente. Assim como ocorre entre os índios brasileiros, em que a criança é chamada de curumim e há seres sobrenaturais infantis ou mirins.

Se assim foi, é e será, então temos que identificar melhor esse mistério e descobrir algumas de suas funções na Criação, porque a partir daí ele fica fundamentado e o entendimento sobre ele torna-se acessível a todos os umbandistas que, quer queiram ou não, têm à esquerda uma entidade “infantil” cuja companhia não recomenda ao seu filhinho, pois preferem colocá-lo num jardim de infância frequentado só por criancinhas da “direita”.

Afinal, essas crianças da “esquerda” (os Exus e as Pombas-giras Mirins) fumam, bebem e ainda atazanam a vida de quem os ofende ou os desagrada, não é mesmo?

São crianças condenadas ao purgatório ou ao abandono nas “ruas”, largadas não se sabe por quem, pois nenhum Orixá assumiu a paternidade delas e nenhum os recolheu aos seus Domínios na criação, preferindo enviá-los para os de Exu que, ao contrário dos outros Orixás, não nega abrigo em

A todos Exu acolhe e com todos se relaciona amigavelmente.

E assim foi na Umbanda, quando ninguém sabia o que fazer com os infantes da esquerda, Exu deu-lhes casa e comida, digo, domínio e campo de ação. Firmado no lado de fora dos templos de Umbanda, mas ganhando aqui e acolá um “ebozinho” minguado para resolver complicações indissolúveis, Exu Mirim foi sobrevivendo à mingua e entre a própria sorte… ou azar quem sabe? Isolado no gueto ou no cortiço dos meninos mal-educados e desbocados, Exu Mirim raramente entra na “casa grande” (no templo) e, ainda assim, é para limpar e levar embora a sujeira alheia (dos consulentes). Afinal, só raramente o chamam para realizar um trabalho de ponta a ponta, ou seja, do começo ao fim! Mas, boa parte da má educação e do “desbocamento” dessas entidades infantes da esquerda deve-se ao comportamento dos seus médiuns afinal, que melhor momento há para fazer “artes” do que quando incorporado com seu Exu Que melhor oportunidade há para falar palavrões do que quando incorporado por um espírito “desbocado e mal-educado?”. Há médiuns que chegam a enfiar os dedos nas narinas e comer ou fingirem que comem “ronhas”, chocando quem os veem fazendo tal coisa.

Há outros que fazem micagens (gestos de macacos) e mostram a língua para os assistentes, além de gestos obscenos impublicáveis quando incorporados com seus Exus Mirins, fazendo uma pantomima mas isso não é inerente aos Exus Mirins, e sim, à falta de informações dos seus médiuns, pois não se doutrinam nem aos espíritos que incorporam e os usam para extravasarem o que têm em seus Exu Mirim é superior a tudo isso e, mesmo sendo relegado à mingua na maioria dos centros e por um grande número de médiuns umbandistas, vem sobrevivendo com um dos mais fechados dos mistérios da Umbanda e vem resistindo a comentários mais absurdos possíveis já publicados por pessoas que não só o desconhecem como nada sabem sobre ele.

Exu Mirim

Por Rubens Saraceni

Escrever sobre Exu Mirim se faz necessário nesse momento porque, desde que psicografei o livro Lendas da Criação – A Saga dos Orixás, sua importância na Criação e na Umbanda mostrou-se maior do não temos escritos abundantes à nossa disposição que nos ensinem sobre esse Orixá ou que o essa falta de textos esclarecedores e fundamentais das suas manifestações religiosas nesse primeiro século de existência da Umbanda deixou Exu Mirim à própria sorte, ou seja: há vagos comentários sobre seus manifestadores que pouco ou nada esclareceram sobre eles e ao que vieram!

Inclusive, por terem sido descritos como “espíritos de moleques de rua”, cada um incorporava-o com os típicos procedimentos de crianças mal-educadas, encrenqueiras, bocudas, chulas, etc.

Foram tantos os disparates cometidos que é melhor esquecê-los e reconstruir todo um novo conhecimento sobre o Orixá Exu Mirim, antes que ele deixe de ser incorporado e relegado ao esquecimento, como já foi feito com muitos dos Orixás que, por falta de informações corretas e fundamentadoras, deixaram de ser cultuados aqui no Brasil.

No Lendas da Criação, Exu Mirim assumiu uma função e importância que antes nos eram desconhecidas. A função é a de fazer regredir todos os espíritos que atentam contra os princípios da vida e contra a paz e a harmonia entre os seres. A importância é a de que nada se pode ser feito na criação sem a concordância de Exu Mirim. Com Exu, dizia-se que “sem ele não se faz nada”. Já, com Exu Mirim, “sem ele nem fazer nada é possível”.

Vamos por partes para entendermos sua importância e fundamentá-lo, justificando sua presença

1) Cada Orixá é um dos estados da Criação. Um é a Fé, outro é a Lei, outro é o Amor, e assim por diante, independente de suas interpretações religiosas.

2) Por serem estados, são indispensáveis, insubstituíveis e imprescindíveis à harmonia e ao equilíbrio do todo. O estado da matéria considerado “frio” só é possível por causa da existência do estado “quente”, e ambos na escala celsus indica os dois estados das temperaturas. Sem um não seria possível dizer se algo está frio ou quente, se algo é doce ou amargo, se algo é bom ou ruim, etc. É a esse tipo de “estado” que nos referimos, e não a um território geográfico, certo?

3) Muitos são os estados da Criação e cada um é regido por um Orixá e é guardado e mantido por todos os outros, pois se um desaparecer (recolher-se em Deus), tal como numa escada, ficará faltando um degrau, e tal como numa escala de valores estará faltando um grau que separe o seu anterior do

4) Quando a Umbanda iniciou-se no plano material, logo surgiu uma linha espiritual ocupada por espíritos infantis amáveis, bonzinhos, humildes, respeitosos e que chamavam todos(as) de titios e titias ao se dirigirem às pessoas ou aos Orixás e guias espirituais. Também chamavam os pretos(as)-velhos(as) de vovô e de vovó. Até aí tudo bem!

5) Mas logo começaram a “baixar” uns espíritos infantis briguentos, encrenqueiros, mal- educados, intrometidos, chulos e que dirigiam-se às pessoas com desrespeito chamando-os disso e daquilo, tais como: seu pu.., sua p…, seu v…., seu isso e sua aquilo, certo? E quando inquiridos, se apresentavam como “exus” mirins, os exus infantis da Umbanda numa equivalência com um erê da esquerda existente no Candomblé de raiz nigeriana.

6) Exu Mirim assumiu o arquétipo que foi construído para ele: o de menino mau! E tudo ficou por aí com ninguém se questionando sobre tão controvertida entidade incorporadora em seus médiuns, pois eles diziam que todo médium tem na sua esquerda um Exu Mirim além de um e Exu e uma Pomba

7) De meninos mal-educados, como tudo que “começa mal” tende a piorar, eis que as incorporações de entidades Exus Mirins começaram a ser proibidas nos centros de Umbanda devido à vazão de desvios íntimos dos médiuns que eles extravasavam quando incorporavam nos seus.

8) De mal vistos, para pior, essa linha de trabalhos espirituais (onde cada médium tem o seu Exu Mirim), quase desapareceu e só restaram as incorporações e os atendimentos de um ou outro Exu Mirim “muito bom” mesmo no ato de ajudar pessoas.

9) Então ficou assim decidido, mais ou menos, por muitos:
a) Exu Mirim existe, é mal-educado e incontrolável e de difícil doutrinação.
b) Vamos deixar Exu Mirim quieto e vamos trabalhar só com linhas espirituais doutrináveis e possíveis de serem controladas dentro de limites aceitáveis.

10) Exu Mirim praticamente desapareceu das manifestações Umbandistas porque suas incorporações fugiam ao controle dos dirigentes e seus gestos e palavrões envergonhavam a todos.

11) Como é característica humana negar tudo o que não pode controlar e ocultar tudo o que “envergonha”, o mesmo foi feito com Exu Mirim, que existe, mas não é recomendável que incorpore errado, dizemos nós, porque muitos médiuns já ajudaram a muitas pessoas com seus exus mirins doutrinadíssimos e nem um pouco influenciados pela personalidade “oculta” de quem os incorporava. Todos se adaptam a regras comportamentais se seus aplicadores forem rigorosos tanto com os médiuns quanto com quem incorporar neles.

O melhor exemplo começa com as incorporações comportadas de quem dirige os trabalhos espirituais. E uma boa orientação sobre as entidades ajuda muito, porque o que os médiuns internalizarem sobre elas será o regularizador das entidades.

Agora se, por acaso, o dirigente adota um comportamento discutível, aí seus médiuns o seguirão intuitivamente, pois o tomam como exemplo a ser seguido.

Em inúmeras observações vimos os médiuns repetindo seus dirigentes e, inclusive, com as incorporações e danças dos guias incorporados neles. Essa assimilação natural ou intuitiva é um indicador de que o exemplo que vem “de cima” ainda é um dos melhores reguladores comportamentais.

Agora, quando o dirigente incorpora seu Exu Mirim e este, por ser do “chefe”, faz micagens, caretas, gestos obscenos, atira coisas nas pessoas, xinga-as e fala palavrões, aí tudo se degenera e seus médiuns procederão da mesma forma porque, em suas mentes e inconscientes, é assim que seus Exus Mirins devem comportar-se quando incorporados.

Essa foi uma das razões para o ostracismo a que foi relegada a linha dos Exus Mirins. E isto sem falarmos em supostos Exus Mirins, que quando incorporavam ou ainda incorporam por aí afora, pegam, ou lhe são dados, saquinhos de papel que ficam cheirando, como se fossem as infelizes crianças de rua há certos comportamentos que devemos debitá-los ao arquétipo errôneo construído por pessoas desinformadas sobre essa linha de trabalhos espirituais Umbandistas.

Falemos sobre os verdadeiros Exus Mirins:

1) Não são espíritos humanos, em hipótese alguma.

2) Exus Mirins são seres encantados da natureza provenientes da sétima dimensão à esquerda da

3) A irreverência ou má educação comportamental não são típicas deles na dimensão onde

4) São naturalmente irrequietos e curiosos, mas nunca intrometidos ou desrespeitadores.

5) Por um processo osmótico espiritual, refletem o inconsciente de seus médiuns, tal como acontece com Exu e Pomba Gira. Logo, são nossos refletores naturais.

6) Gostam de beber as bebidas mais agradáveis ao paladar dos seus médiuns, sejam elas

7) Apreciam frutas ácidas e doces “duros”, tais como: rapadura, pé de moleque, quebra queixo, cocadas secas e balas “ardidas” (de menta ou hortelã).

8) Se bem doutrinados prestam inestimáveis trabalhos de auxílio aos frequentadores dos centros

9) Não aprovam ser invocados e oferendados em trabalhos de demandas e magias negativas

10) Toda vez que seus médiuns os ativam para prejudicar os seus desafetos, seus Exus Mirins se enfraquecem automaticamente; já aconteceram inúmeros casos de médiuns que ficaram sem seus verdadeiros Exus Mirins porque os usaram tanto contra seus desafetos que eles ficaram tão fracos e foram aprisionados, e kiumbas oportunistas tomaram seus lugares junto aos seus médiuns, passando daí em diante a criar problemas para suas vítimas que ainda acreditavam que estavam incorporando

11) Eles raramente pedem seus assentamentos ou firmezas permanentes e preferem ser oferendados periodicamente na natureza, tal como as crianças da direita.

12) Se bem doutrinados e colocados a serviço dos frequentadores dos centros umbandistas, realizam um trabalho caritativo único e insubstituível.

Vamos resgatar os Exus Mirins da Umbanda e libertá-los do falso arquétipo que mentes e consciências distorcidas criaram para eles?

“Este texto faz parte do Livro: “Orixá Exu Mirim – Fundamentação do Mistério na Umbanda” de Rubens Saraceni, Ed. Madras. Não deixe de ler este livro na íntegra”.

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