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fev 16

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UMBANDA NÃO É MACUMBA

Por Alexandre Cumino

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      Depois do lançamento do livro “Umbanda não é Macumba”, muitas pessoas me perguntam: “Então eu não posso dizer mais que sou macumbeiro?”. E, em contra partida, outros me dizem: “Isso mesmo, muito bom, nós não somos macumbeiros, nós somos umbandistas”.
      A polêmica é antiga e, pelo visto, não vai acabar tão cedo e muito menos com a publicação deste título. “Umbanda não é Macumba” é apenas o título do livro, não é uma imposição linguística-doutrinária e muito menos um fundamento teológico, no entanto, vale fazer esta reflexão.
      Para quem me pergunta se não pode mais se identificar como Macumbeiro, eu respondo que: “nós podemos dizer que somos macumbeiros, os ‘outros’ é que não podem nos chamar de macumbeiros”. E para quem reafirma que somos umbandistas e não macumbeiros, eu também aceno de forma afirmativa e concordo.
      A única coisa com a qual eu não concordo é com a discriminação, o preconceito e a intolerância religiosa. Identificar umbanda como macumba pode estar certo ou errado, inclusive dependendo do tom de voz e da intenção com que se afirma umbanda como macumba. Por exemplo, uma pessoa preconceituosa, quando chama a umbanda de macumba e o umbandista de macumbeiro, faz com a intenção clara de agredir, discriminar e diminuir a fé alheia, desclassificando qualquer qualidade que possa ter relacionada ao sagrado. Agora, quando um umbandista, que conhece sua religião e sabe que é chamado de macumbeiro e sabe que chamam sua umbanda de macumba, quando ele assume esta identidade com irreverência e diz abertamente “vou à macumba”, ele não está errado, pois o erro está muito mais na carga pejorativa da palavra do que no emprego dela em si. E, desta forma, quando duas pessoas estão afirmando a umbanda como macumba, é possível que uma esteja certa e outra esteja errada. Certa ou errada não é a afirmação em si e, sim, a interpretação da palavra macumba.
      No entanto, porém, se falar para pessoas leigas que vai a uma macumba, independente do tom, pejorativo ou não, estas pessoas não vão entender que apito você toca e onde, de fato, você vai. Isso porque a palavra é muito mais conhecida por sua conotação e interpretação negativa do que por seu real significado. Ao dizer que vai à macumba a alguém que não lhe conheça e que esteja fora deste contexto religioso, muito provavelmente, além de ficar sem saber o que você quis dizer, é possível que o interprete mal. Muitos pensam: “Eu posso não saber o que é macumba, mas coisa boa que não é!”. Por conta de todas estas confusões e desencontros, o título deste livro poderia ser: “Umbanda não é o que você pensa que seja Macumba” ou “Umbanda não é apenas o que você pensa que seja Macumba”.
      No entanto, com o primeiro título, eu estaria escrevendo para um público específico apenas, e com o segundo título, eu estaria escrevendo para um outro público específico e, assim, não alcançaria a todos, que é o propósito deste livro. Este é um livro tanto para quem não sabe o que é Macumba, para quem tem uma ideia distorcida, quanto para quem já sabe o que é Macumba de fato.
          Considero este livro ideal para dar de presente a quem nunca leu nada sobre Umbanda ou para quem tem preconceito. Um livro perfeito para dar de presente para aquele parente chato que sempre lhe critica, faz uma piada de mal gosto ou olha atravessado para suas guias e roupa branca. Mas também é um ótimo livro e uma boa leitura para quem já conhece a Umbanda de longa data. Desde o título até as últimas páginas, este livro traz o propósito de nos fazer pensar o que é Umbanda de uma forma simples e em seus fundamentos mais básicos. Conto com a ajuda de todos para divulgar, recomendar e dar de presente: “Umbanda não é Macumba”.

        Fonte: http://www.colegiopenabranca.com.br/artigos2.html

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